Julien Thoulet

Julien Thoulet
NascimentoMarie-Julien-Olivier Thoulet
1843
Argel
Morte1936 (92–93 anos)
6.º arrondissement de Paris
SepultamentoCimetière de Clamart
CidadaniaFrança
Alma mater
  • Faculdade de Ciências de Paris
Ocupaçãomineralogista, cientista, professor universitário
Distinções
  • Grã-Cruz da Ordem Civil de Afonso XII (1919)
Empregador(a)Léonce Élie de Beaumont, Faculty of Sciences of Montpellier, Faculté des sciences de Nancy
Carta batimétrica dos Açores (elaborada por Julien Thoulet)

Julien Marie Olivier Thoulet (Argel, 6 de fevereiro de 1843Paris, 2 de janeiro de 1936) foi um oceanógrafo, naturalista e hidrógrafo francês.[1][2]

Biografia

Julien Thoulet foi um dos três filhos de Gilles Thoulet (1813 — 1870), um comerciante e tapeceiro-marceneiro, e de Marie Pauline Nisard (1818-1895).[1] Estudou no liceu de Argel e depois fez o bacharelato no Colégio Sainte-Barbe, em Paris. Em seguida, preparou-se durante dois anos para o exame de admissão à École polytechnique, mas não foi aprovado.[1]

Em 1864, empregou-se como topógrafo e, em 1866, trabalhou para Léonce Élie de Beaumont, realizando os cálculos para a ampliação em grande escala de uma parte do mapa-múndi da autoria daquele geólogo. Publicou os resultados no Bulletin de la Société de géographie de Paris em 1868, comunicando-os no ano seguinte à Académie des sciences.[1][3]

Nos anos seguintes, viajou pela Itália, Espanha e Estados Unidos, onde, durante três anos, como engenheiro assistente, contribuiu para os estudos topográficos preparatórios para o traçado da linha da Northern Pacific Railroad. Passou sete meses nos territórios vizinhos à nascente do rio Mississippi, habitados pelos índios Ojibwés, e publicou em 1874, no Bulletin de la Société de géographie de Paris, o relato das suas aventuras.[1][4]

De volta à França em 1871, frequentou as aulas de Élie de Beaumont para se formar em Ciências Físicas pela Faculdade de Ciências de Paris. Assistente no laboratório ligado à cátedra de história natural dos compostos inorgânicos (mineralogia), participou ativamente dos trabalhos da Sociedade de Geografia de Paris e foi seu secretário adjunto de 1878 a 1880. Publicou no Bulletin de la Société de géographie numerosos estudos sobre projeções cartográficas.[1]

Em 1879, casou em Clamart com Gabrielle Foyatier (1854-1933), filha de Denis Foyatier, escultor neoclássico. O casal teve cinco filhos.[1]

Charles Sainte-Claire Deville aconselhou Julien Thoulet a preparar uma tese sobre mineralogia. Ferdinand Fouqué, que o sucedeu, propôs, em 1877, ao conselho de administração do Collège de France a contratação de Thoulet como preparador do seu curso. Fouqué apoiou-o quando se candidatou à cátedra de Física e Meteorologia que acabara de ser criada na Escola Preparatória para o Ensino das Ciências de Argel.

Thoulet apresentou a sua tese em maio de 1880, com o título Contribution à l’étude des propriétés physiques et chimiques des minéraux microscopiques (Contribuição para o estudo das propriedades físicas e químicas dos minerais microscópicos), mas, após a sua defesa, desistiu da sua candidatura em Argel para se candidatar a um cargo de professor universitário. Nomeado para a Faculdade de Ciências de Montpellier, foi ali encarregado de lecionar geologia e mineralogia em outubro de 1880. Procurou logo criar uma cátedra de mineralogia distinta da cátedra de geologia. A sua iniciativa foi apoiada por Charles Friedel, mas, após a morte de Joseph Delbos, Julien Thoulet decidiu candidatar-se à sua sucessão como professor na Universidade de Nancy. Foi nomeado, em outubro de 1882, professor de geologia e mineralogia e, dois anos depois, em fevereiro de 1884, tornou-se professor de geologia e mineralogia da Faculdade de Ciências de Nancy, onde permaneceu até se aposentar.[1]

