José Blanco
Gestor cultural e pessoano

| Nascimento | |
|---|---|
| Morte |
19 de julho de 2025 (91 anos) |
| Nome nativo |
José Júlio Pereira Cordeiro Blanco |
| Cidadania | |
| Atividade |
Investigador |
| Empregador |
|---|
José Júlio Pereira Cordeiro Blanco, mais conhecido apenas como José Blanco (19/02/1934 - Lisboa, 19/07/2025 - Lisboa) foi um pessoano português, com uma longa carreira profissional ligada à Fundação Calouste Gulbenkian.
Biografia
Nasceu em 1934 [1] e licenciou-se em Direito na Universidade de Lisboa.[2]
Quase toda a sua carreira profissional foi passada na Fundação Calouste Gulbenkian, onde esteve de de 1961 a 2004,[2] e foi administrador durante cerca de trinta anos,[3] desde 1974 até à sua jubilação.[1] Integrou-se na Fundação como adjunto para os assuntos petrolíferos, tendo sido colocado em Londres, como representante da Fundação na Iraq Petroleum Company.[4] Em 1963 voltou a Portugal, passando a ocupar o posto de director-adjunto do Serviço da Presidência.[4] Em 1968 foi nomeado para secretário do Conselho de Administração e, em 1974, cooptado como administrador pelo Conselho de Administração da Fundação, tendo gerido os pelouros da Música e Bailado (Serviço de Música), do Serviço Internacional (incluindo o Centre Culturel Portugais, em Paris) e a revista Colóquio/Letras.[4] Nestas funções, destacam-se:
- a promoção do desenvolvimento artístico e profissional da Orquestra, do Ballet e do Coro Gulbenkian e o contacto do público português com os grandes intérpretes do nosso tempo, o incentivo à criação musical, o apoio e a formação de compositores e jovens músicos e o tratamento de património musical histórico.
- a vitalização da língua, da história, da arte e da literatura portuguesas no estrangeiro, nomeadamente em universidades, bem como o restauro, recuperação e estudo do património edificado de origem portuguesa em todo o mundo, incluindo fortalezas, igrejas, bibliotecas, palácios, museus, arquivos, pinturas murais e livros.[4]
Entre 1972 e 1974 fez uma comissão de serviço militar na Guiné (Bissau), tendo sido chefe de gabinete de António de Spínola e colaborado na produção da obra Portugal e o Futuro, que teve um grande impacto sobre a ditadura.[3]
Foi igualmente um importante investigador sobre Fernando Pessoa, com relevo para a publicação, em 1983,[2] do Esboço de uma bibliografia (activa e passiva) do grande poeta, para além de ter levado a cabo um grande número de trabalhos e conferências para o estudo e a promoção da obra de Pessoa.[1]
Em 2008 publicou a Pessoana - uma bibliografia passiva, selectiva e temática de Fernando Pessoa, considerada uma obra de referência para os pessoanos (entradas de textos sobre o poeta, publicados até fins de Dezembro de 2004).[1] Foi comissário de exposições sobre Pessoa em Londres e Paris, em 1985, e marcou presença em vários congressos internacionais sobre o tema.[5]
Alguns anos antes do seu falecimento, doou à Casa Fernando Pessoa a maior parte da sua biblioteca pessoal, que incluía milhares de livros, periódicos, e um conjunto de artigos de imprensa sobre Fernando Pessoa.[1] Colaborou igualmente com a Fundação Casa de Mateus na organização do evento Cultura em Diálogo desde o seu início, em 1977, que prosseguiu ao longo dos anos seguintes.[5]
Foi homenageado com o graus de grande-oficial da Ordem do Infante D. Henrique em 9 de Junho de 1995, e da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada em 14 de Junho de 2004.[6] No estrangeiro, foi condecorado com o grau de cavaleiro da Ordem Nacional do Leão do Senegal, e o mesmo grau na Ordem de Santo Olavo da Noruega, ambos recebidos em 20 de Janeiro de 1981, e em 6 de Fevereiro de 1992 foi agraciado com a grã-cruz da ordem de Ouissam Alaoui, de Marrocos.[7]
Foi Honorary Fellow do King's College London e Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.[8]
Foi também presidente de relevantes organizações de cultura e património, como o Grupo dos Amigos do Museu Nacional de Arte Antiga (GAMNAA) e a World Monuments Fund (Portugal).
Faleceu em 19 de Julho de 2025, na cidade de Lisboa, aos 91 anos de idade.[9]
Na sequência da sua morte, a Fundação Calouste Gulbenkian evocou a sua longa carreira na instituição, destacando principalmente o seu importante contributo nos serviços internacional e de música.[4]. Também a Casa Fernando Pessoa emitiu uma nota de pesar, recordando o seu contributo para o estudo sobre a vida do poeta.[1] O seu falecimento também foi ainda lamentado pela Fundação da Casa de Mateus, que classificou José Blanco como uma «figura de excecional dimensão intelectual e cívica», e relembrou a sua colaboração na iniciativa Cultura em Diálogo, considerando que «a sua presença amiga e o seu contributo, tanto pessoal como institucional, deixaram uma marca indelével na nossa memória coletiva e no percurso desta Fundação».[5]
Referências
- ↑ a b c d e f «Nota de pesar • José Blanco». Casa Fernando Pessoa. 21 de Julho de 2025. Consultado em 14 de Outubro de 2025
- ↑ a b c «José Blanco». Porto Editora. Consultado em 14 de Outubro de 2025
- ↑ a b SALEMA, Isabel (20 de Julho de 2025). «Morreu José Blanco, administrador da Gulbenkian e pessoano». Público. Consultado em 14 de Outubro de 2025
- ↑ a b c d e «José Blanco (1934-2025)». Fundação Calouste Gulbenkian. Consultado em 14 de Outubro de 2025
- ↑ a b c «Nota de Pesar - José Blanco». Fundação Casa de Mateus. 21 de Julho de 2025. Consultado em 14 de Outubro de 2025
- ↑ «Entidades nacionais agraciadas com ordens portuguesas». Ordens Honoríficas Portuguesas. Presidência da República Portuguesa. Consultado em 15 de Outubro de 2025
- ↑ «Entidades nacionais agraciadas com ordens estrangeiras». Ordens Honoríficas Portuguesas. Presidência da República Portuguesa. Consultado em 15 de Outubro de 2025
- ↑ «Entrega do título de Doutor Honoris Causa». Universidade Federal do Rio de Janeiro. 7 de Setembro de 2004. Consultado em 15 de Outubro de 2025
- ↑ FERRO, Carlos (20 de Julho de 2025). «Morreu José Blanco, ex-administrador da Gulbenkian». Diário de Notícias. Consultado em 16 de Outubro de 2025