Jorge Mendonça

Jorge Mendonça
Informações pessoais
Nome completo Jorge Pinto Mendonça
Data de nascimento 6 de junho de 1954
Local de nascimento Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil
Data da morte 17 de fevereiro de 2006 (51 anos)
Local da morte Campinas, São Paulo, Brasil
Altura 1,79 m
destro
Apelido Jojô Beleza
Informações profissionais
Período em atividade 1972–1990 (19 anos)
Posição atacante
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos e gol(o)s
1972–1973
1973–1975
1976–1980
1980
1980–1982
1983–1985
1986
1986
1987
1987
1988
1988–1989
1990
Bangu
Náutico
Palmeiras
Vasco
Guarani
Ponte Preta
Cruzeiro
Rio Branco-ES
Colorado-PR
Ponte Preta
Colorado-PR
Ponte Preta
Paulista
000? 000(23)
000? 000(95)
0219 00(103)
0021 000(11)
000? 000(88)
0057 000(41)
0020 000(12)
0010 0000(1)
0005 0000(5)
0004 0000(4)

0030 000(25)
Seleção nacional
1978 Brasil 0011 0000(2)

Jorge Pinto Mendonça, conhecido apenas por Jorge Mendonça (Silva Jardim[1], 6 de junho de 1954[2]Campinas, 17 de fevereiro de 2006[3]), foi um futebolista brasileiro.[4]

Ponta-de-lança habilidoso e finalizador, fez 411 gols em toda a sua carreira.[1]

Biografia

Carreira

Fluminense de Silva Jardim, profissionalizou-se no Bangu[5], em 1972.[1][2][6] Em seu estreia, em 15 de janeiro de 1972, marcou 2 gols contra o São Cristóvão, pelo Torneio Romeu Dias Pinto.[7] Pelo clube marcou 23 gols.[3][6]

No ano seguinte, seguiu para Pernambuco, onde defendeu o Náutico de 1973 até 1975, começou como "reserva de luxo"[8] que decidia vários jogos, até se tornar um dos maiores artilheiros da história do clube e ídolo da equipe pernambucana. Sagrou-se campeão estadual em 1974[2], sendo artilheiro da competição com 24 gols[1][3], e também campeão de um torneio regional em 1975. Um fato curioso ocorreu durante uma partida válida pelo campeonato pernambucano de 1974, onde Jorge Mendonça foi autor dos oito gols na vitória do Náutico 8 x 0 Santo Amaro.[1][6]

O brilho nos gramados pernambucanos atraiu os olhares dos dirigentes do Palmeiras, que contrataram Jorge Mendonça em 1976.[6][9][10] Já naquele ano, marcou o gol do título paulista daquele ano[1][3], no Palestra Itália, contra o XV de Piracicaba.[2][6][9][10]

Depois de participar de alguns amistosos, foi convocado para disputar a Copa do Mundo de 1978 com a camisa da Seleção Brasileira.[1] Convocado por Cláudio Coutinho, fez 6 partidas e não marcou nenhum gol na Copa, mas com seus refinados dribles e passes conseguiu colocar ninguém menos que Zico no banco de reservas.[1] Uma história curiosa envolvendo sua participação no torneio foi justamente em sua primeira partida, contra a Espanha, na primeira fase: Coutinho lhe pediu que se preparasse para entrar no lugar de Zico ainda no início do segundo tempo, mas Mendonça somente foi entrar em jogo aos 38 minutos, já quase ao final da partida.[3][11] Nas suas 11 apresentações com a camisa amarela, foram sete vitórias e quatro empates[11], além de dois gols marcados.[1][2][3][12]

Após a competição, Jorge Mendonça voltou ao Palmeiras para terminar o ano com o vice-campeonato nacional.[1] Telê Santana foi o responsável por sua dispensa no clube após um jogo contra o Flamengo, no Rio, em que o meia deixou a concentração para se divertir na noite carioca.[11] Ficou no clube até 1980[13], marcando 103 gols em 219 partidas (114 vitórias, 62 empates, 43 derrotas).[9]

Teve uma rápida passagem pelo Vasco em 1980, onde fora contratado por 12 milhões de cruzeiros[14] para preencher a ausência do ídolo Roberto Dinamite, sem alcançar muito sucesso.

