Joseph Seligman
Joseph Seligman
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| Dados pessoais | |
| Nascimento | 22 de novembro de 1819 Baiersdorf, Baviera, Confederação Germânica |
| Morte | 25 de abril de 1880 (60 anos) Nova Orleans, Luisiana, Estados Unidos |
| Alma mater | Universidade de Erlangen-Nuremberg |
| Cônjuge | Babet Steinhardt |
| Filhos | 9, incluindo Edwin R. A. Seligman [en] e Isaac Newton Seligman [en] |
| Partido | Republicano |
Joseph Seligman (Baiersdorf, 22 de novembro de 1819 – Nova Orleães, 25 de abril de 1880) foi um banqueiro e empresário estadunidense, fundador da J. & W. Seligman & Co. [en] Foi o patriarca da família Seligman nos Estados Unidos, relacionada à abastada família Guggenheim [en] por meio de Florette, mãe de Peggy Guggenheim.[1]
Primeiros anos e educação
Seligman tem origem judaica[2] e nasceu em Baiersdorf, no Reino da Baviera. Ainda criança, trabalhava na loja de sua mãe. No início do século XIX, a Alemanha era composta por diversos estados independentes, a maioria dos quais emitia suas próprias moedas distintas; o jovem Joseph lucrava na loja da mãe trocando dinheiro para viajantes por uma pequena taxa. O pai desejava que ele entrasse no negócio familiar de lã, mas as circunstâncias tornaram isso difícil. Em particular, a migração da classe camponesa (clientes do pai de Seligman) das áreas rurais para as urbanas resultou na perda de oportunidades de emprego e na redução da base econômica em Baiersdorf. Aos catorze anos, frequentou a Universidade de Erlangen-Nuremberga. Aos dezessete, embarcou em um navio a vapor em Bremen e partiu para os Estados Unidos.
Carreira
Ao chegar aos Estados Unidos aos 18 anos, Seligman inicialmente se estabeleceu em Mauch Chunk, no estado da Pensilvânia, onde trabalhou como caixa e escriturário para Asa Packer [en], que mais tarde se tornaria congressista dos Estados Unidos. Seu salário era de 400 dólares por ano.[3] Com as economias do trabalho, começou a vender mercadorias de porta em porta no interior da Pensilvânia, incluindo joias, facas e outros itens menores que poupavam aos fazendeiros isolados o deslocamento até a cidade para suas compras. Após economizar 500 dólares, conseguiu trazer da Alemanha seus irmãos William e James, que se juntaram a ele no comércio ambulante.
Os Seligman enfrentaram alguns abusos antissemitas em suas interações com os americanos, embora não tenham sido desencorajados de continuar vendendo.[3]
Seligman e seus irmãos possuíam e operavam diversas lojas no Alabama, mas sentiram-se desconfortáveis com a instituição da escravidão na região Sul do país, e o resto da família já havia emigrado para Nova Iorque. Assim, os irmãos se mudaram para o norte e fundaram a J. Seligman and Brothers. Jesse Seligman gerenciou a filial em São Francisco, enquanto Joseph administrava a loja em Nova Iorque. Apesar das oscilações econômicas das décadas de 1850 e 1860, a J. Seligman and Brothers manteve-se próspera.[3]
Durante a Guerra Civil Americana, foi presidente da Congregação Emanu-El de Nova Iorque [en], e mais tarde tornou-se o primeiro presidente da Sociedade para a Cultura Ética.[4]
Junto com Jacob Schiff, H. B. Claflin [en], Marcellus Hartley [en] e Robert L. Cutting [en], foi um dos fundadores do Continental Bank and Trust Company [en] em agosto de 1870.[5]
Guerra Civil
Durante a Guerra Civil Americana, Seligman foi responsável por auxiliar a União na colocação de 200 milhões de dólares em títulos, "uma façanha que W. E. Dodd [en] disse ser 'quase tão importante quanto a Batalha de Gettysburg'".[6]
Historiadores posteriores sugeriram que o papel de Seligman no financiamento da guerra por meio de títulos foi exagerado. De acordo om o historiador Stephen Birmingham [en], Seligman foi obrigado a aceitar "títulos 7.30" do governo como pagamento pelos uniformes produzidos em sua fábrica. As derrotas da União, combinadas com uma taxa de juros suspeitamente alta, reduziram a confiança nos títulos, tornando-os difíceis de vender.[7]
Na Era Dourada do pós-Guerra Civil, a J. & W. Seligman & Co. investiu pesadamente no financiamento de ferrovias, atuando em particular como corretora de transações arquitetadas por Jay Gould. A firma garantiu as emissões de ações e títulos de diversas empresas, participando de investimentos em ferrovias, indústrias de aço e arame, na Rússia e no Peru, na formação da Standard Oil Company, além de construção naval, pontes, bicicletas, mineração e outros setores. Em 1876, os Seligman se uniram à família Vanderbilt para criar serviços públicos em Nova Iorque.[8] Em 1877, envolveu-se no incidente antissemita mais publicizado da história americana até então, sendo negada a entrada no Hotel Grand Union [en] em Saratoga Springs, Nova Iorque, pelo juiz Henry Hilton [en].
