Katharina Oguntoye
| Katharina Oguntoye | |
|---|---|
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| Nascimento | janeiro de 1959 Zwickau |
| Cidadania | Alemanha |
| Cônjuge | Carolyn Gammon |
| Alma mater | |
| Ocupação | escritora, historiadora, ativista, poetisa |
Katharina Oguntoye (Zwickau, Alemanha Oriental, janeiro de 1959)[1] é uma escritora, historiadora, ativista e poetisa alemã com ascendência africana. Ela fundou a associação intercultural sem fins lucrativos Joliba e.V.[2] na Alemanha e é conhecida por coeditar o livro Farbe bekennen com May Ayim (então May Opitz) e Dagmar Schultz.[1] Oguntoye também desempenhou um papel fundamental no movimento afro-alemão[2], além de realizar pesquisas e reconstruir narrativas de alemães negros no período da Alemanha Nazista.[3]
Biografia
Katharina Oguntoye cresceu nas cidades de Leipzig eHeidelberg na Alemanha, e passou alguns momentos de sua vida na Nigéria.[4] De acordo com declarações de Oguntoye, sua mãe, branca, conheceu seu pai, nigeriano, na Universidade de Leipzig, onde ele estava estudando com o auxílio de uma bolsa de estudos da República Democrática Alemã. O pai de Oguntoye retornou à Nigéria em 1965 para assumir uma cátedra, ela, sua mãe e seu irmão mais novo se juntaram a ele um ano depois e passaram a morar no campus da universidade. Lá, Oguntoye conheceu o lado paterno da família. Dois anos depois, em 1967, a Guerra do Biafra iniciou, então Oguntoye retornou com sua mãe para a cidade natal de sua tia, Heidelberg, na Alemanha, enquanto o irmão de Oguntoye ficou com seu pai.[5]
Oguntoye descreve sua juventude em Heidelberg como difícil, destacando a pouca quantidade de afrodescendentes moradores na cidade. Sua passagem anterior pela Nigéria foi essencial para que ela distinguisse as atribuições externas das suas próprias imagens. Ao mesmo tempo, Oguntoye começou a se engajar politicamente no emergente movimento ambientalista e, mais tarde, no movimento feminista.[6]
Katharina Oguntoye mudou-se para Berlim em 1982 para obter seu Abitur, isto é, o diploma do ensino médio na Alemanha que qualifica estudantes para a universidade, na Escola Kreuzberg para Educação de Adultos. Apesar de ser a única negra em sua turma, ela afirma que o ambiente de uma escola que oferecia aspectos autodidatas lhe deu a oportunidade de se empoderar e se tornar visível em discussões com outras mulheres. Foi também nessa época que ela se assumiu como lésbica.[7]
Ela se encontra em união civil com a autora e tradutora Carolyn Gammon.[8]
Trabalho e carreira
Em 1984, Oguntoye participou de seminários da poetisa e ativista americana Audre Lorde, que, entre outras coisas, era professora visitante na Freie Universität Berlin.[9] Lorde recebeu a oferta de publicar um livro pela Orlanda Publishing, mas, em vez disso, pediu a May Ayim, então com 22 anos, e Oguntoye, com 24, que publicassem uma obra sobre e para afro-alemães na Alemanha: Stellt euch einander und der Welt vor (em tradução livre: Apresentem-se uns aos outros e ao mundo). Em 1986, Farbe bekennen (em tradução livre: Mostrando nossas cores) foi publicado por Oguntoye, Ayim e Dagmar Schultz . [10]
Farbe Bekennen foi o primeiro livro a descrever os problemas racistas encontrados no cotidiano de afro-alemães na Alemanha.[10] O livro é considerado um dos motivos da politização do movimento afro-alemão. Pela primeira vez, os negros na Alemanha entraram em contato uns com os outros e exibiram um interesse pela política.[6] Em uma entrevista de 2019 para a L-Mag, Oguntoye lembra: “Assumir como alemãs negras fez com que as feministas brancas refletissem mais e percebessem: esses são privilégios. As alemãs brancas tinham o 'cartão de privilégios': direito ao trabalho, direito de se estabelecer, liberdade de movimento. Nós, como afro-alemãs, temos esses direitos até certo ponto com nossos passaportes alemães, mas eles nos são continuamente negados.”[11]
Engajamento político
Oguntoye foi cofundadora da iniciativa de negros na Alemanha Initiative Schwarze Menschen in Deutschland (ISD) e do grupo de mulheres afro-alemãs ADEFRA.[12] Ela também fundou a rede intercultural Joliba e.V. em 1997, que oferece, sobretudo, serviços a famílias de ascendência africana, afro-alemã e afro-americana, além de festivais infantis, grupos de pais e filhos, exposições, leituras e seminários.[13] Oguntoye justifica sua motivação para seu engajamento, acima de tudo, através do fato de que os negros na Alemanha continuam sendo invisíveis e não têm direitos iguais.
