Judenfrei
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Judenfrei ("livre de judeus") e judenrein ("limpo de judeus") são termos de origem Nazi para designar uma área que foi "limpa" de judeus durante o Holocausto.[1] Enquanto judenfrei se refere meramente à "libertação" de uma área de todos os seus habitantes judeus, o termo judenrein (literalmente "limpo de judeus") tem uma conotação ainda mais forte que qualquer traço de sangue judeu foi removido como uma alegada impureza nas mentes dos autores criminosos.[2] Estes termos de discriminação e abuso racial são intrínsecos ao antissemitismo Nazi e foram usados pelos Nazis na Alemanha antes da Segunda Guerra Mundial e nos países ocupados como na Polónia em 1939. Judenfrei descreve a população judaica local como tendo sido removida de uma aldeia, região, ou país por evacuação forçada durante o Holocausto, embora muito judeus tenham sido escondidos pela população local. Métodos de remoção incluíam realojamento forçado em guetos Nazi especialmente na Europa do Leste, e remoção forçada ou reassentamento no Este por tropas alemãs, frequentemente para a sua morte. A maioria dos judeus eram identificados no final de 1941 pela estrela amarela como resultado da pressão por Joseph Goebbels e Heinrich Himmler.
Depois da derrota da Alemanha em 1945, algumas tentativas foram feitas para atrair a população judaica de volta à Alemanha, como também reconstruir sinagogas destruídas durante e depois da Noite dos Cristais.
Locais declarados judenfrei
Estabelecimentos, aldeias, cidades, e regiões eram declaradas judenfrei ou judenrein depois de estarem aparentemente limpas de judeus. No entanto, alguns judeus sobreviveram ao serem escondidos e abrigados por vizinhos. Em Berlim, eram conhecidos como "submarinhos" pois pareciam ter desaparecido (sob as ondas). Muitos sobreviveram ao fim da guerra, assim tornando-se sobreviventes do Holocausto.
- Gelnhausen, Alemanha e Calw, Alemanha – relatadas judenfrei a 1 de novembro de 1938, pelo jornal de propaganda Kinzigwacht depois das suas sinagogas serem fechadas e os restantes judeus locais serem forçados a sair.[3]
- Bydgoszcz ocupada pela Alemanha, Polónia – relatada judenfrei em dezembro de 1939[carece de fontes]
- Alsácia anexada pela Alemanha – relatada judenrein por Robert Heinrich Wagner em julho de 1940.[4]
- Banato, território da Sérvia ocupado pela Alemanha – relatado judenfrei a 19 de agosto de 1941 no Völkischer Beobachter.[5] A 20 de agosto de 1941, Banato foi declarado judenfrei pelos seus administradores alemães.[6]
- Luxemburgo ocupado pela Alemanha – relatado judenfrei pela imprensa a 17 de outubro de 1941.[7]
- Estónia ocupada pela Alemanha – Dezembro de 1941.[8] Declarada judenfrei na Conferência de Wannsee a 20 de janeiro de 1942.[9]
- Estado Independente da Croácia – declarado judenfrei pelo Ministro do Interior Andrija Artuković em fevereiro de 1942 mas a Alemanha suspeitava que isto não era verdade e as autoridades de Berlim enviaram Franz Abromeit para averiguar a situação. Depois disso, a Ustaše estava sob pressão para acabar o trabalho. Em abril de 1942, duas centenas de judeus de Osijek foram deportados para Jasenovac, enquanto 2,800 foram enviados para Auschwitz.[10] A Gestapo organizou a deportação para Auschwitz dos últimos judeus croatas em maio de 1943, 1,700 de Zagreb e 2,500 de outras partes do Estado Independente da Croácia.[11][12]:107 O diplomata alemão Siegfried Kasche pronunciou a Croácia como judenfrei numa mensagem para Berlim a 18 de abril de 1944, afirmando que "a Croácia é um dos países no qual o problema judeu foi resolvido".[13][14]
- Território da Sérvia ocupado pela Alemanha/ Belgrado – maio de 1942, relatado no telegrama do SS-Standartenführer Emanuel Schäfer enviado ao RSHA em Berlim; Schäfer era o chefe Der Befehlshaber der SIPO und des SD na altura em Belgrado,[15][16][17][18] enquanto que em junho de 1942 ele relatou aos seus supervisores que "Serbien ist Judenfrei" (lit. "A Sérvia está livre de judeus").[12]:3 Em agosto de 1942, Harald Turner relatou ao comandante alemão nos Bálcãs que a Sérvia era o primeiro território europeia onde o "problema judeu" estav resolvido.[19][20]:118
- Viena – relatada judenfrei por Alois Brunner a 9 de outubro de 1942.