J. & W. Seligman & Co. e ferrovias
A firma de Seligman realizou diversos investimentos em ferrovias, entre elas a Missouri Pacific Railroad [en], a Atlantic and Pacific Railroad [en] (A&P), a South Pacific Coast Railroad [en] e a Missouri–Kansas–Texas Railroad [en].[9] A empresa também ajudou a financiar a primeira ferrovia elevada de Nova Iorque.
Após a Guerra Civil Americana, nada gerava tanto entusiasmo financeiro quanto o transporte ferroviário, e os Seligman eram, naquela época, os principais financistas do país. Joseph começou de forma conservadora nesse setor, vendendo títulos ferroviários, mas isso os levou a possuir e operar ferrovias para proteger seus investimentos. Joseph atuou como diretor da A&P, da Missouri–Kansas–Texas e da South Pacific, e em 1872 afirmou que haviam enriquecido com o negócio de novas ferrovias. No entanto, nunca se sentiu à vontade nesse ramo e suspeitava de excesso de investimento no setor. Após o Pânico de 1873, jurou nunca mais vender um título ferroviário, mas em 1874 voltou a comercializar títulos da A&P, promovidos como a única rota sem neve para o Pacífico. Em 1875, a A&P faliu, e sua concessão foi assumida pela St. Louis–San Francisco Railway [en], que foi forçada a vender metade de sua participação na A&P para a Atchison, Topeka and Santa Fe Railway (AT&SF). Infelizmente, Joseph faleceu cinco anos antes de ver a AT&SF chegar a Los Angeles.[9]
Os Seligman tendiam a perder dinheiro em seus investimentos acionários em empreendimentos ferroviários. Um exemplo foi a compra de terras no Arizona para pastagem de gado, que seria transportado para o mercado pela A&P. A aridez do deserto tornou o empreendimento inviável, mas permanece uma cidade chamada Seligman.[3]
O presidente Ulysses S. Grant, que fizera amizade com Jesse Seligman quando era primeiro-tenente perto de Watertown, Nova Iorque, ofereceu a Joseph Seligman o cargo de Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, que ele recusou,[3] possivelmente por timidez. George S. Boutwell aceitou o posto e acabou entrando em conflito com os Seligman.
Caso Seligman–Hilton
Em 1877, o juiz Henry Hilton, proprietário do Hotel Grand Union em Saratoga Springs, Nova Iorque, negou entrada a Seligman e sua família por serem judeus, gerando controvérsia nacional. Foi o primeiro incidente antissemita desse tipo nos Estados Unidos a alcançar ampla publicidade.[3]
Contexto
Na década de 1870, vários incidentes tornaram Alexander Turney Stewart [en] hostil a Seligman, embora os dois tivessem atuado juntos no conselho da New York Railways Company [en], presidida pelo juiz Henry Hilton, associado ao Tweed Ring.[10]
O primeiro incidente envolveu a recusa de Seligman ao cargo de secretário do Tesouro.[3] Stewart, amigo do presidente Grant, foi então oferecido para o posto. Porém, por estar associado a Henry Hilton, e Hilton à Tammany Hall, o Senado dos Estados Unidos recusou confirmá-lo.
Seligman foi convidado para servir no Comitê dos Setenta [en], grupo de nova-iorquinos que se uniram para combater o Tweed Ring.[10] Em retaliação, a empresa de Stewart deixou de fazer negócios com Seligman.
