José Luis Brown
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| José Luis Brown na final da Copa do Mundo FIFA de 1986, apoiando em buraco na comisa o polegar do braço cujo ombro estava luxado | ||
| Informações pessoais | ||
|---|---|---|
| Nome completo | José Luis Brown | |
| Data de nasc. | 11 de novembro de 1956 | |
| Local de nasc. | Ranchos, Argentina | |
| Morto em | 12 de agosto de 2019 (62 anos) | |
| Local da morte | La Plata, Argentina | |
| Altura | 1,83 m | |
| Apelido | Tata | |
| Informações profissionais | ||
| Posição | Zagueiro | |
| Função | Treinador | |
| Clubes profissionais | ||
| Anos | Clubes | Jogos (golos) |
| 1975–1983 1983–1986 1985 1986 1986–1987 1987–1988 1989–1990 |
Estudiantes Atlético Nacional Boca Juniors (empr.) Deportivo Español (empr.) Brest Real Murcia Racing |
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| Seleção nacional | ||
| 1983–1990 | Argentina | 36 (1) |
| Times/clubes que treinou | ||
| 2000 2002 2005 2005 2006 2007 2007–2009 2013 |
Almagro Blooming Atlético Rafaela Almagro Ben Hur Ferro Carril Oeste Argentina Sub-17 Ferro Carril Oeste |
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José Luis Brown (Ranchos, 11 de novembro de 1956 – La Plata, 12 de agosto de 2019) foi um treinador e futebolista argentino que atuou como zagueiro. Defendeu a Seleção Argentina como titular na Copa do Mundo FIFA de 1986 na qual sagraria-se campeão, anotando inclusive o primeiro gol da final - na qual atuou por todos os 90 minutos mesmo sofrendo um deslocamento em um ombro, recusando-se a ser substituído.[1][2][3]
De convocação criticada para aquele Mundial, Tata Brown, como era apelidado, marcou justamente ali seu único gol pela Argentina.[1][4] Ele possuía distante ancestralidade irlandesa.[5][6]
Embora fosse visto como de pouca técnica, mesmo seus críticos conheciam sua qualidade no jogo aéreo e seu conhecimento tático no papel de líbero.[2] A nível de clubes, Brown destacou-se sobretudo no Estudiantes de La Plata.[1][3][7]
Clubes
Brown atuou como zagueiro e, gradativamente, como líbero.[2] Estreou no futebol profissional em 1975, pelo Estudiantes de La Plata,[4] clube do qual era torcedor desde a adolescência, encantando com o elenco tricampeão seguido na Copa Libertadores da América na década de 1960.[1] Naquele mesmo ano de 1975, integrou campanha em que o Estudiantes, treinado por Carlos Bilardo, terminou vice-campeão do Torneio Nacional.[8]
Novamente com Bilardo de treinador, o Estudiantes venceu em 1982 o Torneio Metropolitano. Brown sobressaiu-se em especial nas duas rodadas finais: na penúltima, marcou a cinco minutos do fim o único gol de tumultuado duelo com o Vélez Sarsfield, permitindo que os alvirrubros retomassem uma liderança que havia sido provisoriamente ocupada pelo Independiente; e, na última, converteu pênalti para abrir vitória de 2-0 sobre o Talleres.[9]
Aquele foi o primeiro título do Estudiantes desde a conquista da Copa Libertadores da América de 1970 e credenciou Bilardo a assumir no início de 1983 a Seleção Argentina.[10] Mesmo com outro treinador (Eduardo Luján Manera), o clube terminou em 1983 bicampeão argentino seguido, com Brown e colegas novamente prevalecendo sobre o Independiente.[11] Esse bicampeonato tornou-se especialmente relevante no tempo por representar as únicas conquistas de primeiro escalão do clube até 2006,[12] para além de um elenco que jogava um futebol considerado vistoso, em contraponto ao estilo meramente aguerrido que costuma ser associado ao Estudiantes.[13]
