Justino Bivar Weinholtz

Justino Bivar Weinholtz
Dados pessoais
Nome completoJustino Henrique Cúmano de Bivar Weinholtz
Nascimento8 de Março de 1885
Faro, Algarve
Morte8 de Abril de 1954
Faro
NacionalidadePortugal Portugal
Alma materUniversidade de Coimbra
ProfissãoAdvogado, museólogo e notário

Justino Henrique Cúmano de Bivar Weinholtz (Faro, Algarve, 8 de Março de 1885 - Faro, 8 de Abril de 1954) foi um advogado, notário, museólogo e autarca português.

Biografia

Nascimento e formação

Justino de Bivar Weinholtz nasceu em 8 de Março de 1885, no Palácio Bivar, em Faro.[1] Era filho de Manuel de Bivar Gomes da Costa Weinholtz, um abastado proprietário e agrónomo, e de Isabel Cúmano de Bivar Weinholtz.[2]

Frequentou o Liceu de Faro, e formou-se em Direito na Universidade de Coimbra, em 1908.[2]

Igreja de Santo António dos Capuchos, em Faro.

Carreira profissional

Voltou a Faro após a conclusão do curso, onde se estabeleceu como advogado e notário,[1] tendo sido também conservador no Registo Predial.[2]

Foi presidente da Câmara Municipal de Faro em 1915, e presidiu ao Senado Municipal entre 1925 e 1932.[2] Foi também presidente da Junta Geral do Distrito de Faro, fez parte da Comissão Distrital da União Nacional, e foi Governador Civil substituto.[2] Presidiu igualmente ao Asilo de Santa Isabel, fundado pela sua mãe, e esteve integrado na Santa Casa da Misericórdia de Faro,[2] onde foi provedor de 1947 a 1954.[1] Também esteve integrado nos conselhos Municipal e Provincial e na Comissão Municipal de Turismo, e foi presidente da assembleia geral da Associação dos Bombeiros Voluntários da Cruz Lusa e do Club Farense.[2] Presidiu igualmente à Companhia de Pescarias do Algarve, e foi vice-presidente da Mutualidade Popular e da Companhia de Pescarias do Cabo de Santa Maria.[2]

Em 1914 começou a trabalhar como conservador no museu de Faro, cuja posição ocupou durante cerca de quarenta anos, sempre em regime de voluntariado.[1] Teve um papel destacado na reorganização do museu, que estava praticamente ao abandono desde o falecimento do seu antigo conservador, Pereira Botto.[2] Foi responsável pela mudança das instalações, do edifício dos paços do concelho para a Igreja de Santo António dos Capuchos, alteração que permitiu melhorar as condições de serviço do museu.[1] Também aumentou de forma considerável o acervo do museu, através da transferência dos quadros do Palácio Episcopal e do Seminário de Faro.[1] De forma a obter algumas das obras, envolveu-se em conflitos com outras instituições museológicas, tendo ficado célebre uma disputa que teve com o director do Museu Nacional de Arte Antiga, José de Figueiredo, pela posse de um quadro do Século XVIII do pintor Vieira Portuense, representando Santo Agostinho.[1] Demitiu-se do museu em 1954, depois de ter sido criticado no jornal Diário de Lisboa.[1] Também foi sócio do Instituto Arqueólogo do Algarve,[2] onde exerceu como secretário.[1] Foi igualmente professor no Liceu de Faro.[2]

Escreveu várias obras sobre história e museologia, tendo por exemplo publicado nos Trabalhos da Academia das Ciências de Portugal o discurso que proferiu na cerimónia de inauguração daquele instituto.[2] Colaborou igualmente com um grande número de periódicos de Faro, destacando-se os artigos que escreveu para o jornal Correio do Sul sobre as suas conferências Faro no decorrer do século XIX e Santa Maria de Hárune e as suas lendas de amor.[2] Apresentou a tese Museus Provinciais e Museus do Algarve durante a segunda edição do Congresso Regional Algarvio, onde falou sobre a falta de condições em que se encontravam os museus da região, principalmente o de Faro.[2] Foi sócio correspondente do Instituto Português de Arqueologia, História e Etnografia.[2]

Falecimento e família

Justino Bivar Weinholtz faleceu em 8 de Março de 1885.[2] No obituário publicado no jornal Correio do Sul em 15 de Abril de 1954, foi descrito como «uma figura algarvia de incontestável relevo» e «um farense cuja dedicação à terra em que nasceu não conhecia limites».[2]

Casou com Laura Júdice Guerreiro de Brito e teve três filhos, Isabel Maria Brito de Bivar Weinholtz, Manuel Brito de Bivar Gomes da Costa Weinholtz e Luis Frederico de Bivar Gomes da Costa Weinholtz.[1]

Homenagens

Justino Bivar Weinholtz foi homenageado com uma exposição no museu de Faro em Março de 2004, no âmbito do 110º aniversário daquela instituição.[1]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k MARREIROS, 2015:265-267
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p q «Dr. Justino de Bivar» (PDF). Correio do Sul. Ano 35 (1896). Faro. 15 de Abril de 1954. p. 1, 3. Consultado em 9 de Novembro de 2025 – via Hemeroteca Digital do Algarve 

Bibliografia

  • MARREIROS, Glória Maria (2015). Algarvios pelo coração, algarvios por nascimento. Lisboa: Edições Colibri. 432 páginas. ISBN 978-989-689-519-8