Karl Gustav Hammar

Karl Gustav Hammar
Arcebispo emérito de Uppsala
Primaz emérito da Suécia
Nome completoKarl Gustav Hilding Hammar
Nascimento
NacionalidadeSuécia Sueca
OcupaçãoArcebispo emérito da Igreja da Suécia

Karl Gustav Hammar - nascido em 1943 na cidade de Hässleholm, na Suécia - é um arcebispo emérito da Igreja da Suécia. Foi bispo da Diocese de Lund entre 1992-1997 e arcebispo de Uppsala entre 1997-2005.[1]

Biografia

K.G. Hammar nasceu em uma família sacerdotal e foi ordenado padre na Diocese de Lund em 1965, aos 22 anos.[2] Defendeu sua tese de doutorado na Universidade de Lund em 1972,[3] sobre história da igreja. De 1972 a 1975, trabalhou como professor no Trinity Theological College, em Singapura. Ele retornou para casa para trabalhar como pároco do Mosteiro de São Pedro, em Lund (1975-1979). Depois, foi Secretário de Educação no Conselho de Educação da Igreja da Suécia, Estocolmo (1979); reitor do instituto pastoral da Igreja da Suécia em Lund (1980-1987); Secretário Geral do Comitê da Igreja (1982; 1983-1987); e Deão da Catedral de Lund (1987-1992).[2]

Em 1992, tornou-se bispo da Diocese de Lund e, em 1997, foi nomeado arcebispo pelo governo da Suécia, controlado pelos social-democratas, sob a igreja estatal que ainda estava formalmente em vigor. Em 1º de fevereiro de 1997, Hammar assumiu o cargo de Arcebispo da Igreja da Suécia.[2][4]

Logo após sua nomeação, ele consagrou Christina Odenberg, a primeira mulher sueca a se tornar bispo.[5]

Brasão do Arcebispo Hammar

Enquanto 68º arcebispo de Uppsala, Hammar foi o último arcebispo da Igreja da Suécia a ser eleito de acordo com a Lei da Igreja, ou seja, a ordem vigente até 2000; a partir de então, os próximos arcebispos seriam eleitos por representantes de toda a Igreja da Suécia.[6][7][8] Hammar anunciou sua renúncia em agosto de 2005.[6]

Ele foi casado com a professora e historiadora Inger Hammar, que morreu em 1997, e tiveram cinco filhos.[2][6] Hammar se casou novamente em 2014 com a padre Ann-Charlotte "Lotta" Fång (nascida em 1966).[9]

Foi Presidente do Comitê Consultivo do Instituto Teológico Sueco em Jerusalém (STI); membro do Conselho da Sociedade Missionária de Lund; membro do Comitê Consultivo do Projeto Cultura e Saúde da Universidade de Gotemburgo; e membro do Conselho de Ética da Região de Skåne.[10]

A partir de setembro de 2006, ocupou o cargo de professor visitante de teologia no Centro de Teologia e Estudos Religiosos da Universidade de Lund. O cargo era financiado externamente (fundo de Thora Ohlsson) e destina-se ao ensino e a atividades relacionadas à pesquisa.[10]

Opiniões

Defendeu que as crianças refugiadas permanecessem na Suécia, a anistia para requerentes de asilo, o cancelamento das dívidas dos países mais pobres, o tratamento humano nas prisões, os direitos dos homossexuais e a tolerância para com pessoas de outras religiões.[6]

Após a nova crise de refugiados iniciada em 2015, Hammar voltou a envolver-se nas questões dos refugiados, nomeadamente com um texto na antologia "2015 Till asylrättens försvar"[11] e como um dos "embaixadores" dos jovens desacompanhados ameaçados de deportação na campanha Håll iop Sverige.[12]