Stewart faleceu em 1876, deixando Hilton responsável por sua fortuna, a maior registrada nos Estados Unidos até então. A herança incluía uma participação de dois milhões de dólares no Hotel Grand Union em Saratoga, além da loja de departamentos de A. T. Stewart na Astor Place [en]. Hilton também estava insatisfeito com Seligman, pois este não o convidara para um jantar em homenagem a Grant após sua posse.[11]
Consequências
O jorna The New York Times, em 19 de junho de 1877, publicou manchete em letras maiúsculas:[12]
- UMA SENSAÇÃO EM SARATOGA.
- _____
- NOVAS REGRAS PARA O GRAND UNION.
- NENHUM JUDEU SERÁ ADMITIDO — SR. SELIGMAN,
- O BANQUEIRO, E SUA FAMÍLIA SÃO EXPULSOS —
- CARTA DELE AO SR. HILTON —
- REUNIÃO DOS AMIGOS DO SR. SELIGMAN
- REUNIÃO DE INDIGNAÇÃO SERÁ REALIZADA.
- UMA SENSAÇÃO EM SARATOGA.
Após um mês, o The New York Times divulgou carta em que o juiz Hilton dizia a um amigo: "Como a lei ainda [...] permite que um homem use sua propriedade como quiser, pretendo exercer esse bendito privilégio, apesar das objeções de Moisés e todos os seus descendentes."[13]
O caso tornou-se uma sensação nacional. Seligman e Hilton receberam ameaças de morte. Amigos de Seligman iniciaram boicote à A. T. Stewart's, levando à falência do negócio; a venda para John Wanamaker [en] seguiu-se.[14] Hilton prometeu mil dólares a instituições judaicas, gesto ridicularizado pela revista satírica Puck.
Hilton também foi criticado por Henry Ward Beecher (que conhecia Seligman) em sermão intitulado "Gentio e Judeu". Após elogiar o caráter de Seligman, Beecher disse: "Quando soube da ofensa desnecessária contra o Sr. Seligman, senti que ninguém poderia ter sido escolhido que me fizesse sentir a injustiça de forma mais sensível do que ele."[15]
Seja ou não intencional, a publicidade do caso incentivou outros hoteleiros a excluir judeus, colocando anúncios como "Hebreus não se aplicam" e "Hebreus baterão em vão por admissão".[16]
Família
Os irmãos de Joseph Seligman, por ordem de nascimento, foram: William (nascido Wolf), James (nascido Jacob), Jesse (nascido Isaias), Henry (nascido Hermann), Leopold (nascido Lippmann), Abraham, Isaac, Babette, Rosalie e Sarah.[17]
Casou-se com sua prima Babet (ou Babette) Steinhardt em cerimônia em Baiersdorf, em 1848. Tiveram cinco filhos: David Seligman, George Washington Seligman, Edwin R. A. Seligman [en], Isaac Newton Seligman [en] e Alfred Lincoln Seligman; e quatro filhas: Frances (ou "Fanny", casada com Theodore Hellman), Helen (casada com Emanuel Spiegelberg), Sophia (casada com Moritz Walter) e Isabella (ou Isabelle, casada com Philip N. Lilienthal [en]).[18]
Morte
Seligman faleceu em 25 de abril de 1880, em Nova Orleans. Seu corpo foi levado para Nova Iorque e sepultado no Cemitério Salem Fields [en] em 4 de maio de 1880.[19]
Homenagens póstumas
No dia 27 de setembro de 1880, a cidade de Roller's Ridge (ou Herdsville), no Missouri, foi renomeada Seligman, em homenagem a Joseph Seligman e em reconhecimento aos benefícios que a ferrovia trouxe à comunidade. Em gratidão, Babet Seligman doou um acre de terra e 500 dólares para a construção de uma igreja, que ainda existe perto do centro de Seligman.[20]
Referências
- ↑ Birmingham, Stephen (1967). Our Crowd: The Great Jewish Families of New York. [S.l.]: Syracuse University Press. ISBN 978-0815604112
- ↑ Jewish Encyclopedia c. 1906 Finance
- ↑ a b c d e f g Ashkenazi, Elliott. "Joseph Seligman." In Immigrant Entrepreneurship: German-American Business Biographies, 1720 to the Present, vol. 2, editado por William J. Hausman. German Historical Institute.
