José Neistein
| José Neistein | |
|---|---|
| Nascimento | 20 de outubro de 1934 São Paulo |
| Morte | 4 de julho de 2020 São Paulo |
| Cidadania | Brasil |
| Alma mater | |
| Ocupação | diplomata, intelectual, filósofo |
José Menache Neistein (São Paulo, 20 de outubro de 1934 – São Paulo, 4 de julho de 2020) foi um crítico de arte, filósofo, professor, adido cultural, curador de exposições, palestrante e, colecionador de arte brasileiro. Sua vida esta ligada ao desenvolvimento/difusão das artes brasileiras no exterior durante a segunda metade do século XX.[1]
Biografia
Infância e educação
José Menache Neistein nasceu na cidade brasileira de São Paulo em 1934,[1] filho de Pinchas Neistein e Yehoudite Neistein, imigrantes judeus[1] oriundos das cidades de Safed e Jerusalém, na antiga Palestina, que aportaram no Brasil na década de 1930, na cidade de Santos e, se instalaram no bairro do Bom Retiro em São Paulo,[1] bairro que na época concentrava grande parte dos imigrantes judeus. Lá Neistein passou sua infância e juventude,[1] tendo sido o primeiro brasileiro de sua família, com um irmão mais velho Yone Neistein (1927-2015) e um mais novo Simon Neistein (1938 -1998).[2]
A tradição e cultura judaica estiveram presentes no lar em que cresceu e em sua escolaridade inicial, tendo estudado em escolas judaicas seculares (Renascença) e ortodoxas (Talmud Torá Beit Yakov) seguindo a tradição de seus pais. Aprendeu a falar português enquanto brincava com os vizinhos da vila onde morava, já que o idioma falado em casa era o iídiche.
Desde muito cedo demonstrou interesse pelo estudo de idiomas, leitura de clássicos da literatura brasileira e estrangeira e, por música clássica. A leitura de autores como Sholem Asch que publicou romances da vida judaica e posteriormente temas cristãos, de uma certa maneira introduz Neistein na cultura universal mais ampla e que, futuramente iria forjar o seu interesse pelas artes universais em geral. A vida no bairro do Bom Retiro tinha características do shtetl europeus, pequenas cidades provincianas da Europa oriental, onde as comunidades judaicas viviam as suas vidas trabalhosas, modestas, sacrificadas e isoladas.
Na adolescência frequentou o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo no curso de Mecânica, tendo ainda estudado também no Colégio Estadual Presidente Roosevelt e no Insituto de Educação Caetano de Campos. esteve na primeira Bienal de São Paulo (1951), onde ampliou o horizonte para as artes, rompendo o isolamento provinciano.[1] Paralelamente aos seus estudos trabalhou como balconista e depois foi funcionário da Sociedade Cemitério Israelita de São Paulo e Chevra Kadisha por 10 anos, até a conclusão do curso de Filosofia da Universidade de São Paulo.[1]
Em 1953, ingressou na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLECH-USP), onde concluiu em 1956 o bacharelado e a licenciatura em Filosofia.[1] Em 1959, recebeu uma bolsa de estudos do governo austríaco e,[1] com uma pequena suplementação da CAPES e do Itamaraty, seguiu para Viena, onde concluiu o doutorado em 1962 com a dissertação Versuche zur Überwindung des Psychologismus in der modernen deutschen Ästhetik (Esforços para superar o psicologismo na estética alemã moderna). Enquanto viveu na Europa durante o doutorado, teve contato com a cultura ocidental e com as vanguardas europeias do pós-guerra, aumentando assim militância nas críticas as artes.[1]
Foi considerado uma grande promessa da crítica teatral paulistana, apoiado por Décio de Almeida Prado e Maria José de Carvalho.[1] Estudou poesia e filosofia alemã com Anatol Rosenfeld, e estudou literatura iídiche com Jacó Guinsburg.[1]
Carreira na cultura
Em março de 1958, foi designado pelo diretor do Serviço Nacional do Teatro, do Ministério da Educação e Cultura, para substituir Décio de Almeida Prado e atuar como seu representante no Conselho Consultivo da Associação Paulista de Críticos Teatrais. Em setembro do mesmo ano, foi nomeado pelo então governador do Estado de São Paulo, Jânio Quadros, para integrar a Comissão Estadual de Teatro.