Ele também pediu comprometimento masculino contra o tráfico sexual de crianças, criticou a invasão do Iraque e o capitalismo global[6] e pediu um boicote contra produtos de assentamentos israelenses.[13] Em relação a esse último, a campanha de Hammar era chamada de "Hopp" (esperança) e contava com o apoio de 12 organizações que defendiam que a União Europeia renegociasse seu acordo comercial com Israel.[14] O embaixador de Israel na Suécia, Zwi Mazel, chamou o arcebispo de antissemita.[7] O Conselho Central Judaico da Suécia rompeu relações com a Igreja da Suécia. A decisão do Conselho Central Judaico levou ao cancelamento de uma conferência internacional de paz que aconteceria em Estocolmo no final de 2004 e estava sendo organizada conjuntamente pelo conselhos judaico, cristão e muçulmano suecos.[14] Depois disso, já como ex-arcebispo, Hammar visitou a igreja luterana palestina e os territórios ocupados com um grupo de estudantes, incluindo a Belém murada.[7]

O ex-líder do partido democrata-cristão sueco, Alf Svensson, chamou Hammar de "populista de esquerda" e o ex-líder do Partido Moderado, Bo Lundgren, que o chamou de "megafone de esquerda", pediu a Hammar que parasse de usar seu cargo como plataforma política ou que renunciasse e se candidatasse como um político de esquerda. Também recebeu críticas do jornalista Göran Skytte, dos Democratas Suecos e da Liga da Juventude Liberal.[6][7]

Ele foi alvo de muitas críticas por sancionar a exibição da controversa exposição fotográfica Ecce Homo dentro da Catedral de Uppsala, em 1998, onde fotos recriavam motivos cristãos clássicos, mas em contextos relacionados à homossexualidade. Seu apoio à exposição levou o Papa João Paulo II a cancelar um encontro planejado com o arcebispo.[6][15] A visita foi realizada no ano seguinte, quando o arcebispo sueco foi necessário, entre outras coisas, para confirmar que católicos e luteranos haviam chegado a um consenso sobre o caminho do homem para a salvação. A audiência cancelada, a exposição ou o tema da homossexualidade não foram abordados na reunião.[16]

As críticas ultrapassavam as questões políticas e se dirigiam também a fé do então arcebispo Hammar. Ele foi acusado de ser vago quando se trata de questões centrais da fé. Descreveu as histórias bíblicas do nascimento virginal e dos milagres como parábolas e poesia. Ele também afirmou que não era função da Igreja dizer às pessoas como viver. Por isso, foi chamado de apóstata por vários clérigos e leigos e chamado a renunciar.[6][17] Em uma conversa com Tenzin Gyatso, o décimo quarto Dalai Lama, Hammar disse que é importante olhar para as semelhanças entre as religiões e não focar apenas em suas diferenças.[18]

Hammar também foi um defensor declarado da Campanha para o Estabelecimento de uma Assembleia Parlamentar das Nações Unidas (CUNPA), uma organização que defende a reforma democrática das Nações Unidas e a criação de um sistema político internacional mais responsável.[19]

Em 2022, Hammar foi um dos que formaram o partido Klimatalliansen (Aliança Climática). Ele foi o segundo nome na sua lista parlamentar para as eleições de 2022.[20][21]

Obras

  • Liberalteologi och kyrkopolitik, Kretsen kring Kristendomen och vår tid,1906–omkr. 1920 (Bibliotheca historico-ecclesiastica Lundensis1.) Tohtorinväitöskirja (1972)
  • Dialog i kyrkan synpunkter på predikan (1975) ISBN 9789171141354
  • Gudsfolket, Ett bibelteologisk studium av kyrkans identitiet (1977)
  • Prästidentitet och församlingssyn, Modeller för vägval (1981) ISBN 9789152601853
  • Gudsfolkets uppb rott (1981)
  • Det som hörs –predikoteoretiska perspektiv (1985) ISBN 9789152612965
  • Tecken och verklighet, Herdabrev till Lunds stift (1993) ISBN 9789188552006
  • Samtal om Gud (1997) ISBN 9789152625651
  • Ecce Homo. Efter tvåtusen år (2000) ISBN 9789188552303
  • Jag har intes anningen, jag söker den (2004) ISBN 9789170371400
  • Vägen valde dig. Ärkebiskop KG Hammars mediationer över Dag Hammarskjölds „Vägmarken (2005) ISBN 91-974442-3-5.
  • Släpp fången loss - Gud bland metaforer och apofatiska provisorier (2016) ISBN 9789152634820

