José Vargas da Silva
| José Vargas da Silva | |
|---|---|
| Cidadania | Brasil |
| Ocupação | político |

José Vargas da Silva foi um político e militar brasileiro do estado de Minas Gerais. Foi Comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais em duas oportunidades distintas, bem como o primeiro Comandante do Departamento de Instrução da Força Pública Mineira, atualmente chamada de Academia de Polícia Militar de Minas Gerais[1].
Joé Vargas da Silva era irmão de Quintino Vargas, militar e político que combateu durante a Revolução de 1930, do lado das forças getulistas, e tio de Jorge Vargas e de José Israel Vargas.
Como Comandante da Brigada-Sul Mineira em 1932, lutou nas trincheiras da Serra da Mantiqueira durante a Revolução Constitucionalista.
Foi deputado estadual em Minas Gerais durante a 2ª legislatura (1951-1955), filiado à UDN[2].
Em sua homenagem, foi criada a Medalha Coronel José Vargas, por meio da Lei Estadual nº 13.406, de 20 de dezembro de 1999. Destina-se a agraciar oficiais da polícia militar de Minas Gerais que completam cinquenta anos de oficialato[1]. Existe uma rua com seu nome em Nova Lima.

Biografia
José Vargas da Silva, "figura eminente pelos altos méritos de seu saber, qualidades morais e intelectuais que fizera dele expoente máximo dentro da Corporação (Força Pública de Minas Gerais).
Em todos os lances de sua vida tão vibrante e emocionantemente vivida, deixou um exemplo edificante de trabalho, honestidade e absoluta coragem diante das adversidades. Comportou-se sempre com desprendimento e coragem, características que se formam nas lidas diárias. Rígida conduta, caráter firme e decidido, aliados ao espírito inovador com ampla visão do progresso e ação dinâmica.
Nascido no interior de Minas, Cordisburgo então município de Curvelo, aqui chegou sem família e sem amigos. Ingressou na Força Pública. Guardou a lei, a ordem a hierarquia e rapidamente, por merecimento, galgou todos os postos.
Cheio de ideais, venceu obstáculos, principalmente com relação aos estudos, pois, na sua ânsia de saber, necessitava de tempo para instruir-se. Entre várias missões que lhe eram confiadas, no interior e também nos outros estados, recebia em 1933 o título de bacharel em Direito pela UFMG.
Conhecedor de línguas e com rica cultura, fazia da leitura seu passatempo preferido, descobrindo as maravilhas do espírito em sua imensa biblioteca.
Em 1930, como Major, participou ativamente do Movimento, que segundo o historiador Anatólio Alves Assis, em artigo publicado no Diário da Tarde (27/10/80), foi o responsável pela permanência do Presidente Olegário Maciel no poder.
Em 1932, participou da Revolução Constitucionalista, como Comandante da Brigada Sul, no Túnel de Passa Quatro. Quando Assistente Militar do Secretario Gustavo Capanema, chegava a Minas a Missão Francesa para instruir o Exército Brasileiro.
O Cel. José Vargas foi designado para a elaboração do plano de criação de uma escola preparatória de instrução na Força Pública Mineira. Em 1934, inaugurava-se o Departamento de Instrução (DI), do qual foi o primeiro comandante, ficando, mais tarde, à disposição da Policia Civil. Foi nomeado Delegado Especial com jurisdição em todo o Estado.