Ainda em 1983, após a eliminação para o Grêmio na chamada "batalha de La Plata" no triangular-semifinal da Libertadores daquele ano, Brown trocou o Estudiantes pelo Atlético Nacional,[4] então um dos clubes mais lucrativos do continente, fortalecido pelo Cartel de Medellín.[14] Foi já como jogador do Nacional que Brown estreou pela seleção,[4] algo atribuído também pela proximidade pessoal que ele havia desenvolvido com Bilardo - ele próprio com trabalhos prévios na Colômbia (no Deportivo Cali vice da Copa Libertadores da América de 1978 e na Seleção Colombiana nas eliminatórias à Copa do Mundo FIFA de 1982) e ciente da força do futebol local.[10]
Em 1985, o Atlético Nacional emprestou Brown ao Boca Juniors,[4] onde ele não foi considerado um defensor confiável, sendo visto como lento e fora de forma.[15] Ao longo do campeonato argentino de 1985-86, acabou renegociado com o Deportivo Español,[16] então uma equipe emergente.[17]
O Español terminaria em 3º lugar naquele torneio de 1985-86,[16] em sua melhor campanha na primeira divisão,[17] mas sem que Brown se destacasse:[4] atuou em somente três partidas, todas no mês de fevereiro.[16] Assim, sua convocação à Copa do Mundo FIFA de 1986 foi das mais questionadas, creditada a uma excessiva afeição de Bilardo pelo "pupilo".[4] A boa performance no torneio, coroada com o gol na final, propiciou que Brown rumasse à Europa na sequência da carreira clubística, defendendo Brest e Real Murcia.[1]
Em 1989, Brown voltou ao futebol argentino como jogador do Racing. Ainda sendo jogador de seleção, seu regresso foi midiático, mas sua passagem pelo time de Avellaneda acabou atrapalhada por seguidas ausências decorrentes de uma lesão crônica no joelho; jogou pela Academia em intervalos irregulares até abril de 1990,[4] inclusive seguindo presente na seleção como racinguista.[18] Acabou vendo-se forçado a parar de jogar ao fim da temporada, optando por recusar proposta do Lanús.[1]
Seleção Argentina
Defendeu a Seleção Argentina entre 1983 e 1990,[4] visto como um jogador especialmente protegido pelo treinador Carlos Bilardo,[1] com quem já havia trabalhado continuamente no Estudiantes.[4] Bilardo incluiu Brown já na primeira convocação como técnico da Argentina, em 1983, com vistas à Copa América daquele ano.[2]
Em sua estreia, contra o Equador, por aquela Copa América, Brown foi expulso. Apesar da gafe e de não conseguir sair vitorioso em seus cinco primeiros jogos pela seleção, permaneceu um jogador assíduo na "Era Bilardo".[2] Terminou convocado à Copa do Mundo FIFA de 1986 como um dos mais questionados na lista final,[1] vindo de um campeonato argentino de 1985-86 individualmente decepcionante tanto pelo Boca Juniors (cuja torcida mostrou-se incrédula ao ver um defensor avaliado como lento e inseguro como jogador boquense ter se desempenhado de modo tão bom no Mundial),[15] no primeiro turno, como pelo Deportivo Español, no segundo turno.[4] Na prática, foi chamado ao Mundial sem estar em algum clube, prescindido pelo Español,[3] o qual não defendia desde fevereiro.[4][16]
Brown fora convocado inicialmente para ser reserva de Daniel Passarella.[1] Este, porém, acabou afetado por problemas digestivos que inviabilizaram sua presença na estreia.[2][3][19] Brown soube substitui-lo a ponto de Passarella acabar ignorado por Bilardo pelo restante do torneio.[4] Na decisão, abriu o placar em cabeceio, no qual curiosamente utilizou o corpo de Diego Maradona para ganhar impulsão a mais e assim alcançar a bola levantada na área em cobrança de falta.[4] Foi precisamente o único gol que Brown marcou pela seleção, ao longo de 36 partidas oficiais.[1][2][3]
