José Mário Vaz
José Mário Vaz | |
|---|---|
![]() | |
| Presidente da Guiné-Bissau | |
| Período | 23 de junho de 2014 a 27 de fevereiro de 2020 |
| Antecessor(a) | Manuel Serifo Nhamadjo |
| Sucessor(a) | Umaro Sissoco Embaló |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 10 de dezembro de 1957 Cacheu, Guiné Portuguesa |
| Alma mater | ISEG |
| Cônjuge | Rosa Teixeira Goudiaby |
| Filhos(as) |
|
| Partido | PAIGC (1989-2015) COLIDE-GB (após 2024) |
| Religião | Animismo |
| Profissão | Economista, empresário e político |
| Assinatura | ![]() |
José Mário Vaz "Jomav" (Cacheu, 10 de dezembro de 1957) é um economista, empresário e político bissau-guineense. Foi presidente da Guiné-Bissau de 2014 até 2020. Enquanto membro do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), foi ministro das Finanças, de 2009 a 2012, no governo de Carlos Gomes Júnior.[1]
Biografia
Nascido em Cacheu em 10 de dezembro de 1957, os seus pais eram Mário Vaz e Amélia Gomes.[2] Cresceu no sector de Calequisse.[2] Dos pais herdou a religião animista.[2]
Na década de 1970 Vaz partiu para Portugal para estudar ciências econômicas no Instituto Superior de Economia e Gestão.[2] Fez estágio no Gabinete de Estudos Econômicos do Banco de Portugal, tendo como chefia imediata a Aníbal Cavaco Silva.[2] Seu primeiro emprego em terras bissau-guineenses foi como economista do antigo Banco Nacional da Guiné-Bissau em 1982.[2] Chegou a fazer complementação de estudos no Fundo Monetário Internacional (FMI).[2]
Em 1987 fundou uma empresa de construção civil denominada "JOMAV", acrônimo de seu nome que se tornaria seu nome político posteriormente.[2] José Mário Vaz iniciou sua trajetória política como militante do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) no ano de 1989.[2] Em 1993 foi eleito presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Agricultura da Guiné-Bissau, além de ter sido presidente da Agência Guineense de Obras de Interesse Público e Promoção.[2]
Por convite de Nino Vieira, foi coordenador-mandatário geral do PAIGC nas eleições gerais na Guiné-Bissau em 1994.[2] Porém, ao final da campanha vitoriosa ao partido, voltou para suas actividades empresariais.[2]
Candidato a edil de Bissau pelo PAIGC, José Mário Vaz foi eleito presidente da Câmara Municipal desta cidade em 2004, permanecendo em funções até 2009.[2] Neste cargo, ganhou a reputação de administrador público eficiente, apostando em marcas como a limpeza e organização urbana.[2]
Em 2009 foi nomeado ministro das Finanças, deixando o cargo quando o governo foi deposto pelo golpe de Estado de 2012.[3] Enquanto ministro, Vaz apresentava-se como homem que imprimia rigor na administração pública, sendo conhecido como "o homem do 25", por ter conseguido pagar pontualmente os ordenados da função pública (no dia 25 de cada mês).[2] Conseguiu ainda o feito de negociar o perdão da metade da dívida externa nacional.[2]
Nas eleições gerais na Guiné-Bissau em 2014 José Mário Vaz foi eleito presidente do país à segunda volta a 18 de maio de 2014, depois de o PAIGC, que o apoiou, já ter conquistado maioria absoluta nas eleições legislativas, as primeiras eleições realizadas na Guiné-Bissau desde o golpe de Estado de 12 de abril de 2012.[4] As eleições permitiram normalizar relações diplomáticas e de cooperação com a generalidade da comunidade internacional — que não reconheceu as autoridades de transição nomeadas depois do golpe militar em 2012.[4]
Em 2015, entrou em rota de colisão com seu próprio partido, o PAIGC, ao demitir seu primeiro-ministro, Domingos Simões Pereira, ato que lançou o país numa das crises políticas mais prolongadas da sua história.[4]
Em 27 de junho de 2019, 4 dias depois do término de seu mandato, seria substituído pelo presidente da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau, Cipriano Cassamá, que até as eleições de novembro seguiria como presidente interino, mas recusou a ceder, desrespeitando, assim, a norma constitucional, o que foi classificado como autogolpe.[5] A sua permanência na presidência foi referendada pela ingerência externa da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), confirmada em 29 de junho de 2019, que decidiu que Vaz permaneceria no cargo até depois das eleições presidenciais.[6] Seu estilo autoritário e confrontador corroeu sua popularidade. Vaz concorreu como independente nas eleições presidenciais de 2019, mas recebeu apenas 12% dos votos no primeiro turno e não conseguiu avançar para o segundo turno.[7]
Em 27 de fevereiro de 2020, tornou-se o primeiro presidente na história, desde a independência da Guiné Bissau, a concluir um mandato a qual foi eleito, ainda assim em flagrante desrespeito às normas constitucionais.[8]
José Mário Vaz apresentou nova candidatura a presidente nas eleições gerais na Guiné-Bissau em 2025.[4]
Ver também
O Wikinotícias possui notícias relacionadas com: José Mário Vaz
Referências
- ↑ «Presidente eleito da Guiné-Bissau José Mário Vaz toma hoje posse». A Nação. 2014
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p «O que levou à crise política na Guiné-Bissau?». Observador. 13 de agosto de 2015
- ↑ ?«"Não temo nada e nem estou preocupado com nada" – José Mário Vaz, Candidato Presidencial». gbissau.com. 3 de março de 2014. Cópia arquivada em 3 de março de 2016
- ↑ a b c d Djariatú Baldé (20 de novembro de 2025). «Bissau: Três candidatos, três percursos marcados pelo PAIGC». Deutsche Welle
- ↑ «Parlamento da Guiné-Bissau retira poderes ao Presidente José Mário Vaz». Público. 27 de junho de 2019
- ↑ «Guinea Bissau president names government in move to end deadlock». Business Day (em inglês). Agence France-Presse. 4 de julho de 2019. Consultado em 11 de julho de 2019. Cópia arquivada em 13 de outubro de 2019
- ↑ «Guinea-Bissau election: Former PMs advance to runoff vote» (em inglês). Al Jazeera. 27 de novembro de 2019
- ↑ «Main opposition candidates in Guinea-Bissau's presidential election». Reuters. 19 de novembro de 2025
Ligações externas
| Precedido por Manuel Serifo Nhamadjo |
Presidente da Guiné-Bissau 2014 - 2020 |
Sucedido por Umaro Sissoco Embaló |


