Karlsruhe (cruzador)
Karlsruhe
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| Operador | Reichsmarine (1929–1935) Kriegsmarine (1935–1940) |
| Fabricante | Deutsche Werke |
| Homônimo | Karlsruhe |
| Batimento de quilha | 27 de junho de 1926 |
| Lançamento | 20 de agosto de 1927 |
| Comissionamento | 6 de novembro de 1929 |
| Destino | Afundado em 9 de abril de 1940 |
| Características gerais (como construído) | |
| Tipo de navio | Cruzador rápido |
| Classe | Königsberg |
| Deslocamento | 7 800 t (carregado) |
| Maquinário | 2 motores a diesel 4 turbinas a vapor 6 caldeiras |
| Comprimento | 174 m |
| Boca | 15,3 m |
| Calado | 6,28 m |
| Propulsão | 2 hélices |
| - | 65 300 cv (48 000 kW) |
| Velocidade | 32 nós (59 km/h) |
| Autonomia | 5 700 milhas náuticas a 19 nós (10 600 km a 35 km/h) |
| Armamento | 9 canhões de 149 mm 2 canhões de 88 mm 12 tubos de torpedo de 500 mm |
| Blindagem | Cinturão: 50 mm Convés: 40 mm Anteparas: 70 mm Torres de artilharia: 20 a 30 mm Barbetas: 30 mm Torre de comando: 100 mm |
| Tripulação | 21 oficiais 493 marinheiros |
O Karlsruhe foi um cruzador rápido operado pela Reichsmarine e depois Kriegsmarine e a segunda embarcação da Classe Königsberg, depois do Königsberg e seguido pelo Köln. Sua construção começou em junho de 1926 na Deutsche Werke em Kiel e foi lançado ao mar em agosto do ano seguinte, sendo comissionado em novembro de 1929. Era armado com uma bateria principal composta por nove canhões de 149 milímetros em três torres de artilharia triplas, tinha um deslocamento carregado de quase oito mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 32 nós.
O Karlsruhe passou sua primeira década de serviço atuando como navio-escola para cadetes navais, mas participou de patrulhas de não intervenção durante a Guerra Civil Espanhola. A Segunda Guerra Mundial começou em 1939 e no ano seguinte a embarcação participou da invasão da Noruega ao desembarcar tropas em Kristiansand. Partiu de volta para a Alemanha em 9 de abril, mas foi torpedeado no caminho pelo submarino britânico HMS Truant e seriamente danificado. Não foi capaz de voltar para o porto, então foi deliberadamente afundado pelo barco torpedeiro Greif.
Características

O Karlsruhe tinha 174 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 15,2 metros e um calado máximo de 6,28 metros. Seu deslocamento carregado era de 7,8 mil toneladas. O sistema de propulsão era composto por seis caldeiras de tubos d'água do tipo Marítimo que queimavam óleo combustível e alimentavam quatro turbinas a vapor, cada par girando uma hélice, mais dois motores a diesel de quatro tempos com dez cilindros. Este sistema tinha uma potência indicada de 65,3 mil cavalos-vapor (48 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 32 nós (59 quilômetros por hora). A autonomia era de aproximadamente 5,7 mil milhas náuticas (10,6 mil quilômetros) a uma velocidade de dezenove nós (35 quilômetros por hora). Sua tripulação era formada por 21 oficiais e 493 marinheiros.[1][2]
O armamento principal do navio consistia em nove canhões de 149 milímetros montados em três torres de artilharia triplas, uma localizada à vante e as outras duas sobrepostas à ré. A terceira torre ficava desalinhada da segunda a fim de aumentar o arco de disparo. O armamento antiaéreo tinha dois canhões calibre 45 de 88 milímetros em montagens individuais. Também havia quatro tubos de torpedo de quinhentos milímetros e o navio também era capaz de levar até 120 minas navais. O navio era protegido por um cinturão de blindagem de cinquenta milímetros de espessura, um convés de quarenta milímetros e anteparas de setenta milímetros. As torres de artilharia tinham entre vinte a trinta milímetros e ficavam em cima de barbetas de trinta milímetros. A torre de comando tinha laterais de cem milímetros.[1][2]
Carreira
Tempos de paz