Benedito Valadares, como Governador, colocou-o em disponibilidade por motivos políticos. Ainda estava bem na lembrança o fato de um Major ter abortado os intentos sobre a capitulação de Minas ao tempo do Presidente Olegário Maciel. Cuidou então o Coronel de seus interesses como fazendeiro e político juntamente com seu irmão Quintino Vargas em Paracatu."[3]
José Vargas e a Força Pública Mineira

"Em 1946, José Vargas da Silva foi convocado à ativa pelo interventor Noraldino Lima como Comandante Geral. Exerceu o mesmo cargo no Governo Alcides Lins e, finalmente, no Governo Milton Campos, homem de grande visão que conferiu ao Cel Vargas autoridade para realizar, com sua capacidade criadora, grande obras:
- Fundou o Clube dos Oficiais;
- Foi criado o Colégio Tiradentes, destinado à formação intelectual e moral dos filhos dos elementos da corporação; foi instituído o serviço religioso; criou o serviço de subsistência, facilitando às famílias dos militares conseguir gêneros de baixo custo (extinto);
- Criou a "Escola Caio Martins", destinada às crianças abandonadas, o Gabinete Psicológico;
- Criou a Revista "Libertas", a Escola de Formação Musical, o Curso de Formação de Oficiais em Administração;
- Fez melhoramentos no Hospital Militar e criou o Serviço Odontológico;
Criou o Sanatório "Eugênia Vargas" (desativado) para recuperação de tuberculosos".[4]
Solidariedade com os subordinados
O Cel José Vargas "devotava carinho especial a seus subordinados. De uma crônica do Jornalista Franklin de Sales (27/ 08/50), Folha de Minas, em que criticava o fato de uma moça ter preferido um reles soldado, o Cel. Vargas deu-lhe uma nobre lição de solidariedade: Um soldado raso jamais é reles. Eu conheço a fundo a vida de privações que eles levam, conheço bem a que ponto chega a abnegação de meus irmãos de armas e os incalculáveis perigos que arrostam com ânimo viril.
O senhor é estranho ao nosso meio, e talvez não saiba que, de algum tempo a esta parte, vem realizando a Força Pública em beneficio da disciplina, da instrução e da alfabetização. Hoje, a nossa Força Pública evoluiu a um nível muito superior em clima perfeitamente respirável, salubre para a formação de homens de bem. Por isto, achei injusta a afirmativa".
O jornalista desculpou-se e o Cel. batendo em seu ombro, retrucou: "compreendo a sua intenção - houve apenas uma flagrante impropriedade de linguagem".[5]
Discurso - Primeira Turma de Oficiais da Força Pública Mineira em 1934
José Vargas era um homem de qualidades morais e intelectuais elevadas. Em seu discurso à primeira turma de oficiais da Força Pública de Minas Gerais, percebe-se que o bravo Oficial era um homem de graves pensamentos filosóficos e, sobretudo, de compreensão espiritual .
No discurso, extrai-se um aprofundamento nos assuntos relacionados às virtudes morais e à construção de um mundo interior, sendo a fé o pilar dos momentos difíceis da vida. Acreditava na fortaleza de espírito para combater o inimigo interior e incentivava os jovens Aspirantes ao dever patriótico por meio do fortalecimento moral.
"O Brasil precisa de homens e não de sombras" - José Vargas, 1934
José Vargas e a Revolução de 1930
"Em 1930, como Major, José Vargas da Silva participou ativamente do Movimento, que segundo o historiador Anatólio Alves Assis, em artigo publicado no Diário da Tarde (27/10/80), foi o responsável pela permanência do Presidente Olegário Maciel no poder".[6]
Chefe do Estado-Maior da Brigada Sul Mineira em 1932
"Designado pelo Governo para servir como chefe do E. M., apresentou-se-me em Lavras, no dia 16 de julho, o Sr. Tenente-Coronel José Vargas da Silva, que assumiu, na mesma data, as funções do referido cargo.
Esse distinto oficial foi portador de uma carta, cujo teor vai transcrito abaixo: <<Gabinete do Secretario do Interior do Estado de Minas-Gerais. - Belo- Horizonte, 14 de julho de 1932. - Prezado Comandante Lery - Com esta venho apresentar a você o Tenente-Coronel José Vargas da Silva que está designado pelo Governo para servir como chefe de Estado-Maior da Brigada-Mista constituída do 7.° Batalhão, do 11.° Provisório, do Regimento de Cavalaria, do Serviço de Engenharia e outras forças que deverão seguir, em breve tempo, para serem incorporadas. O Tenente-Coronel José Vargas conduz consigo esses últimos elementos, bom núcleo de formação de seu Estado-Maior e o material necessário ao mesmo. - Espero que ele poderá desempenhar fielmente suas funções, prestigiado, como desejo, pelo eminente camarada e pelas tropas de seu comando. Com especial estima, seu colega e amigo admirador. - (a.) Cel. Gabriel Marques>>.