"Este gol mudou minha identidade. Desde então passei a ser 'Brown, aquele que marcou gol na final da Copa do Mundo'", relembraria em 2011 à revista El Gráfico.[1] Manteve-se em campo mesmo após luxação no ombro direito, recusando-se a ser substituído.[20] Para amenizar a dor, furou a própria camisa para apoiar a mão do braço afetado,[1][21] gesto que se tornou icônico a ponto de ser reproduzido em homenagens póstumas prestadas a ele em 2019.[22]
Brown também disputou as Copas América de 1987 (como jogador do Brest) e 1989 (como jogador do Real Murcia),[4] e era presença aguardada na Copa do Mundo FIFA de 1990.[1] Embora suas últimas partidas oficiais pela Argentina tenham ocorrido ainda em 1989,[20] na Copa América,[2] em 1990 ele a defendeu em dois amistosos não-oficiais, contra os clubes Monaco (em janeiro) e Linfield (em abril).[4] Contudo, a recorrência de uma lesão no joelho inviabilizou sua convocação.[1] Brown acompanhou a delegação no Mundial, integrado como membro da comissão técnica liderada por Bilardo.[4]
Curiosamente, Bilardo nunca soube pronunciar corretamente o sobrenome do amigo, a quem se referia como "Bron" ao invés de "Braun", algo que se tornou anedótico no meio futebolístico argentino.[1][23][24] A proximidade de ambos foi tamanha que parentes de Bilardo, passado mais de um ano da morte de Brown, seguiam poupando o treinador de noticiar-lhe do ocorrido, temerosos de lhe causar um ataque cardíaco, similarmente ao roteiro do filme Adeus, Lenin!.[25]
Treinador
Integrou a comissão técnica da Argentina na Copa do Mundo FIFA de 1990, como um dos auxiliares de Carlos Bilardo.[1] Trabalharam juntos também no Boca Juniors, em 1996.[4]
Entre 2000 e 2013, Brown foi treinador principal, inclusive da Seleção Argentina Sub-17.[1] Em um desses trabalhos, treinou o Almagro em 2000, em dupla com outro vencedor da Copa de 1986, Héctor Enrique, em contexto no qual este clube vinha sendo gerenciado por Diego Maradona.[26]
Com mais um campeão de 1986, Sergio Batista, Brown trabalhou na Seleção sub-23 da Argentina vencedora do Olimpíadas de 2008, como assistente do técnico Batista. A parceria com Maradona foi retomada na Copa do Mundo FIFA de 2010, na qual Brown foi um dos auxiliares de Dieguito na comissão técnica deste na seleção.[2]
Doença e morte
Brown foi diagnosticado com Doença de Alzheimer, que afeta principalmente a memória. Já internado em uma clínica de La Plata, faleceu em 12 de agosto de 2019.[27]
Títulos
- Estudiantes
- Campeonato Nacional: 1983
- Argentina
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q BORINSKY, Diego (12 de agosto de 2021). «JOSÉ LUIS BROWN 100X100». El Gráfico. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ a b c d e f g h i MACÍAS, Julio. BROWN, José Luis. Quién es quién en la Selección Argentina, 1 ed. Buenos Aires: Corregidor, 2011, pp. 122-124
- ↑ a b c d e BONSANTI, Bruno (13 de agosto de 2019). «José Luis Brown se superou mais de uma vez para ajudar a tornar a Argentina bicampeã mundial». Trivela. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q r «Marcar em final de Copa seu único gol pela seleção e jogá-la com ombro deslocado: 60 anos de José Luis Brown». Futebol Portenho. 10 de dezembro de 2016. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ «No dia de São Patrício, conheça a influência irlandesa no futebol argentino». Futebol Portenho. 17 de março de 2016. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ ANÍBAL, Alexandre (11 de agosto de 2010). «Argentina x Irlanda: larga vantagem albiceleste». Futebol Portenho. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ «11 jogadores para os 110 anos do Estudiantes de La Plata». Futebol Portenho. 4 de agosto de 2015. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ COLUSSI, Luis Alberto; GURIS, Carlos Alberto; KURHY, Víctor Hugo (novembro de 2019). «Fútbol Argentino: Crónicas y Estadísticas: Asociación del Fútbol Argentino - 1ª División – 1975» (PDF). Historical Line-ups. Consultado em 1º de março de 2023