Entre 1963 e 1965, foi convidado a lecionar língua portuguesa e estudos brasileiros na Universidade de Viena e pouco tempo depois foi convidado a criar a cátedra de estudos brasileiros na Universidade Livre de Berlim.[3] Durante o mesmo período, prestou serviços como tradutor na embaixada brasileira na Áustria e mais tarde como adido cultural (Encarregado de Assuntos Culturais nas Embaixadas brasileiras, assessorando no contato com autoridades da vida intelectual dos centros culturais internacionais onde o Brasil segue a política de boa-vizinhança[4]). Neste período conviveu com artistas e intelectuais como Burle Max, Wesley Duke Lee, Nelson Freire, Gilda Oswaldo Cruz e com o diplomata Rubens Ricupero, tendo uma vida cultural intensa, entre concertos e óperas e viagens à Itália.
Carreira na diplomacia
Em 1967, retornou à América do Sul a convite do Itamaraty para exercer a função de adido cultural da Missão Cultural do Brasil no Paraguai,[1] onde trabalhou ao lado do artista Lívio Abramo. Em 1970, foi convidado a dar continuidade ao trabalho desenvolvido em Assunção e em seguida em Washington, D.C., onde dirigiu o Instituto de Cultura Brasileira (do inglês Brazilian-American Cultural Institute, BACI),[1][5][3]
À frente do BACI como diretor executivo por 37 anos (1970 a 2007), desenvolveu um trabalho contínuo de difusão da arte e da cultura brasileiras nos Estados Unidos. Na sede do instituto foram oferecidos cursos de língua portuguesa, realizadas sessões de cinema, debates, palestras, cursos, concertos de música popular e erudita,[1] além da realização de mais de trezentas exposições de artistas brasileiros e estrangeiros, sob sua curadoria. Dentre os artistas expostos destacam-se Yolanda Mohalyi, Tomie Ohtake, Manabu Mabe, artista austríaco Axl Leskoschek (2016),[6][7] Martins de Porangaba, Mira Schendel, Nelson e Giselda Leirner, Ismael Nery, Emanoel Araújo, Marcelo Grassmann, Evandro Carlos Jardim, Maria Bonomi, Lívio Abramo e Renina Katz, entre outros. Os textos curatoriais dessas exposições, realizadas na década de 1970, foram reunidos e publicados em 1981 no livro Feitura das Artes, pela Editora Perspectiva.
Neistein chegou a Washington D.C para assumir o BACI,[3] durante um momento crítico da história nacional, em plena ditadura militar. Alguns artistas selecionados para expor na galeria do instituto não tiveram autorização do SNI (Serviço Nacional de Informação) por alguma participação em manifestações anti-governo ou por retratar o rosto dos brasileiros menos favorecidos socialmente como na exposição de fotografias de Madalena Schwartz nomeada de “O Rosto Brasileiro”. O artigo de Daria Jaremtchuk intitulado “O Brazilian-American Cultural Institute como ferramenta político-cultural (1964-2007)” descreve em detalhes esse e outros episódios relacionados ao BACI.[8]
Carreira na docência e literatura
Paralelamente às atividades no BACI, Neistein atuou como professor visitante na Universidade da Pensilvânia (na Filadélfia)[3] onde lecionou Literatura Brasileira, História da Arte no Brasil e História da Cultura Brasileira. Foi também conferencista em diversas universidades e instituições culturais nos Estados Unidos, na Inglaterra, França, Suíça, Alemanha, Áustria, Portugal, Canadá, países da América do Sul, América Central, África e no Brasil.
Durante cerca de cinquenta anos, foi editor-contribuinte do Handbook of Latin American Studies[9], da Biblioteca do Congresso dos Estado Unidos, na cidade de Washington, D.C., para o qual resenhou aproximadamente três mil livros sobre arte no Brasil. Parte desse trabalho resultou na publicação do livro A Arte no Brasil: dos primórdios ao século vinte – uma bibliografia seleta anotada (1997), com o prefácio de Aracy Amaral.
Autor de vários artigos sobre literatura, teatro e artes visuais publicados em revistas e suplementos literários no Brasil e no exterior, além de livros sobre arte brasileira publicados no Brasil, na Inglaterra e nos Estados Unidos, bem como de uma antologia bilíngue de poesia brasileira moderna. Também foi responsável pela curadoria e pelos ensaios introdutórios de dezenas de exposições realizadas no Brazilian-American Cultural Institute e em museus e galerias universitárias estadunidenses e no Brasil.
Em junho de 1996, Neistein proferiu conferências em Viena, Graz e, na Universidade de São Paulo sobre o artista austríaco Axl von Leskoschek, com apoio de instituições como: a Biblioteca Nacional Austríaca do Exílio, a Universidade de Graz, o Instituto Goethe e, a Embaixada da Áustria no Brasil. Em 1998, dirigiu e produziu um programa multicultural de leitura de poesia ao vivo em sete idiomas.