Chegou ao Guarani em junho de 1980[15] para ocupar o lugar deixado por Renato Morungaba e se transformou num ‘fazedor de gols’ até 1982.[16] O primeiro deles aconteceu em 22 de junho de 1980, contra o XV de Piracicaba.[17] Em 27 de março de 1981, faturou a Taça de Prata[18], sendo destaque ao lado de Careca.[15] Foi o maior artilheiro em uma edição do Campeonato Paulista depois de Pelé, ao anotar 38 tentos em 1981.[1] Neste campeonato, conseguiu um outro feito: Tornou-se o primeiro jogador a marcar gols contra os 4 grandes paulistas no mesmo ano.[19] Fez 88 gols pelo clube, se tornando o 8º maior artilheiro.[17]

Ficou famoso também por suas brigas com o técnico Telê Santana desde os tempos de Palmeiras. Telê o acusava de ser indisciplinado e pouco aplicado na marcação. O rígido treinador não lhe deu uma única chance na Seleção que disputaria a Copa do Mundo de 1982, quando vivia grande fase no Guarani.[11][20]

De 1983 a 1985, defendeu o rival campinense, a Ponte Preta.[1][21] Naquele ano de 1985, no Dérbi 153 realizado no dia 9 de junho, marcou dois gols na vitória pontepretana por 3 a 0.[21] Retornou ao clube e participou da campanha do acesso ao Paulistão em 1989.[22] Marcou 70 gols pela Macaca, em suas três passagens entre 1983 e 1989, sendo o 14º maior artilheiro do clube.[21]

Ainda passou por Cruzeiro (1985), Rio Branco (1986), no extinto Colorado (1987 a 1989).[3] A aposentadoria veio em 1990, com a camisa do Paulista de Jundiaí.[1][6]

Aposentadoria e morte

Ao final da carreira, fixou residência em Campinas, cidade onde conseguiu ser ídolo das duas equipes arquirrivais, Guarani e Ponte Preta. Atravessou uma série de dificuldades financeiras, de saúde (alcoolismo) e familiares.[3] Ele teve quatro internações em clínicas, só uma com ele sóbrio.[3] Mendonça teria sido passado para trás em sociedades com parentes da ex-esposa e foi abandonado pelos três filhos do casal, refugiando-se, então, na residência dos seus pais. No entanto, ao fim da vida, conseguiu recuperar parte de sua dignidade, participando de um projeto infantil do Guarani.[2][3]

Faleceu devido a problemas cardíacos, aos 51 anos.[2][23] Está sepultado em Valinhos, cidade próxima a Campinas.[20][24]

Em 2010, estava prevista uma homenagem a Jorge Mendonça pela Direção de Cultura do município de Silva Jardim, sob o comando da diretora Carmem Valéria de Castro. O acervo teria como principal elemento a camisa 19 que o craque utilizou na Copa do Mundo de 1978. O objetivo da Casa de Cultura de Silva Jardim é resgatar a memória do grande ídolo, um patrimônio da cidade. O ginásio poliesportivo local chama-se Jorge Pinto Mendonça. Mendonça, apelidado de "Jojô Beleza" nos tempos de Palmeiras. Também foi homenageado pela Prefeitura de Campinas, que deu seu nome a uma rua do Bairro Dic I (Conjunto Habitacional Monsenhor Luiz Fernando Abreu).[25]

Títulos

Náutico

Palmeiras[9]

