Jovanna Baby
| Jovanna Baby | |
|---|---|
| Nascimento | 1963 Mucuri |
| Cidadania | Brasil |
Jovanna Cardoso da Silva, conhecida como Jovanna Baby (Mucuri, 1963), é uma ativista brasileira reconhecida por sua atuação em prol dos direitos da população transgênero no Brasil.
Biografia
Jovanna Cardoso da Silva nasceu em Mucuri, Bahia, em 1963, ela deixou sua casa aos 12 anos pela falta de aceitação familiar em relação à sua identidade de gênero, mudando-se para Vitória, Espírito Santo.[1]
Em 1979, após ser detida sob a acusação de "vadiagem", Jovanna fundou a Associação Damas da Noite, uma organização que buscava defender os direitos de travestis e prostitutas em Vitória, visando combater a violência policial e promover a dignidade dessas populações.[2] Segundo ela,[3]
| “ | Eu morava no Rio de Janeiro nos anos 80 e eu fazia programa. Eu era profissional do sexo. Aí, a polícia perturbava muito. A guarda municipal do RioMU perturbava muito. A sociedade perturbava muito… Perturbava, não queria que a gente ficasse na Central do Brasil. Não queria que a gente ficasse na Lapa. Não queria que a gente ficasse em Copacabana. Aí, a polícia perturbava, vivia enchendo aqueles ônibus “coração de mãe” e levando todos os dias para as delegacias. E aí, o que eles faziam? A gente ficava na delegacia de 7 até as 4 da manhã, justamente para eles impedirem a gente de ganhar o nosso sustento. | ” |
— Jovanna Baby | ||
Em 1992, no Rio de Janeiro, Jovanna fundou a Associação de Travestis e Liberados (ASTRAL), considerada a primeira organização exclusivamente transgênero do Brasil e da América Latina. A ASTRAL teve um papel fundamental na articulação nacional do movimento trans, promovendo encontros e debates sobre os direitos e a cidadania de travestis e transexuais.[4] Naquele mesmo ano, publicou a cartilha Diálogo de Bonecas, sendo considerado o primeiro dicionário do dialeto pajubá.[5]
Posteriormente, Jovanna esteve envolvida na criação da Articulação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), uma organização que visa fortalecer a rede de pessoas trans no país e promover políticas públicas inclusivas.[3]
Em 2014, ela fundou o Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros (FONATRANS), com o objetivo de abordar as interseções entre raça e identidade de gênero, promovendo a defesa dos direitos da população trans negra no Brasil.[6]
Atualmente, Jovanna Cardoso reside em Picos, Piauí, onde atua como Coordenadora Municipal de Direitos Humanos, e continua sua militância pelos direitos humanos e pela inclusão da população trans, sendo uma referência no movimento LGBTQIA+ brasileiro.[3]
Reconhecimento
- 2025 - Foi destacada como uma das figuras proeminentes do movimento LGBTQIA+ durante a 2ª Marcha Trans em Brasília
- 2020 - Assembleia Legislativa de São Paulo instituiu o "Prêmio Jovanna Baby" em sua homenagem, reconhecendo sua contribuição para a comunidade trans e travesti[7]
Referências
- ↑ «Ativista trans: 'Eles combinam de nos matar. A gente combina de não morrer'». UOL. 29 de julho de 2024. Consultado em 28 de janeiro de 2025
- ↑ FODA (25 de janeiro de 2024). «Jovanna Baby: a história do Movimento Trans e Travesti no Brasil». Mídia NINJA. Consultado em 28 de janeiro de 2025
- ↑ a b c Carvalho, Mario; Carrara, Sergio. Em direção a um futuro trans? Contribuição para a história do movimento de travestis e transexuais no Brasil. Sexualidad, Salud y Sociedad - Revista Latinoamericana, núm. 14, agosto-, 2013, pp. 319-351 Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos Río de Janeiro, Brasil.
- ↑ «História». Associação Nacional de Travestis e Transexuais. 16 de janeiro de 2018. Consultado em 28 de janeiro de 2025
- ↑ Cardoso da Silva, Jovanna (15 de maio de 1992). «Cartilha Diálogo de Bonecas». issuu.com. ASTRAL – Associação de Travestis e Liberados. Consultado em 26 de novembro de 2022. Arquivado do original em 25 de fevereiro de 2023
- ↑ «Ativista trans: 'Eles combinam de nos matar. A gente combina de não morrer'». UOL. 29 de julho de 2024. Consultado em 28 de janeiro de 2025
- ↑ «Projeto de Resolução n° 18, de 2024». www.al.sp.gov.br. Consultado em 28 de janeiro de 2025