- Berlim, Alemanha – 19 de maio de 1943.[21]
- Erlangen, Alemanha – declarada judenfrei em 1944.
Referências
- ↑ «Judenrein | Encyclopedia.com». www.encyclopedia.com. Consultado em 14 de agosto de 2025
- ↑ «Lebensraum, Aryanization, Germanization and Judenrein, Judenfrei: concepts in the holocaust or shoah». www.shoaheducation.judahsglory.com. Consultado em 14 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 6 de março de 2017
- ↑ «'Gelnhausen endlich judenfrei': Zur Geschichte der Juden während der Nationalsozialistischen Verfolgung» (PDF). www.gelnhausen.de. Consultado em 14 de agosto de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 28 de setembro de 2007
- ↑ «Bas-rhin | Encyclopedia.com». www.encyclopedia.com. Consultado em 14 de agosto de 2025
- ↑ Drndić, Daša (2009). April u Berlinu (em croata). [S.l.]: Fraktura. p. 24. Consultado em 14 de agosto de 2025
- ↑ Muth, Thorsten (2009). Das Judentum: Geschichte und Kultur (em alemão). [S.l.]: Pressel. p. 452. Consultado em 14 de agosto de 2025
- ↑ «Commémoration de la Shoah au Luxembourg». www.gouvernement.lu (em francês). Consultado em 14 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 30 de setembro de 2007
- ↑ «Report by Einsatzgruppe A on Liquidation Activities Carried out in the Baltic States, 1942». www.ess.uwe.ac.uk. Consultado em 14 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 12 de novembro de 2007
- ↑ «Museum of Tolerance Multimedia Learning Center». motlc.learningcenter.wiesenthal.org. Consultado em 14 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 28 de setembro de 2007
- ↑ Subotić, Jelena (15 de dezembro de 2019). Yellow Star, Red Star: Holocaust Remembrance after Communism (em inglês). [S.l.]: Cornell University Press. p. 106. Consultado em 14 de agosto de 2025
- ↑ Bulajić, Milan (2002). Jasenovac: The Jewish Serbian Holocaust (the Role of the Vatican) in Nazi-Ustasha Croatia (1941-1945) (em inglês). [S.l.]: Fund for Genocide Research. p. 222. Consultado em 14 de agosto de 2025
- ↑ a b Subotić, Jelena (15 de dezembro de 2019). Yellow Star, Red Star: Holocaust Remembrance after Communism (em inglês). [S.l.]: Cornell University Press. Consultado em 14 de agosto de 2025
- ↑ «Jewish History of Yugoslavia». www.porges.net. Consultado em 14 de agosto de 2025
- ↑ «Povijest Židova Jugoslavije». www.porges.net. Consultado em 14 de agosto de 2025
- ↑ Lituchy, Barry M., ed. (2006). Jasenovac and the Holocaust in Yugoslavia: analyses and survivor testimonies 1st ed ed. New York: Jasenovac Research Institute
- ↑ Manoschek, Walter (2009). "Serbien ist judenfrei: Militärische Besatzungspolitik und Judenvernichtung in Serbien 1941/42. Col: Beiträge zur Militärgeschichte 2. Aufl ed. München: Oldenbourg. p. 184
- ↑ Lebl, Ženi (2007). Until 'the final solution': the Jews in Belgrade 1521-1942. Bergenfield (N. J.): Avotaynu. p. 329
- ↑ Herbert, Ulrich; Schildt, Axel, eds. (1998). Kriegsende in Europa: vom Beginn des deutschen Machtzerfalls bis zur Stabilisierung der Nachkriegsordnung 1944 - 1948 1. Aufl ed. Essen: Klartext-Verl. p. 149
- ↑ Cox, John K. (2002). The history of Serbia. Col: The Greenwood histories of the modern nations. Westport, CT: Greenwood Press. pp. 92–93
- ↑ Prusin, Alexander (6 de junho de 2017). Serbia under the Swastika: A World War II Occupation (em inglês). [S.l.]: University of Illinois Press. Consultado em 14 de agosto de 2025
- ↑ «19.05.1943 - Reichskanzler Adolf Hitler Berlin Präsidentin Frauenorganisation Lotta Svärd - chroniknet - Schlagzeilen, Ereignisse, Fotos mit Geschichte, Community». www.chroniknet.de (em alemão). Consultado em 14 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 5 de março de 2012