- ↑ COLUSSI, Luis Alberto; GURIS, Carlos Alberto; KURHY, Víctor Hugo (novembro de 2019). «Fútbol Argentino: Crónicas y Estadísticas: Asociación del Fútbol Argentino - 1ª División – 1982» (PDF). Historical Line-ups. Consultado em 1º de março de 2023
- ↑ a b «80 anos de Carlos Bilardo, mais que o resultadista técnico campeão de 1986». Futebol Portenho. 16 de março de 2019. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ COLUSSI, Luis Alberto; GURIS, Carlos Alberto; KURHY, Víctor Hugo (novembro de 2019). «Fútbol Argentino: Crónicas y Estadísticas: Asociación del Fútbol Argentino - 1ª División – 1983» (PDF). Historical Line-ups. Consultado em 1º de março de 2023
- ↑ «Dez anos da maior reviravolta do Argentinão: o campeão Estudiantes de Verón e Simeone». Futebol Portenho. 13 de dezembro de 2016. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ BORINSKY, Diego (3 de dezembro de 2021). «2012.TARANTINI 100x100». El Gráfico. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ «Nada de Pablo Escobar: campeã nacional e da Libertadores 2016, Medellín começou a ser forte graças a argentinos». Futebol Portenho. 28 de julho de 2016. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ a b «José Luis Brown». Historia de Boca. Consultado em 1º de dezembro de 2025
- ↑ a b c d COLUSSI, Luis Alberto; GURIS, Carlos Alberto; KURHY, Víctor Hugo (novembro de 2019). «Fútbol Argentino: Crónicas y Estadísticas: Asociación del Fútbol Argentino - 1ª División – 1985-86» (PDF). Historical Line-ups. Consultado em 1º de março de 2023
- ↑ a b «Conheça o Deportivo Español, osso duro nos anos 80 na elite argentina». Futebol Portenho. 27 de março de 2018. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ «Elementos em comum entre Boca e Racing». Futebol Portenho. 16 de dezembro de 2020. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ «65 anos de Daniel Passarella: único argentino bi mundial, o capitão de 78 é o segundo maior zagueiro-artilheiro do futebol». Futebol Portenho. 26 de maio de 2018. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ a b «Idolos de la Selección: José Luis Brown». El Gráfico. 7 de abril de 2014. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ MONTEIRO, Marcelo (13 de agosto de 2019). «Campeão mundial pela Argentina, ex-zagueiro Brown morre aos 62 anos». Globo Esporte. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ STEIN, Leandro (19 de agosto de 2019). «Para homenagear Tata Brown, os capitães na Argentina repetiram seu eterno gesto durante o minuto de silêncio». Trivela. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ BORINSKY, Diego (15 de março de 2025). «2001. Bilardo 100X100». El Gráfico. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ BORINSKY, Diego (9 de outubro de 2025). «2003: cuando Miguel Ángel Russo respondió las clásicas 100 preguntas de El Gráfico». El Gráfico. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ CECONELLO, Douglas (25 de maio de 2022). «Carlos Bilardo, o homem que ainda não sabe da morte de Maradona». Globo Esporte. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ «15 anos do breve passo de Maradona pelo Almagro». Futebol Portenho. 29 de outubro de 2015. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ «Murió el exfutbolista José Luis "Tata" Brown» (em espanhol). TN. 12 de agosto de 2019. Consultado em 12 de agosto de 2019
Ligações externas
- «José Luis Brown» (em inglês). em National Football Teams

