Juan García Manrique

Juan García Manrique
Arcebispo da Igreja Católica
Arcebispo de Santiago de Compostela
Administrador de Coimbra
Administrador de Tui
Atividade eclesiástica
Diocese Arquidiocese de Santiago de Compostela
Nomeação 11 de agosto de 1382
Mandato 1382-?
Ordenação e nomeação
Nomeação episcopal 5 de janeiro de 1371
Nomeado arcebispo 11 de agosto de 1382
Dados pessoais
Nascimento Primeira metade do século XIV
Morte 1416
Funções exercidas - Bispo de Ourense (1371-1375)
- Bispo de Sigüenza (1375-1381)
- Bispo de Burgos (1381-1382)
dados em catholic-hierarchy.org
Arcebispos
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Juan García Manrique (? – 1416) foi um clérigo e estadista castelhano.

Biografia

Pertencente à poderosa linhagem Manrique.[1] Segundo filho de García II Fernández Manrique de Lara, quinto senhor de Amusco e prefeito de Castela, e de Urraca de Leyva.[2]

Foi cônego e arquidiácono de Talavera, arquidiácono de Calatrava.[1] Bispo de Orense,[3] nomeado em 5 de janeiro de 1371,[4] sob a proteção de seu tio paterno, o arcebispo de Toledo Gómez Manrique. Após a morte do arcebispo, uma parte do concílio de Toledo o elegeu para ocupar a arquidiocese de Toledo, enquanto a outra optou por Pedro Cabeza de Vaca, mas o Papa Gregório XI resolveu a disputa nomeando Pedro Tenorio.[5]

Juan García Manrique ocupou então o bispado de Siguença, em 5 de outubro de 1375,[4] sendo ao mesmo tempo, chanceler-maior dos reis Henrique II e João I.[6] Com o primeiro, foi notário-mor do reino de Leão e juiz da Corte Real, além de seu testamentário, função para a qual também foi nomeado por João I.[1] Enviado para a diocese de Burgos,[7]​ em 20 de agosto de 1381,[4] e desta foi promovido em 11 de agosto do ano seguinte[4] ao arcebispado de Santiago de Compostela,[8]​ onde se destacou como líder nos confrontos armados durante a crise de 1383-1385.[9]

Seu estatuto de testamentário colocou-o no centro da luta política, aquando da morte deste último monarca, com a minoria de idade de Henrique III. Neste contexto tornou-se uma das figuras politicamente mais influentes, atuando como presidente do Conselho de Regência após as Cortes de Madrid, no início de 1391, o que o colocou em conflito especialmente acirrado com o arcebispo de Toledo, Pedro Tenorio, que nunca aceitou a plena legitimidade daquele Conselho de Regência, pelo que boa parte da regência girou em torno desta rivalidade que remontava à promoção à mitra de Toledo de Tenorio, em detrimento da pretensão de Manrique pelo mesmo.[1]

Após as novas Cortes realizadas em Madrid em 1393 e a proclamação da maioria de Henrique III, a influência política de Pedro Tenorio foi aumentando rapidamente, em detrimento do seu inimigo pessoal Juan García Manrique. Neste contexto tão negativo para os seus interesses, refugiou-se na Galiza, cujo controlo total procurou converter no seu principal trunfo contra a posição cada vez mais sólida de Tenorio.[1]

Foi nomeado Administrador de Tui em 28 de janeiro de 1394.[4]

No final do século XIV, em desacordo com o arcebispo de Toledo Pedro Tenorio e insatisfeito porque o rei castelhano Henrique III havia reconhecido o Papado de Avinhão, García se exilou em Portugal, onde com a mediação do rei português D. João I foi nomeado arcebispo de Braga[10] e bispo de Coimbra.[11] Segundo a Catholic Hierarchy, foi apenas Administrador de Coimbra, nomeado em 2 de junho de 1402, sem menção a Braga.[4]

Referências

  1. a b c d e «Juan García Manrique | Real Academia de la Historia». dbe.rah.es. Consultado em 8 de dezembro de 2024 
  2. Description genealogica y historical de la ilustre casa de Sousa (em espanhol). [S.l.: s.n.] 1770. p. 102 
  3. Flórez, Enrique (1763). España Sagrada: Theatro Geographico-Historico De La Iglesia De España. Origen, Divisiones, Y Limites De Todas Sus Provincias. Antiguedad, Traslaciones, y estado antiguo, y presente de sus Sillas, con varias Dissertaciones criticas. De La Santa Iglesia De Orense en su estado antiguo y presente (em espanhol). [S.l.]: Marin. pp. 134–135 
  4. a b c d e f «Archbishop Juan García Manrique [Catholic-Hierarchy]». www.catholic-hierarchy.org. Consultado em 8 de dezembro de 2024 
  5. Mariana, Juan de (1780). «XIX». Historia general de España. Col: XVII (em espanhol). [S.l.]: Joachin de Ibarra 
  6. Minguella, Toribio. «Historia de la diócesis de Sigüenza y de sus obispos». II (em espanhol). pp. 75–80. Consultado em 8 de dezembro de 2024 
  7. Flórez, Enrique (1771). España sagrada: tomo XXVI : contiene el estado antiguo de las Iglesias de Auca, de Valpuesta, y de Burgos, justificado con instrumentos legítimos y memorias inéditas. Col: XXVI (em espanhol). [S.l.]: en la Oficina de Pedro Marín. pp. 363–364 
  8. Dávila, Gil González (1645). Teatro eclesiastico de las iglesias metropolitanas y catedrales de los Reynos de las dos Castillas: vidas de sus Arzobispos y Obispos, y cosas memorables de sus sedes ... Col: I (em espanhol). [S.l.]: en la imprenta de Francisco Martinez. pp. 71–74 
  9. Silva, José Soares da (1732). «CCXXI». Memorias para historia de Portugal, que comprehendem o governo del rey d. Joaõ o i. Col: III. [S.l.: s.n.] 
  10. Cunha, Rodrigo da (1634). «LII». Primeira[-segunda] parte da Historia ecclesiastica dos arcebispos de Braga, e dos santos, e varoes illustres, que florecerão neste arcebispado. Col: III. Fisher - University of Toronto. [S.l.]: Em Braga : Por Manoel Cardozo ... 
  11. Portuguesa, Academia Real da História (1724). Colecçam dos documentos estatutos e memorias da Academia Real da Historia Portugueza ... [S.l.]: na Officina de Pascoal da Sylva. pp. 134–139