Em 1886, para continuar as suas pesquisas em oceanografia, pediu uma licença de seis meses e embarcou no La Clorinde com destino à Terra Nova. O seu trabalho permitiu-lhe tornar-se um especialista em oceanografia, que ainda não era uma ciência oficialmente reconhecida pela universidade. A pedido de Ernest Mouchez, a partir de 1888, começou a lecionar oceanografia no Observatório de Montsouris para oficiais da Escola de Estudos Superiores da Marinha e engenheiros da Administração dos Telégrafos destacados em Montsouris. Em 1891, o conselho geral das faculdades de Paris autorizou-o a ensinar oceanografia na Faculdade de Letras de Paris.[1]

Paralelamente, conduz estudos de oceanografia na Noruega, na Escócia e na Suíça. Em 1895, participou também na campanha de dragagem do Caudan, no Golfo da Gasconha, com René Koehler, e, com Camille Vallaux, em várias viagens no iate Princesse Alice II do príncipe Alberto I de Mónaco.[1] Em 1901, foi o primeiro vencedor do prémio de oceanografia concedido pela Sociedade de Geografia de Paris.[1]

A bordo do cruzador D'Entrecasteaux, analisou em 1906 as amostras recolhidas no fundo do oceano entre Madagáscar, Reunião e a Ilha Maurícia durante as operações de sondagem.[5]

Publicações

  • 1880 : Contributions à l’étude des propriétés physiques et chimiques des minéraux microscopiques, thèse de doctorat, Gauthier-Villars
  • 1890 : Océanographie (statique), Paris, L. Baudin et Ce.
  • 1891 : Un voyage à Terre-Neuve, Paris, Berger-Levrault & Cie.
  • 1897 : Les Océanographes de France. Georges Aimé, Nancy, Académie de Stanislas.
  • 1901 : Détermination de la densité de l’eau de mer, Anvers.
  • 1901 : Étude de fonds marins provenant du voisinage des Açores et de la portion orientale de l’Atlantique nord, Monaco.
  • 1903 : Carte bathymétrique des îles Açores d’après les cartes française et anglaises... ; corrigée d’après les sondages exécutés en 1902 par la « Princesse Alice » et les travaux les plus récents, A. Tollemer.
  • 1903 : La Notion de la mer chez les peuples anciens, Chaldéens, Égyptiens et Hébreux, Nancy, Académie de Stanislas.
  • 1904 : L’océan, ses lois, ses problèmes, Paris
  • 1908 : Instruments et opérations d’océanographie pratique, Librairie militaire R. Chapelot et cie.
  • 1914 : Les Cartes bathylithologiques de l’Algérie et de la Tunisie, Orléans, Imprimerie A. Gout.
  • 1922 : L’océanographie, Paris, Gauthier-Villars.

Referências

  1. a b c d e f g h i j k Françoise Birck. «Julien Thoulet (1843-1936)». Université de Nancy .
  2. Obituário de Julien Thoulet.
  3. Julien Thoulet, «Note sur les projections gnomiques», in Bulletin de la Société de géographie, 5.eme série, tome XV, pp. 78-86. Paris, 1868.
  4. Julien Thoulet, «L'oeuvre du "Geological Survey of the territories", aux États-Unis», in Bulletin de la Société de géographie, 6.eme série, tome VII, pp. 493-503. Paris, 1874.
  5. Jules Rouch, Époque contemporaine, tome IV de Histoire Universelle des Explorations publiée sous la direction de L.-H. Parias, Paris, Nouvelle Librairie de France, 1957, p. 49.

Bibliografia

  • Jean-Claude Bonnefont, « Julien Thoulet, fondateur à Nancy de l’océanographie française (1843-1936) », Mémoire de l’Académie de Stanislas, 2002.
  • Jacqueline Carpine-Lancre, « Origins of a lasting bathymetric Endeavour », International Hydrographic Review n.º 4, 2003, pp. 6-16.
  • Jacqueline Carpine-Lancre, « Une entreprise majeure de la cartographie océanique : la carte générale bathymétrique des océans », Comité de cartographie française n.° 184, 2005, pp. 6-16.
  • Emmanuel De Margerie, « La Carte bathymétrique des océans et l'œuvre de la Commission internationale de Wiesbaden », Annales de géographie n.º 14, 190 5, pp. 385-398.
  • Camille Vallaux, « Nécrologie de Julien Olivier Thoulet », Annales de géographie n.º 45, 1936, pp. 217-218.

Ligações externas