Referências

  1. Miranda 2007, p. 361.
  2. a b c d «Svenska kyrkan - Ärkebiskop KG Hammar». www.svenskakyrkan.se. Consultado em 11 de junho de 2025. Cópia arquivada em 13 de maio de 2006 
  3. «100 Notable Alumni of Lund University [Sorted List]». EduRank.org - Discover university rankings by location (em inglês). 11 de agosto de 2021. Consultado em 11 de junho de 2025 
  4. «Pressmeddelande frön Svenska kyrkans information». www.svenskakyrkan.se. Consultado em 11 de junho de 2025. Cópia arquivada em 14 de fevereiro de 2005 
  5. «The Church of Sweden». www.svenskakyrkan.se. Consultado em 11 de junho de 2025. Cópia arquivada em 7 de dezembro de 2008 
  6. a b c d e f g h Sveriges Television AB, Stockholm, Sweden. «svt.se - fördjupning». www.svt.se (em sueco). Consultado em 11 de junho de 2025. Cópia arquivada em 24 de maio de 2007 
  7. a b c d LITTORIN, NILS. «Helgläsning: Intervju med KG Hammar». Proletären (em sueco). Consultado em 11 de junho de 2025 
  8. C, Solomonson, Sonia (1 de junho de 1999). «'Join us in historic episcopate'». findarticles.com (em inglês). Consultado em 11 de junho de 2025. Cópia arquivada em 8 de maio de 2005 
  9. «Kyrkans Tidning plats nr 20 2014, sidan 2». www.mypaper.se. Consultado em 11 de junho de 2025 
  10. a b «Person». www.ctr.lu.se (em sueco). Consultado em 11 de junho de 2025 
  11. «2015: en antologi till asylrättens försvar – Asylkommissionen». blog.liu.se (em inglês). Consultado em 11 de junho de 2025. Cópia arquivada em 9 de dezembro de 2022 
  12. ingrid (27 de março de 2021). «1.1. De ungas ambassadörer välkomnar granskningen ⋆ Den onödiga flyktingkrisen». Den onödiga flyktingkrisen (em sueco). Consultado em 11 de junho de 2025 
  13. «DN.se - 404 sidan kan ej visas». www.dn.se. 18 de janeiro de 2003. Consultado em 11 de junho de 2025. Cópia arquivada em 18 de fevereiro de 2003 
  14. a b «Jewish council cuts ties with Church of Sweden after products' boycott». Ecumenical News International. 19 de maio de 2004. Consultado em 10 de junho de 2025 
  15. «wfn.org | Relations between the LWF and the Vatican not affected». archive.wfn.org. 22 de outubro de 1998. Consultado em 11 de junho de 2025 
  16. «Papa concorda com Hammar após encontro caloroso em Roma». Consultado em 10 de junho de 2025 
  17. «Hammars tvivel upprör». Svenska Dagbladet (em sueco). 10 de fevereiro de 2003. ISSN 1101-2412. Consultado em 11 de junho de 2025 
  18. Heyman, Eva (12 de junho de 2005). «Dalai Lama lockade 6000 åhörare». Göteborgs-Posten (em sueco). Consultado em 11 de junho de 2025 
  19. Campaign for a UN Parliamentary Assembly. «Statements». Campaign for a UN Parliamentary Assembly (em inglês). Consultado em 11 de junho de 2025 
  20. «Klimatalliansen ställer upp i riksdagsvalet». DN.se (em sueco). 12 de fevereiro de 2022. Consultado em 11 de junho de 2025 
  21. «Gudrun Schyman lämnar Fi». DN.se (em sueco). 29 de março de 2022. Consultado em 11 de junho de 2025 

Bibliografia

  • Miranda, Ulrika Junker; Hallberg, Anne (2007). «Karl Gustav Hammar». Bonniers uppslagsbok (em sueco). Estocolmo: Albert Bonniers Förlag. 1143 páginas. ISBN 91-0-011462-6