As alterações de posse constaram do boletim n. 3, no qual se transcreveu a seguinte exortação feita pelo comandante José Vargas da Silva, aos elementos componentes da Brigada:
««Tendo-me apresentado ao Sr. Cel. Comandante da Brigada Sul, assumo, nesta data, as funções de chefe de Estado-Maior da mesma brigada, e, prevalecendo-me deste ensejo, quero dirigir aos srs. Oficiais e ás praças, que a constituem, uma cordial saudação e um caloroso apelo para que continuem, como até agora, no mesmo firme propósito de elevar aqui, como alhures, as mesmas gloriosas tradições de honradez e bravura, exalçando, se ainda é possível, o nome impoluto da denodada Força Publica de Minas>>.[7]
Carta de José Vargas da Silva no Front - 1932
"Quem nunca saiu de Belo Horizonte, ao ver o espetáculo majestoso, fica estático ante os píncaros talhados a pique, só agora pisados pelos soldados, apreciando o panorama das montanhas bebendo da água dos grotões.
Manacá é uma estaçãozinha, mas já deixei Manacá e estou hoje em Itaguaré, a duas léguas. Itaguaré não é um povoado nem fazenda. É simplesmente um pico de pedras negras com 200 metros de altura, na Serra da Mantiqueira. Estamos no sopé deste pico no Estado de São Paulo, em direção a Cruzeiro que está a seis quilômetros. Mas, para chegar lá quanta luta, quanto esforço e quantas vidas são precisas!
Assim, vamos ficando por aqui mesmo ouvindo o miado das onças e a trovoadas dos canhões do leste .Eu tirei algumas fotografias das montanhas, das florestas para ver como é tudo por aqui. Aqui tudo em "paz": tiros, balas, alguns feridos, outros estropiados. Nada disso hoje comove a ninguém.
Assiste-se a um tiroteio ou duelo de artilharia como se fosse no cinema. Vai um, vem outro, passa um dia, chega outro dia. Sempre o mesmo cenário. Os protagonistas são os próprios espectadores. Quer dizer que estamos desempenhado um drama cuja tela é refletida nos jornais fita de cinema... o herói fulano, a estrela tal, uma metralhadora, etc...
Os habitantes caem o queixo, as mulheres ficam nervosas e nos que estamos as vezes filmando um drama sangrento, passamos imediatamente à comédia. E assim vamos matando os dias, e algumas vezes também, os inimigos".[8]
Referências
- ↑ a b PM entrega Medalha Coronel José Vargas da Silva
- ↑ «2ª Legislatura (1951 – 1955)» (PDF). Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Consultado em 20 de novembro de 2020
- ↑ «Centenário do Nascimento de José Vargas». Jornal Opinião - A Velha Guarda
- ↑ Recorte do Jornal Opinião - A Velha Guarda - Centenário do Nascimento de José Vargas
- ↑ Recorte do Jornal Opinião - A Velha Guarda - Centenário do Nascimento de José Vargas
- ↑ Fonte: Recorte do Jornal Opinião - A Velha Guarda
- ↑ "Movimento de 9 de julho de 1932" - Edição especial comemorativa do pessoal da reserva e reformado; pág 17-18
- ↑ Cel Vargas, Comandante das Forças Armadas no Front em Passa-Quatro na Revolução de 1932. Fonte: Fragmento da carta de José Vargas escrita do front - Revolução de 1932. A carta encontra-se no acervo histórico da Família Vargas.