Juan Rodríguez de Fonseca

Juan Rodríguez de Fonseca
Nascimento1451
Toro
Morte4 de abril de 1524
Burgos
CidadaniaEspanha
Alma mater
Ocupaçãopadre, político
ReligiãoIgreja Católica

Juan Rodríguez de Fonseca (Toro, Zamora, 1451Burgos, 1524), eclesiástico e político espanhol, colaborador dos Reis Católicos e primeiro organizador da política colonial castelhana nas Índias.

A sua vida

Nascido em Toro (Zamora), pertencia a uma das famílias mais ilustres da Coroa de Castela, embora a sua linhagem procedesse de Portugal. Sobre a sua formação humanista e científica, que mais tarde demonstrou ao exercer os seus cargos, pouco é sabido, mas parece que estudou em Salamanca e teve contatos com o gramático Elio Antonio de Nebrija. Declarou-se, com a sua família, partidário da princesa Isabel (a futura rainha Isabel I) frente aos seguidores de Joana de Trastâmara. Após 1480, Rodríguez de Fonseca foi encomendado pela rainha Isabel I a um dos homens mais influentes e preparados da corte: o seu confessor Frei Hernando de Talavera, do que recebeu formação eclesiástica e política.

A partir de 1492, a sua carreira eclesiástica foi bem sucedida: capelão real; arcediago; cônego e deão da catedral de Sevilha; bispo de Badajoz (1494); de Córdova (1499) e de Palência (1505); arcebispo de Rossano (1511), no Reino de Nápoles; e bispo de Burgos (1514). Estes cargos refletem os seus grandes dotes pessoais e a confiança que depositaram nele os monarcas. Temporalmente, exerceu a diplomacia efetuando missões delicadas, como tratar os casamentos dos filhos dos Reis Católicos, Dom João e Dona Joana (que seria rainha como Joana I), com os herdeiros da Casa de Áustria ou Habsburgo, Margarita e Felipe (o futuro monarca Filipe I de Castela), bem como acompanhar a infanta Catarina de Aragão na sua viagem à Inglaterra (em 1501, com o objeto de celebrar o casamento desta com Artur, o herdeiro inglês, falecido ao ano seguinte).

Humanista e mecenas, foi generoso com as suas igrejas catedrais. Enquanto foi bispo de Palência, construiu o suntuoso coro-alto da catedral, no que foi situado um tríptico encarregado em Flandres e no que se encontra o retrato do próprio Fonseca. Também foi construída a escada para a cripta de Santo Antolim. Quando ocupou a sede episcopal burgalesa, levantou na catedral de Burgos a joia plateresca da porta da Pellejería e a luxuosa e famosa escada Dorada.

Etapa nas Índias

A partir da primavera de 1493, em que se conheceu e celebrou o descobrimento da América, começou para ele a etapa da sua vida pela qual é mais conhecido: a relacionada às Índias, com o Novo Mundo. Com fama de eficaz e laborioso, Fonseca foi encarregado de organizar a segunda viagem colombina, que preparou em quatro meses. A 25 de setembro de 1493, o almirante Cristóvão Colombo zarpava de Cádis à frente de uma armada de 17 navios e cerca de 1200 tripulantes. Ao mesmo tempo, entre Colombo e Fonseca, dois personagens muito diferentes e com ideias contrapostas sobre o Novo Mundo, começavam as primeiras diferenças que cresceram com o passar do tempo. Na raiz desta rivalidade estava a forma de organizar as novas terras: enquanto para Colombo tudo tinha de passar pelas suas mãos, numa espécie de monopólio compartilhado entre ele e a monarquia, Fonseca defendia o protagonismo único e direto dos reis espanhóis e da própria Espanha.

Entre 1496 e 1497, a rivalidade entre estas duas personagens tornou-se confronto aberto. Colombo esteve prestes a conseguir que os Reis Católicos destituíssem Fonseca à frente das armadas de Índias. Não o conseguiu, porque o seu substituto, Antônio de Torres, exigiu demais, mas desencadeou abertamente a hostilidade. Uma amostra desta situação foi a retesa e longa preparação da terceira viagem colombina (mais de um ano). Após 1500, com a queda do vice-rei e o seu insucesso colonizador, Fonseca e os seus homens de confiança, apoiados pelos reis, especialmente por Fernando II, influíram decisivamente em fatos como a liberdade de navegar sob exclusivo controle monárquico e sem intervenção colombina (1499), a criação da Casa de Contratação (1503), as juntas de navegantes de Toro (1505) e de Burgos (1508), a criação de governações à margem dos Colombo (Darién e Castela do Ouro), ou o debilitamento dos privilégios colombinos. Presidiu a Secretaria de Índias e, em 1523, o organismo que se tornaria ao ano seguinte no Conselho de Índias. Morreu em Burgos em 1524.

Bibliografia

  • SAGARRA GAMAZO, Adelaida. Juan Rodríguez de Fonseca, um toresano em dos mundos. 2007

Referências