José Antônio Pereira


José Antônio Pereira

Óleo sobre tela por Fausto Furlan
Nascimento
Morte
11 de janeiro de 1900 (74 anos)

Nacionalidadebrasileiro
OcupaçãoDesbravador e agropecuarista

José Antônio Pereira (Barbacena, 19 de março de 1825Campo Grande, 11 de janeiro de 1900) foi um desbravador e agropecuarista brasileiro, associado à fundação do núcleo inicial de povoamento que deu origem ao atual município de Campo Grande, então situado no sul da província de Mato Grosso. Sua atuação insere-se no contexto da expansão da fronteira agropecuária oitocentista e da ocupação de terras devolutas no interior do Brasil, intensificada no período posterior à Guerra do Paraguai.[1]

Contexto histórico

A trajetória de José Antônio Pereira insere-se no movimento mais amplo de ocupação do interior do Império do Brasil ao longo da segunda metade do século XIX. O término da Guerra do Paraguai (1864–1870) intensificou os fluxos migratórios internos, especialmente de famílias oriundas de Minas Gerais, em direção às áreas pouco povoadas do sul da província de Mato Grosso. Esse processo foi estimulado tanto pelos relatos de militares sobre a fertilidade das terras quanto pela política de ocupação de áreas consideradas devolutas, marcada pela expansão da agropecuária extensiva e pela formação de núcleos rurais de base familiar.

Nesse contexto, a fundação de povoados resultou menos de iniciativas estatais planejadas e mais da ação de agentes locais que combinavam trabalho agrícola, criação de gado e redes de sociabilidade baseadas em parentesco, compadrio e alianças matrimoniais. A formação do núcleo que deu origem a Campo Grande reflete esse padrão histórico, no qual práticas produtivas, saberes empíricos e relações comunitárias foram decisivas para a fixação da população e a posterior institucionalização do espaço urbano.[1]

A viagem para o Oeste

Origens familiares

Nascido no antigo Arraial de Nossa Senhora da Piedade da Borda do Campo, atual Barbacena, era filho de Manuel Antônio Pereira e de Francisca de Jesus Pereira.[2] Ainda jovem, transferiu-se para São João del-Rei, onde se casou com Maria Carolina de Oliveira. Posteriormente, estabeleceu-se no povoado de São Francisco das Chagas do Monte Alegre, em Minas Gerais.[3] O crescimento da família e a limitação das terras disponíveis levaram-no a buscar novas alternativas de subsistência, encontradas na ocupação de terras devolutas no oeste do Império.

A primeira viagem

No contexto posterior ao fim da Guerra do Paraguai, relatos de militares sobre a existência de extensas áreas propícias à criação de gado no Mato Grosso estimularam a migração de famílias mineiras para a região. Em 1872, José Antônio Pereira organizou uma primeira comitiva em direção ao sul da província.[4] Durante o trajeto, identificou terras adequadas à pecuária na região onde mais tarde se desenvolveria Campo Grande, na confluência dos córregos posteriormente denominados Segredo e Prosa. Ali construiu um rancho e iniciou o cultivo de uma pequena roça.[4]

A segunda viagem

Em 1875, liderando uma comitiva composta por cerca de 65 pessoas, em sua maioria familiares, José Antônio Pereira retornou definitivamente à região, com o objetivo de consolidar a ocupação iniciada anos antes.[5]

O início de Campo Grande

Em 14 de agosto de 1875, ao chegar ao local onde havia deixado sua propriedade, encontrou Manuel Vieira de Sousa, conhecido como Manuel Olivério.[6], também mineiro, natural de Prata, que havia se estabelecido na área. Após negociações, os dois firmaram uma parceria, dando início a um núcleo estável de povoamento. As relações entre as famílias foram fortalecidas por vínculos matrimoniais, constituindo a primeira geração de habitantes permanentes da localidade.

Medicina sertaneja e práticas de cuidado

Além de sua atuação como agricultor e pecuarista, José Antônio Pereira destacou-se pelo exercício da chamada medicina sertaneja, conjunto de práticas empíricas de cuidado amplamente difundidas no meio rural brasileiro do século XIX.[7] Prestava atendimento à população local por meio de práticas empíricas, como o tratamento de fraturas, feridas e doenças comuns, o preparo de unguentos, chás, xaropes e garrafadas, bem como a assistência a partos. Também atuava como benzedor, prática amplamente difundida no meio rural brasileiro do século XIX.

Ainda em vida, testemunhou a elevação do arraial à condição de vila e, posteriormente, de município, em 1899, marco do processo de institucionalização administrativa da localidade.[8]

Ver também

Referências

Bibliografia

Bloch (1989). Manchete. Edições 1924–1932. Rio de Janeiro: Bloch Editores. p. 188 

Arquitetura, urbanismo: AU. Edições 87–92. São Paulo: Pini. 1978. p. 54 

Batista Mitidiero, Marilda; Castilho, Maria Augusta de (2009). «Os saberes locais: o patrimônio do Museu José Antônio Pereira no contexto do ensino da história» (PDF). Rede de Saberes 

Ligações externas

«Site sobre José Antônio Pereira» 

«História de Campo Grande»