José Braz Alves

José Braz Alves (1901–1974) foi um empresário e cineasta português. Como empresário, dedicou-se à exploração e aluguer de barcos,[1] sendo um dos vários exemplos de portugueses endinheirados que, tendo essa base financeira, se aventuraram na realização de filmes. Esperando, talvez ganhar alguma notoriedade e reforçar o seu estatuto social.[1]

Filmografia

A sua filmografia mostra uma única realização, O Violino de João,[2][1] que estreou em 22 de maio de 1944, no Cine Tivoli, em Lisboa, com os atores João Villaret, Ada Luftmann e Igrejas Caeiro.[3][4][5][6][7][8]

Crítica

Em 16 de Junho de 1944, Miguel Coelho publicou um artigo sobre o filme O Violino de João na Gazeta dos Caminhos de Ferro, tendo descrito Braz Alves como uma «criatura desempoeirada, não pertencendo a «panelinhas» nem a «grupinhos», resolveu, sósinho [sic] fazer uma fita. Não foi procurar que lhe desse a mão, nem quem o industriasse. Resolveu e acabou-se.».[9] Sobre as más críticas que o filme recebeu na sua estreia, explicou que foram devido à origem nacional do filme, e por ter sido feito por apenas uma pessoa: «e, vá daí, toca [os críticos] a atirarem-se ao seu trabalho, como o gato se atira ao bofe, esquecendo-se que tem aparecido películas estrangeiras muitíssimo peores, mas que têm sido recebidas com grandes pompas, porque são estrangeiras». Descreveu o filme como sendo «passado entre gente de circo, com vida errante e arriscada, sofrendo desgostos e tristezas, que não são apreciadas pelo público que não se interessa por êles pois quem vai ao espectáculo é para ver e divertir-se. Não há nesta película «o pé descalço» tanto do agrado de certas camadas sociais, nem as pobrezas de uma capital, nem tão pouco a «festejada canção nacional». Foi talvez isso que não agradou aos que disseram mal.»[9] Acrescentou que «Braz Alves, completamente só e com uma corrente enorme e desfavorável, arranjou um trabalho onde poz todo o seu entusiasmo, e se não triunfou por completo, no entanto mostrou ter coragem e valor», e aconselhou a «acabar com os monopólios. Bem bastam aquêles de que não nos podemos livrar, quanto mais aturarmos o monopólio dos autores e dos realizadores».[9]

No artigo 5.ª Coluna, publicado em 14 de Junho de 1956 no jornal Diário Popular, faz-se uma possível referência ao caso de José Braz Alves, quando se menciona que «Todos nós sabemos que fazer filmes não é trabalho para toda a gente. Muito já se discutiu sobre isso, principalmente quando o cinema português estava em crise. Houve até quem escrevesse que só deveria ser permitida a realização de uma fita de fundo a um cineasta que já tivesse dado provas em dois ou três simples documentários, de temas variados. Isso, claro, para evitar desastres artisticos e financeiros (como o de Brás Alves, por exemplo), e pôr a salvo o prestigio da cinematografia lusitana.»[10]

Sobre «O violino de João», Roberto Nobre referiu que se alimentou a ideia de que fazer filmes era uma coisa fácil. “Todos se julgam realizadores natos”. (...) “Vendo o fracasso de vários, todos se julgam capazes de fazer melhor, a ponto dum homem da província, com uns apontamentos debaixo do braço e um milhar de contos na algibeira, vir proclamar, senão fazer melhor, pelo menos fazer «diferente» ” [Roberto Nobre in Seara Nova, nº 877, 3 de Junho de 1944, p. 76].[1]

Referências

  1. a b c d Nascimento, Frederico Lopes / Marco Oliveira / Guilherme. «Cinema Português». CinePT-Cinema Portugues. Consultado em 28 de julho de 2025 
  2. COSTA, Alves, Breve história do cinema português (1896-1962), pg. 133, Instituto de Cultura Portuguesa - M.E.I.C.
  3. «Filmes: O Violino do João». cinemaportuguesmemoriale.pt. Consultado em 28 de julho de 2025 
  4. Alves, Bras; Braga, Erico; D'Oliveira, Emilia (22 de maio de 1944), O Violino do João, consultado em 28 de julho de 2025 
  5. Vanguardia, La (28 de julho de 2025). «O Violino de João (película 1944) - Tráiler. resumen, reparto y dónde ver. Dirigida por José Brás Alves». La Vanguardia (em espanhol). Consultado em 28 de julho de 2025 
  6. «Filmes». cinemaportuguesmemoriale.pt. Consultado em 28 de julho de 2025 
  7. O Violino de João (1944) (em inglês), consultado em 28 de julho de 2025 
  8. «O Violino de João | Film 1944 | TV-MEDIA». tv-media.at (em alemão). Consultado em 28 de julho de 2025 
  9. a b c COELHO, Miguel (16 de Junho de 1944). «Repositorio de assuntos referentes a Teatro e a Cinema: «O Violino de João»» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 56 (1356). Lisboa. p. 260. Consultado em 27 de Julho de 2025 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  10. «5.ª Coluna» (PDF). Diário Popular. Ano XIV (4916). Lisboa. 14 de Junho de 1956. p. 17. Consultado em 27 de Julho de 2025 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa