José Ribeiro do Espírito Santo Silva

José Ribeiro do Espírito Santo Silva (José ESS) (Lisboa, 13 de novembro de 1891Paris, 13 de junho de 1968)[1] foi um gestor e administrador bancário português[2][1].

Biografia

Filho rapaz mais velho de José Maria do Espírito Santo Silva, foi o sucessor direto do pai na casa bancária estabelecida por este no ano de 1911, sob a denominação de J. M. Espírito Santo Silva & Cia.[2], participada igualmente pelo cunhado Custódio Moniz Galvão (médico, casado com a meia-irmã Maria Justina) e outros cinco sócios minoritários, amigos e conhecidos da família[1].

José ESS entrara na casa aos 17 anos, após estudar por um período no internato masculino Merchiston Castle School, em Edimburgo, na Escócia[1].

Coube a José ESS a liderança do processo de transformação da casa bancária familiar em banco comercial, no ano de 1920, dando assim início ao Banco Espírito Santo[2][1].

A transformação terá decorrido na sequência de um conflito entre os velhos sócios minoritários do tempo do pai às pretensões expansionistas de José[1].

Em 1919, indisponíveis para aceitar as condições requeridas aos investidores - nomeadamente no planeamento da abertura de um balcão no Porto -, acabaram por deixar o domínio do capital a José, que o passou a repartir com o irmão, Ricardo do Espírito Santo Silva (Ricardo ESS)[1].

Sob a direçao executiva de José (1920-1932)[2], depois sucedido por Ricardo ESS[2], o banco foi pioneiro em Portugal na abertura de uma rede de balcões, inspirada na realidade bancária britânica, em particular no Midland Bank[1].

Dessa forma o pequeno novo banco poderia, com mais facilidade, captar novos depósitos, e ganhar solidez financeira[1].

Paralelamente, foi também José ESS que trouxe a área seguradora para o Grupo, uma relação que iniciou em 1918, quando a J. M. Espírito Santo Silva & Cia. passou a ser agente da companhia portuense Tranquilidade para a região Centro e Sul. Quando, em 1928, a companhia abre delegação em Lisboa, José ESS era já seu acionista maioritário[3].

Anos depois, o Grupo Espírito Santo englobaria, no mesmo ramo, as companhias Previsão e Companhia Geral Resseguradora[1].

Depois de ter suspendido a sua atividade em 1932 (quando foi sucedido por Ricardo), regressou em 1937, mantendo-se como presidente do Conselho Geral do Banco - depois fundido com o Banco Comercial de Lisboa (1937)[1].

Consta que, até à sua morte, seria consultado sobre as grandes questões do grupo, sendo igualmente visto como o melhor técnico financeiro da família[1].

Na viragem dos anos 1950 para os anos 1960 - quando a liderança passara de Ricardo ESS (entretatanto falecido (1955), para Manuel Ribeiro do Espírito Santo Silva) - o BESCL deteria já a maior rede de balcões do país[1].

Desde os anos 1930 José ESS passou a viver entre Portugal e França[1].

Quando faceleceu, em Paris, em 1968, o terço disponível da sua herança seria atribuído a todos os empregados do banco e da Tranquilidade, tendo o banqueiro privilegiando, sobretudo, os que haviam servido a casa nos anos mais difíceis da Primeira Grande Guerra e da década de 1920[1].

Família, casamento e desendência

José ESS foi casado com Maria José Borges Coutinho e com Vera Cohen, esta última filha de um conhecido financeiro de Gibraltar, além de irmã de Maria Cohen, mulher de Ricardo ESS[1].

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p DN, Redação (23 de maio de 2014). «A Casa dos Espíritos (parte I)». Diário de Notícias (em inglês). Consultado em 2 de agosto de 2025 
  2. a b c d e «Banco Espírito Santo». www.bportugal.pt. Consultado em 2 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 13 de junho de 2025 
  3. «A nossa História». Generali Tranquilidade. Consultado em 2 de agosto de 2025