Em 28 de maio de 1998, foi condecorado pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso com a Ordem de Rio Branco.[carece de fontes] Recebeu o Prêmio da Academia Paulista de História pela obra A Arte no Brasil em 1998 e em 2004, publicou Brazilian Art V e escreveu um livro dedicado ao processo criativo do artista brasileiro Martins de Porangaba. A partir de 2010, passou a colaborar com o site Movimento, publicando artigos e ensaios sobre festivais internacionais de teatro, música e ópera.
Em 2012, foi eleito por unanimidade membro honorário da diretoria da Spanish Colonial Arts Society (no Novo México). Em 2013, publicou suas memórias de infância e juventude no bairro do Bom Retiro, integrando o livro Recordações da Imigração Judaica em São Paulo, organizado por Maria Luiza Tucci Carneiro. No mesmo ano, contribuiu com artigos para um livro comemorativo sobre a pintora teuto-brasileira Gisela Eichbaum. Em 2014, realizou palestra sobre a obra de Johannes Vermeer, em São Paulo.
Neistein Foi membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA), com sede em Paris. Dirigiu ainda produções audiovisuais e espetáculos multimídia dedicados à arte brasileira do século XX.
Dedicou grande parte de sua vida a colecionar obras de arte, compondo uma vasta e diversa coleção com um caráter universal e eclético, formada ao longo de mais de cinquenta anos de aquisições e estudos. A coleção reúne obras representativas de diferentes culturas, períodos históricos e técnicas artísticas. Entre seus principais núcleos estão a pintura colonial espanhola, a arte moderna brasileira, peças asiáticas, máscaras africanas, arte acadêmica europeia, ícones russos e peças litúrgicas judaicas, cristãs e islâmicas. Seu desenvolvimento acompanhou a ampliação dos interesses do colecionador e a consolidação do conjunto.
Em 2012, a Peyton Wright Gallery realizou a 19ª edição da exposição anual “Historic Arts of the Americas”, uma mostra sobre a América colonial espanhola que expõe obras da coleção de Neistein.[10]
Últimos anos
Ao final da vida, Neistein passava parte do ano em São Paulo, onde fixou residência no bairro do Bom Retiro, e a outra parte em sua residência no estado da Virgínia nos Estados Unidos. Frequentou os principais festivais de ópera e dedicou boa parte do seu tempo a escrever críticas musicais. A leitura dos clássicos da literatura universal voltou a ocupar seus dias, mantinha e cultivava sua amizade com seus amigos e amigas ao redor do mundo com que se correspondeu ativamente ao longo de sua vida. Uma vasta coleção de correspondências com diferentes intelectuais do meio artístico, literário, político e empresarial compõem o Arquivo em diferentes idiomas que dominava tanto na leitura, como na escrita e conversação: Português, Espanhol, Francês, Italiano, Inglês, Alemão, Iídiche.
O relacionamento de Neistein com intelectuais, empresários e artistas como Mariajosé de Carvalho, José Mindlin, Emanoel Araújo, Tomie Ohtake, Gisela Eichbaum, Giselda Leirner, Fayga Ostrower, Bela Paes Leme, Renina Katz, Pietro Maria Bardi, Jacob Klintowitz, Jacob Guinsburg, Anatol Rosenfeld, entre outros perdurou ao longo de toda sua vida.
Deixou um legado importante sobre sua trajetória profissional como intelectual, professor, crítico das artes, escritor, curador das artes visuais e adido cultural da Embaixada Brasileira em Washington. O Arquivo José Neistein é resultado do trabalho de organização e catalogação, realizado por Esther Regina Neistein, através da reunião da massa de acervos documentais localizados nos Estados Unidos e no Brasil. Este conjunto está em processo de tratamento de acordo com critérios arquivísticos e posteriormente servirá de fonte de pesquisa para interessados em conhecer a relevância cultural do seu legado. Da mesma forma, a Coleção de Arte José Neistein, representada pelo conjunto de peças localizadas em São Paulo e na Virgínia (EUA), estão sob os cuidados curatoriais de seu sobrinho-neto Gabriel Neistein. Através da realização de pesquisas e expografias, o acervo de arte universal será trazido ao público brasileiro, por meio de exposições temporárias, comodatos e doações.
