José Trindade de Sousa
José Trindade de Sousa | |
|---|---|
![]() José Trindade de Sousa (c. 1982) | |
| Depositário Público | |
| Período | 1968 – 1978 |
| Vereador de Malta | |
| Período | |
| Primeiro Secretário da Câmara Municipal de Malta | |
| Período | 1973–1977 |
| Presidente da Câmara Municipal de Malta | |
| Período | 1973–1974 e 1977–1978 |
| Oficial de justiça | |
| Período | 1978–1995 |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 9 de setembro de 1925 São José de Espinharas, Paraíba |
| Morte | 21 de abril de 2019 (93 anos) Patos, Paraíba |
| Nacionalidade | Brasileiro |
| Progenitores | Mãe: Francisca Lódio de Sousa Pai: José Alves da Trindade |
| Cônjuge | Francisca Gomes de Sousa |
| Ocupação | Agrônomo, pecuarista, comerciante, político e servidor público |
José Trindade de Sousa (9 de setembro de 1925, São José de Espinharas, Paraíba — 21 de abril de 2019, Patos, Paraíba) foi um proprietário rural, político e servidor público do Poder Judiciário, com atuação destacada no interior do estado da Paraíba, especialmente no município de Malta.
Origem familiar
José Trindade de Sousa nasceu no sítio Riacho da Roça, em São José de Espinharas, sendo o primogênito de José Alves da Trindade e Francisca Lódio de Sousa, ambos agricultores. Foi batizado em 1º de outubro de 1925, na Capela de São José, local onde posteriormente foi edificada a atual igreja matriz da cidade. Teve como padrinho seu tio Manoel Clementino de Araújo e como madrinha sua avó materna, Ana Dantas da Rocha.
Falecimento de familiares
Em 1º de outubro de 1926, um ano após o batismo de José Trindade, seu tio e padrinho Manoel Clementino de Araújo faleceu vítima de homicídio por disparos de arma de fogo.
Seu pai, José Alves da Trindade, acometido por dispepsia e intensas dores abdominais, faleceu em 24 de maio de 1932, no sítio Riacho da Roça, sendo sepultado no dia seguinte no cemitério local. Deixou seis filhos, sendo um ainda em gestação à época do falecimento.
Em 17 de novembro de 1946, faleceu sua avó Ana Rosalina de Jesus, também no sítio Riacho da Roça. Em decorrência do inventário aberto para partilha dos bens, José Trindade e seus irmãos receberam parcelas de terras herdadas, em razão do falecimento prévio de seu pai.
Casamento e descendência
Em 1º de outubro de 1949, na Capela de São José, casou-se com Francisca Gomes de Sousa, filha de Sizenando Gomes de Sousa e Olívia Amélia de Souza.[1] Após o casamento, o casal estabeleceu residência no sítio Paiva, onde tiveram 13 filhos: Sizenando Trindade de Sousa, Francisco Trindade de Sousa, Miguel Gomes de Sousa, Núbio Gomes de Sousa, Maria Gomes Trindade, Margarete Gomes Trindade, Maurília Gomes Trindade, Pedro Trindade de Sousa, Maristela Gomes Trindade, Marineide Gomes Trindade, Maria do Socorro Gomes Trindade, Eguinaldo Trindade de Sousa e Edinaldo Trindade de Sousa.
Atividade comercial
Por volta de 1955, José Trindade de Sousa mudou-se do sítio Paiva para o centro urbano de Malta, onde adquiriu um imóvel localizado na esquina das ruas Coronel José Fernandes Vieira e Miguel Sátyro. No local, implantou um estabelecimento comercial que se tornou conhecido popularmente como “Bodega de Zé Trindade”.[2]
Carreira pública e política

Em 24 de agosto de 1968, foi nomeado depositário público pelo governador João Agripino, função que consistia na guarda de bens penhorados pela Justiça, mantidos sob sua responsabilidade no galpão judiciário do município de Malta.