O Karlsruhe foi encomendado como "Cruzador C" e recebeu o nome provisório de Ersatz Medusa, substituto do antigo cruzador rápido Medusa.[3] Seu batimento de quilha ocorreu 27 de julho de 1926 na Deutsche Werke em Kiel. Foi lançado ao mar em 20 de agosto de 1927 e foi comissionado em 6 de novembro de 1929.[2] Completou seus testes marítimos no Mar Báltico e então foi designado para funções de navio-escola. Partiu em maio de 1930 para sua primeira viagem de treinamento internacional, indo para a África e América do Sul. Voltou para a Alemanha no final do ano e foi modernizado; seu mastro do traquete foi encurtado e sua superestrutura ligeiramente alargada. Pelos cinco anos seguintes fez mais quatro cruzeiros para cadetes navais, chegando a ir até o Japão. Entre cada cruzeiro realizou exercícios de rotina junto com o resto da frota alemã. Passou por mais modificações em 1935, incluindo a instalação de um mastro de poste à ré das chaminés, bem como uma catapulta de hidroaviões à meia-nau com um guindaste.[4]
Seu último cruzeiro de treinamento foi no início de 1936, quando foi seriamente danificado por uma tempestade tropical enquanto navegava pelo Oceano Pacífico.[5] Fraquezas estruturais em seu casco, que foi construído em sua maior parte com solda, causaram danos significativos e o Karlsruhe foi forçado a parar em abril em San Diego, nos Estados Unidos, para reparos temporários. Seu casco foi consertado e fortalecido, o que aumentou ligeiramente seu deslocamento e boca.[2] Voltou para a Alemanha em junho de 1936 e imediatamente foi para uma doca seca a fim de passar por reparos definitivos e uma grande reforma. Durante este período, seus canhões antiaéreos individuais de 88 milímetros foram substituídos por três montagens duplas da mesma arma. Um diretório de controle de disparo estabilizado SL-1 foi instalado para esses canhões. O navio realizou testes marítimos ao fim dos trabalhos e então participou de patrulhas de não intervenção durante a Guerra Civil Espanhola, porém permaneceu próximo do litoral da Espanha por apenas alguns meses.[4]
Segunda Guerra
Retomou seus deveres de navio-escola no Báltico ao voltar para a Alemanha. Foi tirado de serviço em maio de 1938 para passar por mais uma grande modernização. Suas duas chaminés foram modificadas com a adição de coberturas inclinadas e plataformas de holofotes nas laterais. Suas armas antiaéreas de 88 milímetros foram substituídas por canhões mais poderosos de 105 milímetros. Os trabalhos duraram até novembro de 1939, alguns meses depois do início da Segunda Guerra Mundial. O Karlsruhe passou os meses seguintes em testes e manobras de treinamento.[5] O cruzador e o lança-minas Schiff 23 foram enviados em 4 de janeiro de 1940 para interceptarem o navio sueco SS Konung Oscar, que estava transportando refugiados poloneses de Riga, na Letônia, até a Suécia. O Karlsruhe interceptou a embarcação e a declarou um prêmio de guerra, enviando-a junto com 41 poloneses a bordo para Memel.[6] O cruzador não estava pronto para operações de combate no início da invasão da Noruega, assim foi usado para transportar soldados para um ataque contra Kristiansand. A força de ataque também incluía quatro barcos torpedeiros, várias lanchas de ataque e um navio auxiliar das lanchas.[4]
A força de invasão deixou Bremerhaven nas primeiras horas de 8 de abril, com o Karlsruhe estando sob o comando do capitão de mar Friedrich Rieve. Uma névoa densa cobria a área quando chegaram em Kristiansand, fazendo com que a passagem pelo fiorde antes do porto ficasse bastante perigosa. Consequentemente, os alemães esperaram até a manhã do dia 9 para iniciarem o ataque. Os canhões costeiros da Fortaleza de Odderøya abriram fogo contra o navio assim que ele entrou no fiorde. O Karlsruhe virou dentro do fiorde para que todos os seus canhões principais pudessem atirar, com o duelo de artilharia durando aproximadamente duas horas antes que outra névoa densa descesse sobre o porto, forçando o cessar-fogo de ambos os lados. Os noruegueses se renderam uma hora depois e os navios alemães desembarcaram suas tropas.[7]
