Júlio Santana

Júlio Santana
Apelido(s) Julião
Nacionalidade Brasileiro
Sentença Nunca foi julgado
Vítimas 492

Júlio Santana, mais conhecido como Julião ou Julião Santana, foi um assassino de aluguel brasileiro que atualmente mora no Tocantins. Atuava como pistoleiro e como outros assassinos do tipo, como o Cabo Bruno, é considerado um assassino em série por cometer diversas mortes usando o mesmo modus operandi. Apesar de nunca ter sido julgado ou condenado, matou ao menos 492 pessoas na região fronteiriça entre o Tocantins e o Maranhão. É, por número de vítimas, o maior serial killer do Brasil. [1][2][3]

No livro "O Nome da Morte" ele mesmo revelou que mantinha um caderno onde anotou em detalhes as 492 mortes executadas e que rezava antes ou após os crimes pelas vítimas e pedindo "perdão a Deus".[1][2]

Biografia

Ainda adolescente, Júlio aprendeu a usar uma arma com um tio chamado Cícero e descrito no livro como um pistoleiro experiente. Este também o ensinou a rezar pelas vítimas mortas. Ele foi um "vítima da falta de cultura e educação", disse o ator Marco Pigossi que o interpretou no filme.[1][2]

Nos anos 1970 trabalhou para o Exército na região do Araguaia, quando cometeu diversos crimes ligados à Ditadura Militar e no livro revelou que havia começado a matar aos 17 anos.[1][2][4]

Em 2006, aos 52 anos, abandonou a vida de crimes após pressão da esposa, que ameaçou deixá-lo. Convertido ao cristianismo evangélico, passou a viver em uma pequena propriedade rural (na região de Palmas, Tocantins ou interior da Paraíba) com sua família. "Ele cria galinhas e porcos, longe dos holofotes", reportou o portal UOL.[1][2][3]

Pelos que não conheciam sua vida criminal, ele era considerado um homem de família e religioso.

Crimes

A maioria dos assassinatos foi cometida entre os anos 1971 e 2006, principalmente no interior do Maranhão e Pará, reporta oUOL.[3]

Julião participou também de sequestros, entre eles o de José Genoíno, durante a Guerrilha do Araguaia, em 1972, e chegou a ser preso uma vez, tendo sua esposa subornado o delegado após ele ficar uma noite encarcerado, oferecendo-lhe o veículo com o qual Julião se deslocava para cometer os assassinatos.[1][2]

Vítimas

A militante Maria Lúcia Petit foi uma das vítimas

Entre suas vítimas estão a militante do Partido Comunista do Brasil Maria Lúcia Petit e Nativo da Natividade, presidente do Sindicato Rural de Carmo do Rio Verde, Goiás, durante a Ditadura Militar no Brasil. Nativo foi morto em 1985 com quatro tiros em frente à sede do sindicato. "O país se democratiza, mas a violência segue reinando impune no campo", escreveu o Portal da Democracia então, adicionando "a viúva de Nativo denuncia que ele havia sido executado devido à sua militância no PT e na Central Única dos Trabalhadores (CUT)".[5]

Estima-se que entre suas vítimas estejam também crianças e mulheres, escreveu a Aventuras na História em seu portal.[1]

A morte de Nativo

Nativo

Segundo o Portal da Democracia, a morte de Nativo foi encomendada "pelo então prefeito da cidade, Roberto Pascoal Liégio, com o apoio do presidente do Sindicato Rural (patronal), Geraldo dos Reis de Oliveira, integrante da União Democrática Ruralista (UDR), e do fazendeiro Genésio Pereira".[5]

Perfil das vítimas

Quase todas as vítimas estavam envolvidas em conflitos por posse de terras, mas também havia militantes antigoverno e sindicalistas.

Modus operandi

Ele revelou em entrevistas que "anotava em um caderno o nome da vítima e do mandante, além de especificar o valor pago e onde efetuou o crime".[1]

Segundo seus relatos, ele não matava as vítimas enquanto elas estavam dormindo e não matava mulheres grávidas.[1][2]

Perfil do Criminoso

"Matou a sangue frio", explicou a revista Aventuras na História em seu portal. [1]

A história de seus crimes é contada no livro "O Nome da Morte", do jornalista Klester Cavalcanti, obra que ganhou o Prêmio Jabuti em 2006, foi publicada em 13 países e relançada em 2018 pela Editora Planeta. Nas entrevistas, Julião revelou como planejava os crimes e que tinha um caderno com os detalhes de cada assassinato.[1][2][4]

Em 2017 o livro foi adaptado para um filme brasileiro com o mesmo título, "O Nome da Morte" (lançado internacionalmente como "The Killer"), com o ator Marco Pigossi no papel do pistoleiro.

Referências

  1. a b c d e f g h i j k Gearini, Victória (13 de abril de 2020). «Júlio Santana: o brasileiro que matou 492 pessoas e escapou da polícia». Aventuras na História. Consultado em 3 de maio de 2025 
  2. a b c d e f g h «'O nome da morte' mostra sentimentos de homem que matou quase 500 pessoas e ficou preso por 1 noite». G1. 1 de agosto de 2018. Consultado em 3 de maio de 2025 
  3. a b c «Mortes em série em Alagoas: quem são os maiores 'serial killers' do país?». UOL. 20 de novembro de 2024. Consultado em 3 de maio de 2025 
  4. a b «O nome da morte: A história real de Júlio Santana, o homem que já matou 492 pessoas - 2º Edição | Amazon.com.br». www.amazon.com.br. Consultado em 3 de maio de 2025. Cópia arquivada em 1 de fevereiro de 2022 
  5. a b «Memorial da Democracia - Morre Nativo da Natividade em Goiás». Memorial da Democracia. Consultado em 3 de maio de 2025 

Bibliografia