Joseph von Mering
| Joseph von Mering | |
|---|---|
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| Nascimento | 28 de fevereiro de 1849 Colônia |
| Morte | 5 de janeiro de 1908 (58 anos) Halle |
| Cidadania | Reino da Prússia |
| Alma mater | |
| Ocupação | médico, farmacologista, professor universitário |
| Empregador(a) | Universidade de Halle-Vitemberga |
Josef von Mering (ou, em inglês: Joseph von Mering; Colônia, 28 de fevereiro de 1849 – Halle an der Saale, 5 de janeiro de 1908) foi um médico prussiano.[1]
Trabalhando na Universidade de Estrasburgo, Mering foi o primeiro a descobrir (em conjunção com Oskar Minkowski) que uma das funções do pâncreas é a produção de insulina, um hormônio que controla os níveis de açúcar no sangue.
Vida
Josef von Mering nasceu em 28 de fevereiro de 1849, em Colônia, cidade que então era parte da Prússia e atualmente faz parte da Alemanha. A partir de 1700, o prefixo "von" passou a ser usado, indicando que os Merings haviam sido condecorados com títulos de nobreza.[2]
Seu pai, Friedrich Everhard von Mering [de], nascido em 1799, foi um historiador responsável pela publicação de diversos estudos, o mais relevante deles o da história local da região ao redor de Colônia, pelo qual recebeu o título de doctor honoris causa da Universidade de Munique Sua mãe, Ursula Schmitz, cuidava da casa de Everhard, até que este decidiu pedi-la em casamento aos 44 anos de idade. Antes de Josef, o casal teve mais duas filhas.[2]
A morte do pai em 1861 deixou a família em dificuldades financeiras. Graças ao apoio de seu padrinho, Joseph von Bianco [de], von Mering pôde receber excelente educação, frequentando o ginásio em Colônia e estudando medicina em Bona, Greifswald e Estrasburgo. Participou da Guerra Franco-Prussiana como voluntário, entre 1870 e 1871.[2]
Sua tese como médico foi aceita em Estrasburgo em 1874. O professor Hoppe-Seyler, um dos fundadores da bioquímica, tinha iniciado sua tese sobre a bioquímica da cartilagem. Von Mering foi empregado como médico do departamento de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Estrasburgo.[2]
Durante toda sua carreira acadêmica, von Mering não se concentrou em apenas um campo específico da medicina: começou pela psiquiatria e depois se interessou pela hipnose, continuando este trabalho muito tempo mais tarde, quando foi co-responsável, em 1912, pela descoberta do Veronal.[2]
Von Mering mudou-se para Berlim em 1875, para trabalhar no departamento do renomado especialista em doenças hepáticas e diabetes, Friedrich Theodor von Frerichs [en], onde estudou o metabolismo do fígado. Nos verões de 1877 e 1878, trabalhou em um balneário em Bad Salzschlirf para ganhar dinheiro atendendo pacientes particulares. No inverno, visitava laboratórios universitários em Leipzig, Estrasburgo e Bona. Em 1878, recebeu uma oferta de trabalho no instituto de Hoppe-Seyler, em Estrasburgo, onde também passou a atender o serviço médico da prisão — função que o levou a iniciar pesquisas sobre tifo.[2] Em 1879, concluiu sua habilitação com um estudo sobre os efeitos do mercúrio em animais. Em 1886, tornou-se professor catedrático, passando a lecionar medicina legal até 1891. Paralelamente, recebeu a tarefa de organizar uma clínica de otorrinolaringologia.[2]
Josef von Mering faleceu em 5 de janeiro de 1908, de pneumonia, aos 58 anos de idade.[2]
Principais contribuições científicas
A descoberta do "diabetes por florizina"
Em Estrasburgo, von Mering começou a estudar a florizina [en], inicialmente interessado em seus possíveis efeitos antipiréticos. Ao administrá-la a cães, observou por acaso que a substância provocava glicosúria, descoberta que apresentou em um congresso médico. Especialista em diabetes, Josef relacionou o fenômeno ao metabolismo da glicose e, posteriormente, observou também redução da glicemia nos animais, sugerindo que a florizina alterava algo nos rins.[2]
Em 1887, relatou que pacientes diabéticos tratados com doses entre 15 e 20 g de florizina apresentavam glicosúria significativa, mas com queda da glicemia, diferentemente do diabetes comum. Mais tarde, Oskar Minkowski demonstrou experimentalmente que o efeito da florizina dependia dos rins. Von Mering também foi o primeiro a registrar que a inibição do transporte renal de glicose induzia cetose, ao detectar acetona e ácido hidroxibutírico na urina dos animais tratados.[2]
Barbitúricos
Além de suas pesquisas sobre o pâncreas, Josef von Mering contribuiu para a descoberta dos barbitúricos, uma classe de drogas sedativas usadas para insônia, epilepsia, ansiedade e anestesia. Em 1903, publicou observações de que o barbital (então conhecido como ácido dietil-barbitúrico) possuiu propriedades sedativas sobre humanos. Participou em 1904 do lançamento do barbital com a denominação veronal.
Além de Oskar Minkowski, Von Mering trabalhou com o químico Hermann Emil Fischer, que também esteve envolvido na descoberta do barbital.
Referências
- ↑ The History of Barbiturates (López-Muñoz et al., 2005)
- ↑ a b c d e f g h i j Jörgens, Viktor (2020). Jörgens, Viktor; Porta, Massimo, eds. «Josef von Mering: The Baron Who Discovered SGLT Inhibition». S. Karger AG (em inglês): 134–141. ISBN 978-3-318-06733-0. doi:10.1159/000506566. Consultado em 16 de janeiro de 2026