- ↑ Ericson, Edward L. The Humanist Way: An Introduction to Ethical Humanist Religion. The Continuum Publishing Company, 1988, p. 34.
- ↑ «Continental Bank to Mark 70th Year; Institution Has 3,500 Depositors and 6,000 Stockholders». The New York Times. New York City, New York, United States. 1 de agosto de 1940. Consultado em 2 de novembro de 2017
- ↑ Korn 2001, p. 161
- ↑ Birmingham 1996, p. 74
- ↑ «The Seligman Legacy». Consultado em 20 de abril de 2010. Arquivado do original em 24 de outubro de 2001, Retrieved April 20, 2010
- ↑ a b Rochlin, Harriet; Rochlin, Fred (2000). Pioneer Jews: A New Life in the Far West. Boston, MA: Mariner Books. pp. 75–76. ISBN 0-618-00196-4
- ↑ a b Birmingham 1996, p. 141
- ↑ Silberman 1985, p. 47
- ↑ «A Sensation at Saratoga» (PDF). The New York Times. 19 de junho de 1877. Consultado em 11 de agosto de 2013. Arquivado do original (PDF) em 3 de dezembro de 2013
- ↑ Birmingham 1996, p. 144
- ↑ Marcus 1993, p. 157
- ↑ Birmingham 1996, p. 146
- ↑ Birmingham 1996, p. 147
- ↑ Hahn, Susan. «LibGuides: Bass History of Business: Seligman Collection». guides.ou.edu (em inglês). Consultado em 27 de novembro de 2025
- ↑ Hall, Henry, ed. (1895). America's Successful Men of Affairs: An Encyclopedia of Contemporaneous Biography. 1. New York: The New York Tribune. p. 587 – via Internet Archive
- ↑ «Funeral Of Mr. Seligman. Simple Ceremonies At His Home And At The Grave». New York Times. 4 de maio de 1880. Consultado em 15 de agosto de 2014
- ↑ Mitchell, Fanschon; Relethford, Zelda; Hilburn, Gwen; Mitchell, Clyde G. (1981). Looking Back Over The First Century of Seligman, Missouri 1881–1981. [S.l.: s.n.] p. 8
Bibliografia
- Birmingham, Stephen (1996). Our Crowd: The Great Jewish Families of New York. [S.l.]: Syracuse University Press. ISBN 978-0-8156-0411-2
- Korn, Bertram (2001), American Jewry and the Civil War, ISBN 978-0-8276-0738-5, Jewish Publications Society
- Marcus, Jacob Rader (1993), United States Jewry, 1776-1985: Volume III - The Germanic Period Part 2, ISBN 978-0-8143-2188-1, Wayne State University Press
- Mayo, Louise A. (1988), The Ambivalent Image: Nineteenth-century America's Perception of the Jew, ISBN 978-0-8386-3318-2, Fairleigh Dickinson University Press
- Silberman, Charles E. (1985), A Certain People: American Jews and Their Lives Today, ISBN 978-0-671-44761-8, Summit Books
- Supple, Barry E. (1957). «A Business Elite: German-Jewish Financiers in Nineteenth-Century New York». Business History Review. 31 (2): 143–178. JSTOR 3111848. doi:10.2307/3111848
Leituras adicionais
- Hellman, George S. "Joseph Seligman, American Jew." Publications of the American Jewish Historical Society 41.1 (1951): 27-40. online
- Livney, Lee, "Let Us Now Praise Self-Made Men: A Reexamination of the Hilton-Seligman Affair." New York History 75.1 (1994): 66-98.
- Tavis, Britt P. " 'Jews Not Admitted': Anti-Semitism, Civil Rights, and Public Accommodation Laws." Journal of American History 107.4 (2021): 847-870.
Ligações externas
- "Jessie Seligman," Famous American Fortunes and the Men who Have Made Them por Laura Carter Holloway (1885)
- Artigo na Jewish Encyclopedia
- The Seligman Family in the Civil War and After
- "Seligman, Jesse," The National Cyclopaedia of American Biography pub. J. T. White Company (1893) Vol.4 p. 226
- The Seligman Legacy