"Acho que a gente não se deu conta de que a época nazista da Alemanha durou só 12 anos, e o que esse tempo pode fazer com uma sociedade e o que pode acontecer nele. Não é preciso 50 ou 100 anos", comenta. Sob o contexto da Alemanha Nazista, Oguntoye segue no ramo de pesquisa de recolher narrativas de resistência da população alemã negra durante esse período, auxiliando na construção de histórias como a da compositora Fasia Jansen, do ator Theodor Wonja Michael e da jornalista Hans Massaquoi.[3]
Oguntoye propõe que as contribuições negras deveriam ser abordados nos currículos escolares[3]
Prêmios
Prêmio de Visibilidade Lésbica no Estado de Berlim de 2020.[11]
Publicações selecionadas
- 1986: Farbe Bekennen. Afro-deutsche auf den Spuren ihre Geschichte [14]
- 1992: Showing Our Colors: Afro-German Women Speak Out.[15]
- 1997: Eine afro-deutsche Geschichte: Zur Lebenssituation von Afrikanern und Afro-Deutschen in Deutschland von 1884 bis 1950.[16]
Referências
- ↑ a b Opitz, May; Schultz, Katharina; Schultz, Dagmar, eds. (1992). Showing Our Colors: Afro-German Women Speak Out. [S.l.]: University of Massachusetts Press. ISBN 9780870237607
- ↑ a b Stefani Messick (6 junho 2014). «Meeting w/ Katharina Oguntoye of Joliba Interkulturelles Netzwerk». FemGeniuses.com. Consultado em 28 agosto 2016
- ↑ a b c «Afro-alemães vitímas do nazismo: os grandes esquecidos da história». UOL. 8 maio 2025. Consultado em 27 de julho de 2025. Cópia arquivada em 9 de maio de 2025
- ↑ Thomas, Anne (16 fevereiro 2012). «Berlin marks Black History Month but the struggle goes on». Mixed Race Studies. Cópia arquivada em 26 setembro 2022
- ↑ Messmer, Susanne (21 janeiro 2017). «Schwarze Menschen sind immer noch unsichtbar» [Black People are Still Invisible]. Taz
- ↑ a b Morrigan, Ruby (1 maio 2018). «In Europa werden Schwarze Menschen nicht als Menschen wahrgenommen». Vice
- ↑ Seidel, Ingolf (25 março 2020). «Empfehlung Lebensbericht Labor 89. Intersektionale Bewegungsgeschichte*n aus West und Ost». Lernen aus der geschichte
- ↑ Laloire, Lotte; Schwirkus, Katharina (7 março 2020). «Feminismus heißt Rückgrat haben». Neues Deutschland. Cópia arquivada em 16 de maio de 2025
- ↑ Dodua Otoo, Sharon (5 fevereiro 2015). «Audre Lorde: Schwarze, Lesbe, Mutter, Kriegerin, Poetin» [Audre Lord: Black, Lesbian, Mother, Warrior, Poet]. Der Tagesspiegel
- ↑ a b Hoeder, Ciani-Sophia (27 fevereiro 2020). «Katharina Oguntoye über die afrodeutsche Geschichte: 'Es war ein Stück weit meine Lebensaufgabe'» [Katharina Oguntoye on Afro-German history: 'It was to a certain extent my life's work']. RosaMag
- ↑ a b Geiger, Hannah (18 maio 2020). «Preisträger*in Katharina Oguntoye: 'Ich brauchte zwei Coming-Outs: als Lesbe und als Schwarze Frau'». Siegessaeule (em alemão). Consultado em 27 julho 2025 (republished from L-Mag on the occasion of Oguntoye winning the Lesbian Visibility Prize)
- ↑ Maurer, Jakob (17 setembro 2020). «Courage kann anstecken». Frankfurter Rundschau
- ↑ «Katharina Oguntoye - Gründerin von Joliba e.V.». JOLIBA (em alemão). Consultado em 27 de julho de 2025
- ↑ Oguntoye, Katharina; Ayim, May; Schultz, Dagmar, eds. (1986). Farbe bekennen: afro-deutsche Frauen auf den Spuren ihrer Geschichte 1. Aufl ed. Berlin: Orlanda Frauenverlag
- ↑ Ayim, May; Oguntoye, Katharina; Schultz, Dagmar, eds. (1992). Showing our colors: Afro-German women speak out. Amherst, Mass: University of Massachusetts Press
- ↑ Oguntoye, Katharina (1997). Eine afro-deutsche Geschichte: zur Lebenssituation von Afrikanern und Afro-Deutschen in Deutschland von 1884 bis 1950 1. Aufl ed. Berlin: Hoho-Verl. Hoffmann