No mesmo ano, ingressou na política ao eleger-se vereador nas eleições de 15 de novembro de 1968, filiado à Aliança Renovadora Nacional (ARENA).[3] [4] Foi reeleito vereador nas eleições de 1972, também pela ARENA, período em que exerceu a função de primeiro-secretário da Câmara Municipal e presidiu o Legislativo nos anos de 1973 e 1974.[5]
Nas eleições municipais de 1976, novamente vinculado à ARENA, foi eleito vereador com expressiva votação, assumindo a presidência da Câmara Municipal de Malta nos biênios de 1977 e 1978.[6]
Denúncia ao presidente
Durante sua atuação como presidente do Legislativo, acompanhou de perto administrações municipais, incluindo a gestão do prefeito Desmoulins Wanderley de Farias.
Em 30 de julho de 1978, encaminhou ofício ao presidente da República, general Ernesto Geisel, relatando supostas irregularidades administrativas atribuídas ao gestor municipal entre 1969 e 1972. No documento, afirmou já ter comunicado o Tribunal de Contas do Estado da Paraíba acerca de possíveis inconsistências na aplicação de recursos públicos, mencionando a ausência de documentação comprobatória e a existência de ações cíveis e penais na comarca local.
Segundo o relato apresentado por José Trindade, uma comissão do Tribunal de Contas realizou diligências em Malta e teria identificado problemas na aplicação dos recursos. O vereador solicitou providências para que as contas fossem apreciadas e alegou que o município enfrentava dificuldades administrativas, incluindo atrasos salariais de servidores. O documento também mencionava a existência de investigações conduzidas por órgãos federais à época.
Cargo de Oficial de Justiça
Em 2 de agosto de 1978, mediante nomeação do governador Ivan Bichara, assumiu o cargo de oficial de justiça em caráter temporário, exercendo funções relacionadas ao cumprimento de ordens judiciais, como citações, intimações, notificações, penhoras, conduções coercitivas e mandados de busca e apreensão.
Continuidade política
Em 15 de novembro de 1982, candidatou-se novamente ao cargo de vereador, desta vez filiado ao Partido Democrático Social (PDS), obtendo nova vitória eleitoral e dando continuidade à sua trajetória legislativa.[7] Em 1988, concorreu ao cargo de prefeito de Malta pelo Partido da Frente Liberal (PFL), não obtendo êxito.[8] Em 1992, disputou o cargo de vice-prefeito em chapa com Domingos Ferreira de Almeida, também sem vitória eleitoral.[9]
Aposentou-se como oficial de justiça de primeira entrância em 19 de dezembro de 1995. Em 2000, candidatou-se novamente ao cargo de vereador, encerrando posteriormente sua trajetória política após novo insucesso eleitoral.[10]
Últimos anos e falecimento
Nos últimos anos de vida, foi diagnosticado com doença de parkinson, necessitando de tratamento contínuo. Após períodos de internação no Hospital Regional de Patos, faleceu em 21 de abril de 2019. O velório ocorreu inicialmente em sua residência, seguido de cerimônia na Câmara Municipal de Malta e posterior sepultamento no cemitério público local.
Referências
- ↑ Cruz 2008, p. 795.
- ↑ Trajano 1996, p. 35.
- ↑ Souza 2014, p. 35.
- ↑ «Resultado das Eleições de 1968». Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). Consultado em 6 de fevereiro de 2026
- ↑ «Resultado das Eleições de 1972». Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). Consultado em 6 de fevereiro de 2026
- ↑ «Resultado das Eleições de 1976». Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). Consultado em 6 de fevereiro de 2026
- ↑ «Resultado das Eleições de 1982». Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). Consultado em 6 de fevereiro de 2026
- ↑ «Resultado das Eleições de 1988». Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). Consultado em 6 de fevereiro de 2026
- ↑ «Resultado das Eleições de 1992». Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). Consultado em 6 de fevereiro de 2026
- ↑ «Resultado das Eleições de 2000». Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). Consultado em 6 de fevereiro de 2026
Bibliografia
- Cruz, Cornélio Ferreira da (2008). Famílias do Sertão Paraibano. Campina Grande: Maxgraf. 811 páginas
- Trajano, Neó (1996). Nos Tempos de Juiz: Ficção (Último de uma trilogia). João Pessoa: UniGraf. 119 páginas
- Souza, Raimundo Alves de (2014). Memórias de um moleque que não quis estudar. Malta, PB: Gráfica Visão. 115 páginas
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