José Cavaquinho
| José Cavaquinho | |
|---|---|
| Nome completo | José Rebello da Silva |
| Nascimento | 20 de março de 1884 Guaratinguetá, SP |
| Morte | 1 de maio de 1951 (67 anos) Rio de Janeiro, DF |
| Gênero(s) | Choro, música popular brasileira, marchas carnavalescas |
| Ocupação | Músico, compositor, professor |
| Instrumento(s) | violão, cavaquinho, flauta transversal |
| Período em atividade | c. 1900—1950 |
José Rebello da Silva, conhecido artisticamente como José Cavaquinho (Guaratinguetá, 20 de março de 1884 — Rio de Janeiro, 1 de maio de 1951), foi um violonista, cavaquinista, flautista, maestro, compositor e professor brasileiro.
Atuou de forma destacada no ambiente musical carioca da primeira metade do século XX, sendo reconhecido como um dos pioneiros no ensino do violão popular no Brasil e por seu papel como um dos membros fundadores e diretor de harmonia do rancho carnavalesco Ameno Resedá.
Biografia
José Rebello da Silva naceu em Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, em 20 de março de 1884.[1][2] Mudou-se ainda jovem para o Rio de Janeiro, onde se integrou às rodas de choro e ao ambiente musical urbano da cidade, de onde decorre o apelido "José Cavaquinho", decorrente de sua habilidade inicial com o instrumento homônimo, que posteriormente deu lugar ao violão e à flauta como principais meios de expressão.[3]
Aprendeu a tocar o instrumento que lhe rendeu o apelido na loja e fábrica de instrumentos "Cavaquinho de Ouro", no Rio de Janeiro.[4]
Além de instrumentista, foi professor e autor de métodos práticos para cavaquinho e violão, destacando-se como um dos primeiros músicos brasileiros a sistematizar o ensino do violão popular. Foi um dos principais professores de violão do início do século XX, ao lado de Quincas Laranjeiras e João Pernambuco. Sua atividade docente formou diversos instrumentistas e contribuiu para a difusão do violão em meios populares e acadêmicos.[1][5]
Também foi funcionário do Ministério da Agricultura.[2]
Atividade musical
Sua carreira artística teve início na juventude, atuando em orquestras e se apresentando em cinemas, exercendo a função de flautista. Em 1903, quando tinha 19 anos, já no Rio de Janeiro, José participou da famosa seresta oferecida me homenagem ao aviador e inventor Alberto Santos Dumont ocorrida no dia 7 de setembro, mesmo dia em que o aviador desembarcou na cidade chegado da Europa, após sobrevoar Paris em seu balão número 9.[1][6]
José Cavaquinho compôs peças instrumentais e marchas carnavalescas, entre elas Miragem, Ypiranga e Guanabara, mencionadas em registros de época. Atuou também como músico de orquestra e flautista em cinemas e espaços culturais do Rio de Janeiro.[1][7]
Também foi membro fundador (em 1907) e diretor de harmonia do Ameno Resedá, o mais famoso de todos os ranchos carnavalescos da cidade do Rio de Janeiro.[1][8][9]
Família
José Cavaquinho foi pai de Yvonne Rebello da Silva (nascida em 1915), violonista, compositora e cantora que teve um destaque significativo na primeira metade do século XX, mas que hoje é pouco conhecida no meio violonístico.[10]
Já em 1927, aos onze anos, Yvonne participou do famoso concurso "O que é nosso", promovido pelo jornal Correio da Manhã, ficando em segundo lugar (o vencedor foi Américo Jacomino, o Canhoto), sendo chamada de "A menina do violãozinho", por usar uma versão do instrumento de tamanho menor feito para ela.[10]
Entre 1927 e 1934, José Rebello realizou diversas apresentações ao lado de sua filha Yvonne, alternando entre solos e peças em duo.[1]
Legado
José Cavaquinho faleceu no dia 1 de maio de 1951, aos 67 anos. Segundo o pesquisador Luciano Lima, não houve qualquer menção do fato nos jornais e revistas da época.[1]
Embora sua obra tenha sido parcialmente esquecida após sua morte, José Cavaquinho é lembrado por pesquisadores como figura essencial para o desenvolvimento do violão brasileiro e das marchas carnavalescas na primeira metade do século XX.[1]
Referências
- ↑ a b c d e f g h Lima, Luciano (2023). «José Rebello da Silva: pioneiro do violão brasileiro e das marchas do Ameno Resedá». Orfeu. 8 (2). doi:10.5965/2525530408022023e0209. Consultado em 22 de outubro de 2025
- ↑ a b «José Cavaquinho». Dicionário Cravo Albin. Consultado em 22 de outubro de 2025
- ↑ Pinto, Alexandre Gonçalves (1978). O choro: reminiscências dos chorões antigos. Rio de Janeiro: Funarte. pp. 55–56
- ↑ Enciclopédia da música brasileira: popular, erudita e folclórica. São Paulo: Art Editora/Publifolha. 1998
- ↑ «Enciclopédia Ilustrada do Choro no Séc. XIX: José Cavaquinho». Casa do Choro. Consultado em 22 de outubro de 2025
- ↑ Domingues, Henrique Foréis (2013) [1963]. No tempo de Noel Rosa 3ª ed. Rio de Janeiro: Sonora
- ↑ Rosa, Luciana Fernandes (2020). Relações entre escrita e oralidade na transmissão e práxis do choro no Brasil (Tese de Doutorado). São Paulo: Universidade de São Paulo. Consultado em 22 de outubro de 2025
- ↑ Jota, Efegê (1965). Ameno Resedá: O Rancho que foi escola. Rio de Janeiro: Letras e Artes
- ↑ Ribeiro, Jamerson Faria (2019). «A construção estilística do cavaquinho e os processos de transmissão musical no choro: a relação Álvares-Galdino-Canhoto». Música Popular em Revista. 6 (1). doi:10.20396/muspop.v6i1.13148. Consultado em 22 de outubro de 2025
- ↑ a b Lima, Luciano (2020). «Yvonne Rebello e Garoto: o Violão na Música de Radamés Gnattali antes da Tocata em Ritmo de Samba». Revista Vórtex. 8 (3). doi:10.33871/23179937.2020.8.3.1.5. Consultado em 22 de outubro de 2025