José António Plácido Lobo da Silveira Quaresma

D. José António Plácido Lobo da Silveira Quaresma, que viveu entre 1769 e 1844, foi uma das figuras de [1]relevo da nobreza portuguesa na transição do século XVIII para o XIX. A sua vida decorreu num dos períodos mais conturbados da história de Portugal, marcado por profundas transformações políticas e sociais, durante o qual soube consolidar uma posição de enorme prestígio e influência na corte.

Detentor de um património nobiliárquico vasto, D. José acumulou os títulos de 13.º Barão de Alvito, 3.º Marquês de Alvito e 7.º Conde de Oriola. O seu reconhecimento público foi selado em 1826, quando foi nomeado Par do Reino, e através das diversas comendas que recebeu nas prestigiadas Ordens de Cristo (como as de S. Tiago de Adeganhe e S. Martinho de Ruivães) e de Santiago (Nossa Senhora da Represa e S. Salvador de Santarém).

A sua carreira foi pautada por uma presença constante junto da família real e pelo serviço às armas. Serviu como gentil-homem da câmara da rainha D. Maria I e, mais tarde, desempenhou o cargo de estribeiro-mor de D. Pedro IV. Paralelamente, seguiu a via militar, onde alcançou a patente de major no Estado-Maior.

No plano pessoal, a sua vida foi marcada por dois matrimónios e pelos desafios da sucessão familiar. Casou-se em primeiras núpcias, em 1792, com D. Isabel Vicência Inês da Cunha e Lorena, descendente de ilustres casas como a dos Condes de S. Vicente e dos Duques de Cadaval. Desta união nasceram nove filhos; contudo, o destino da sucessão da Casa de Alvito sofreu um revés com a morte prematura do herdeiro varão, D. Fernando, em 1819. Este facto fez com que a herança dos títulos recaísse sobre a sua filha, D. Henriqueta Policarpa, que viria a tornar-se a 15.ª Baronesa de Alvito e 9.ª Condessa de Oriola.

Após enviuvar, D. José casou-se novamente em 1832 com D. Maria Isabel da Silveira Sande e Vasconcelos, dama da câmara da rainha D. Carlota Joaquina. O fidalgo faleceu a 3 de março de 1844, deixando um legado que não só preservou a memória da sua linhagem, como ilustrou a crescente relevância da sucessão feminina na aristocracia da época.[2]

  1. da Silveira Pinto, Albano. Resenha das familias grandes titulares de Portugal. Lisboa: Empreza editora de Francisco Arthur da Silva. p. 80 
  2. Forjaz, Alexandra (2025). Alvito e os barões de Alvito. [S.l.]: Tecto de Nuvens