O Karlsruhe deixou Kristiansand na noite do mesmo dia com três barcos torpedeiros de escolta. O submarino britânico HMS Truant estava posicionado do lado de fora do fiorde e avistou os alemães, lançando vários torpedos.[7] O cruzador tentou desviar, mas foi atingido por um torpedo a estibordo à meia-nau que abriu um enorme buraco no casco e permitiu que milhares de toneladas de água entrassem. A inundação incapacitou seus motores e parcialmente seus geradores elétricos, derrubando a energia de algumas das bombas d'água que estavam tentando acompanhar o ritmo da água entrando. Rieve decidiu que sem essas bombas não havia modo de salvar o Karlsruhe e assim emitiu a ordem de abandonar o navio duas horas depois do ataque. A tripulação foi transferida para o barco torpedeiro Greif, que lançou mais dois torpedos para afundar o cruzador.[2][8]
A investigação sobre o naufrágio criticou Rieve e seu segundo em comando por não terem tomado todas as medidas possíveis para salvar o navio. O relatório concluiu que já que o Karlsruhe ainda estava flutuando duas horas após o ataque, e que mais dois torpedos foram necessários para afundá-lo, então talvez teria sido possível rebocá-lo para Kristiansand ou outro porto. Além disso, as bombas d'água de vante ainda estavam funcionando, assim a inundação poderia ter sido retardada para permitir sua ida para algum porto.[8]
Destroços

O Karlsruhe naufragou em águas profundas e a posição exata dos seus destroços permaneceu desconhecida por mais de oito décadas. A Statnett, a operadora da rede elétrica da Noruega, realizou em 2017 um exame topográfico por sonar que localizou destroços, mas eles permaneceram sem identificação na época porque a empresa não tinha tempo para investigar.[9] Uma expedição foi enviada pela Stattnet em junho de 2020 com um veículo subaquático operado remotamente a fim de averiguar cabos de energia, porém o mau tempo forçou o cancelamento da missão e assim a equipe aproveitou o pouco tempo que tinham antes de retornarem para averiguarem os destroços previamente localizados. Imagens de sonar e das câmeras do veículo remoto confirmaram ser o Karlsruhe, algo que a Stattnet revelou em setembro.[10][11] O navio está virado para cima no fundo do mar a quinze metros de distância da linha de energia submersa entre a Noruega e a Dinamarca. A proa não está mais presa ao resto do casco. O Karlsruhe está a aproximadamente treze milhas náuticas (24 quilômetros) de distância do litoral norueguês e a uma profundidade de por volta de 490 metros.[9]
Referências
- ↑ a b Gröner 1990, pp. 119–120.
- ↑ a b c d e Sieche 1992, p. 230.
- ↑ Gröner 1990, p. 119.
- ↑ a b c Williamson 2003, pp. 18–19.
- ↑ a b Williamson 2003, p. 19.
- ↑ Rohwer 2005, p. 13.
- ↑ a b Williamson 2003, p. 20.
- ↑ a b Williamson 2003, p. 21.
- ↑ a b «Nazi warship found off Norway coast after 80 years». Vladivostok Daily News. 11 de setembro de 2020. Consultado em 27 de dezembro de 2025. Arquivado do original em 6 de dezembro de 2020
- ↑ Nygaard, Arnfinn (5 de setembro de 2020). «Norges lengste vrakfunn bare meter fra hovedstrømkabel». NRK. Consultado em 27 de dezembro de 2025
- ↑ Wright 2020, p. 262.
Bibliografia
- Gröner, Erich (1990). German Warships: 1815–1945. Vol. I: Major Surface Vessels. Annapolis: Naval Institute Press. ISBN 0-87021-790-9
- Rohwer, Jürgen (2005). Chronology of the War at Sea, 1939–1945: The Naval History of World War Two 3ª ed. Annapolis: Naval Institute Press. ISBN 978-1-59114-119-8
- Sieche, Erwin (1992). «Germany». In: Gardiner, Robert; Chesneau, Roger. Conway's All the World's Fighting Ships 1922–1946. Londres: Conway Maritime Press. ISBN 978-0-85177-146-5
- Williamson, Gordon (2003). German Light Cruisers 1939–1945. Col: New Vanguard, 84. Oxford: Osprey Publishing. ISBN 1-84176-503-1
- Wright, Christopher (dezembro de 2020). «Naval News in Pictures». Toledo: International Naval Research Organization. Warship International. 57 (4). ISSN 0043-0374
Ligações externas
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