Guarani

Individuais

Artilharias

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n «Jorge Mendonça: o homem que mandou Zico para o banco de reservas». Clube Náutico Capibaribe. Consultado em 7 de março de 2022 
  2. a b c d e f g «Jorge Mendonça morre de infarto aos 51 anos em Campinas - 17/02/2006 - UOL Esporte - Futebol». www.uol.com.br. Consultado em 7 de março de 2022 
  3. a b c d e f g h i j «Jorge Mendonça - Que fim levou?». Terceiro Tempo. Consultado em 7 de março de 2022 
  4. «Morre ex-jogador Jorge Mendonça, aos 51 anos» 
  5. «Bangu Atlético Clube » Jorge Mendonça». Consultado em 9 de março de 2022 
  6. a b c d e f Abril, Editora (março de 2006). Placar Magazine. [S.l.]: Editora Abril. Consultado em 19 de janeiro de 2026 
  7. «Jorge Mendonça». docs.ufpr.br. Consultado em 9 de março de 2022 
  8. «O Náutico tem um bom reserva: Jorge Mendonça». Jornal da Tarde. 25 de agosto de 1973 
  9. a b c d «JORGE MENDONÇA – Palmeiras». SE Palmeiras. Consultado em 19 de janeiro de 2026 
  10. a b Palmeiras; Esportes; Futebol; Editora, On Line (8 de novembro de 2017). Palmeiras Edição Histórica (em inglês). [S.l.]: On Line Editora. Consultado em 19 de janeiro de 2026 
  11. a b c d «Jorge Mendonça: Coutinho e os 22 minutos». Ludopédio. Consultado em 7 de março de 2022 
  12. Napoleão, Antonio Carlos; Assaf, Roberto (2006). Seleção brasileira: 1914-2006. [S.l.]: Mauad Editora Ltda. ISBN 978-85-7478-186-0. Consultado em 19 de janeiro de 2026 
  13. Marques, Wagner Luiz (28 de setembro de 2012). Sociedade Esportiva Palmeiras. [S.l.]: Clube de Autores. Consultado em 19 de janeiro de 2026 
  14. Abril, Editora (junho de 1980). Placar Magazine. [S.l.]: Editora Abril. Consultado em 19 de janeiro de 2026 
  15. a b c «Jorge Mendonça artilheiro e final sem Careca: relembre o título do Guarani da Taça de Prata de 81». ge. Consultado em 7 de março de 2022 
  16. «Jorge Mendonça, o melhor de todos os tempos do Guarani - Futebol Interior». www.futebolinterior.com.br. Consultado em 7 de março de 2022 
  17. a b Rodrigues, Carlos (8 de janeiro de 2018). «Os dez maiores artilheiros da história do Bugre». Correio. Consultado em 19 de janeiro de 2026 
  18. a b DevRocket <devrocket.com.br>, Futebol Interior <futebolinterior com br> | (27 de março de 2021). «Confira todos os jogadores que conquistaram a Taça de Prata de 1981». Consultado em 3 de maio de 2025 
  19. «Alan Kardec comenta seu incrível e inédito feito: gols nos quatro grandes no mesmo ano jogando por eles». ESPN. Uol. Consultado em 21 de agosto de 2017 
  20. a b «Ídolos inesquecíveis 8: Jorge Mendonça». Globo Esporte. Globo.com. Consultado em 21 de agosto de 2017 
  21. a b c «Craque Jorge Mendonça, que completaria 69 anos na última terça (6), deu show no Dérbi 153 em 9 de junho de 1985: 3 a 0 no Brinco de Ouro - A. A. PONTE PRETA». 9 de junho de 2023. Consultado em 19 de janeiro de 2026 
  22. «Jorge Pinto Mendonça - A. A. PONTE PRETA». Consultado em 19 de janeiro de 2026 
  23. «GloboEsporte.com > Futebol > Cruzeiro - NOTÍCIAS - Morre o meia Jorge Mendonça». ge.globo.com. Consultado em 19 de janeiro de 2026 
  24. «Mendonça: Adeus à glória e à penúria». Globo Esporte. Globo.com. Consultado em 21 de agosto de 2017 
  25. «Bairro de Campinas eterniza Guarani de 78 com ruas em homenagens aos campeões». ge. Consultado em 9 de março de 2022 
  26. Abril, Editora (28 de dezembro de 1979). Placar Magazine. [S.l.]: Editora Abril. Consultado em 19 de janeiro de 2026 
  27. «Bola de Prata 1979: como ficou a seleção do Campeonato Brasileiro». ESPN.com. 4 de dezembro de 2024. Consultado em 19 de janeiro de 2026