José Menache Neistein faleceu em São Paulo, no hospital onde ficou internado por 11 dias devido a um quadro infeccioso no dia 04 de julho de 2020, foi uma vítima da COVID-19 no auge da pandemia que assolou o planeta.[11]
Bibliografia
- NEISTEIN, José Menache. A Arte no Brasil, dos primórdios ao século XX - Uma bibliografia seleta, anotada, São Paulo/Rio de Janeiro, Livraria Kosmos, 1997;[12][13][14]
- NEISTEIN, José Menache. Feitura das Artes, São Paulo, Editora Perspectiva, 1981;[12]
- NEISTEIN, José Menache e CARDOZO, Manoel. Poesia Brasileira Moderna A bilingual anthology, 1972. Washington: Brazilian-American Cultural Institute;[15][16]
- Capítulo escrito por NEISTEIN, José Menache “Infância e Juventude no Bom Retiro: Fragmentos de Memórias”, em: CARNEIRO, Maria Luiza Tucci (organizadora). Recordações dos primórdios da imigração judaica em São Paulo (Série Brasil Judaico). São Paulo, Editora Maayanot 2013.[17]
- NEISTEIN, José Menache. Robert Chester Smith e a Biblioteca do Congresso em Washington. em: SALA, Dalton et al. Robert Chester Smith (1912-1975): A investigação na História da Arte. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000.[18]
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o «José Menache Neistein Não é Um Número». Inumeráveis. Consultado em 5 de fevereiro de 2026. Resumo divulgativo
- ↑ Carneiro, Maria Luiza Tucci (2012). Primórdios da imigração judaica em São Paulo. São Paulo: Maayanot
- ↑ a b c d «Círculo de Reflexão sobre Judaísmo Contemporâneo #26». Fundação Casa do Povo. Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ «Relatórios do Ministério das Relações Exteriores de 1967» (PDF). Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG). Consultado em 5 de fevereiro de 2026. Resumo divulgativo
- ↑ jfarrar (7 de julho de 2009). «Brazilian-American Cultural Institute Archives Find Home at UMD». UMassD Library Archives and Special Collections Blog (em inglês). Consultado em 2 de fevereiro de 2026
- ↑ «Dostoiévski e os ecos do expressionismo: Axl Leskoschek no acervo da BBM – Blog da BBM». 7 de junho de 2019. Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ Cultural, Instituto Itaú. «Os Anos de Brasil de Axl Leskoschek, de 21.03.2016 à 09.04.2016». Enciclopédia Itaú Cultural. ISBN 978-85-7979-060-7. Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ Jaremtchuk, Dária (2021). «O Brazilian-American Cultural Institute como ferramenta político-cultural (1964-2007)». Estudos Avançados: 155–180. ISSN 0103-4014. doi:10.1590/s0103-4014.2021.35103.009. Consultado em 2 de fevereiro de 2026
- ↑ North, Tracy. «Research Guides: Handbook of Latin American Studies (HLAS): A Resource Guide: Introduction». guides.loc.gov (em inglês). Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ «Tradición Revista April 2012» (PDF). Tradición, featuring southwest traditions, art & culture. XVII (1). 2012. ISSN 1093-0973. Consultado em 6 de fevereiro de 2026
- ↑ «Memorial Inumeráveis, Dedicado às Vítimas Do Coronavírus» (em Portuguese). Consultado em 2 de fevereiro de 2026
- ↑ a b «Marcello Grassmann, sua biografia por Zizi Baptista». Fundação Marcello Grassmann. Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ Neistein, José (1997). A Arte no Brasil: dos primórdios ao século vinte, uma bibliografia seleta, anotada. [S.l.]: Brazilian-American Cultural Institute. Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ «A Arte no Brasil: dos Primórdios ao Século Vinte - uma Bibliografia... - Sebo Brandão São Paulo | Estante Virtual». www.estantevirtual.com.br. Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ Neistein, José (1972). Poesia Brasileira Moderna: A Bilingual Anthology. Edited, with Introd. and Notes, by José Neistein. Translations by Manoel Cardozo (em inglês). [S.l.]: Brazilian-American Cultural Institute. Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ Neistein, José; Cardozo, Manoel (1972). Poesia brasileira moderna; a bilingual anthology. Washington: Brazilian-American Cultural Institute. Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ Guimarães, José Flávio Nogueira (2025). Estudo sobre a vivência religiosa de homens judeus homoafetivos brasileiros (PDF). Col: Pós-Graduação em Ciências da Religião. Belo Horizonte: PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS. Resumo divulgativo
- ↑ Melo, Sabrina Fernandes (29 de janeiro de 2021). «Robert Chester Smith no Brasil: arte colonial e iconografia nas viagens de 1936 e 1947». Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material: 1–35. ISSN 1982-0267. doi:10.1590/1982-02672021v29e2. Consultado em 5 de fevereiro de 2026