John Wimber

[carece de fontes?]

John Wimber
Nascimento25 de fevereiro de 1934
Kirksville
Morte17 de novembro de 1997 (63 anos)
Condado de Orange
CidadaniaEstados Unidos
CônjugeCarol Wimber-Wong
Ocupaçãoautor, teólogo
Instrumentoinstrumento de teclas
ReligiãoVineyard

John Richard Wimber foi um teólogo e líder eclesiástico norte-americano, fundador do movimento Vineyard e um dos principais nomes da chamada “Terceira Onda do Espírito Santo”. Sua teologia, conhecida por integrar a prática de dons espirituais à vida cotidiana da igreja, foi fortemente moldada por uma visão de “Teologia do Reino”, segundo a qual os cristãos são chamados a manifestar no presente as realidades futuras do Reino de Deus — como curas, milagres e libertações.[1]

Embora essa ênfase tenha atraído muitos adeptos e impulsionado uma espiritualidade vibrante, a proposta de Wimber é teologicamente problemática sob diversos aspectos. Ao afirmar que a igreja pode “trazer o Reino” ou “antecipar suas realidades”, Wimber dilui a distinção escatológica bíblica entre o “já” e o “ainda não”. Em sua tentativa de equilibrar as duas dimensões, acaba promovendo uma expectativa triunfalista que tende a substituir a esperança futura pela experiência presente. Essa leitura fragiliza a compreensão reformada de que o Reino de Deus é, antes de tudo, obra soberana de Deus consumada em Cristo, não algo que a igreja possa produzir por meio de manifestações espirituais.[2]

Além disso, a prática wimberiana de sinais e maravilhas desloca o centro da fé da cruz para o poder, confundindo o testemunho cristão com demonstrações espetaculares e subjetivas. Essa inversão teológica afasta a comunidade cristã do modelo apostólico, em que o sofrimento e a perseverança eram sinais do Reino, não sua negação. Ao reinterpretar a missão como um “continuar as obras de Jesus” no mesmo sentido de poder e milagre, Wimber enfraquece a singularidade da obra redentora de Cristo e redefine o papel da igreja como agente de manifestação, não de proclamação.[3]

Do ponto de vista exegético, sua leitura de passagens como Lucas 10 e João 14 ignora a natureza histórica e redentiva do ministério de Cristo, transformando textos específicos em mandatos universais. Isso produz uma teologia da experiência, em que a validade da fé depende da evidência do poder espiritual.[4]

Em suma, embora Wimber tenha buscado recuperar uma dimensão prática e viva do Espírito Santo na missão da igreja, sua teologia incorre em escatologia sobre-realizada, subjetivismo espiritual e pragmatismo eclesiológico. O resultado é um modelo de ministério que exalta o poder visível, mas empobrece a profundidade bíblica e a centralidade da cruz.[5]

Diversos estudiosos reformados apontaram fragilidades sérias na teologia de Wimber. O artigo da Christian Research Institute observa que sua ênfase excessiva na experiência o levou a afirmar que “em algum ponto o pensamento crítico deve ser deixado de lado”, o que representa “um perigo teológico considerável” (EQUIP, 1990). Da mesma forma, críticos ligados à Church Society destacam que “Wimber frequentemente traz sua experiência ao texto bíblico e o interpreta à luz dela” (KAMMER, 1993), evidenciando um uso subjetivista e seletivo da Escritura.

Entre teólogos reformados, J. I. Packer reconhece que Wimber procurava sinceramente restaurar o vigor espiritual da igreja, mas adverte que sua teologia “carece de ancoragem na doutrina da soberania de Deus e na suficiência da Escritura” (PACKER, 1991). James M. Boice também critica o movimento Vineyard por substituir o evangelho da cruz por uma espiritualidade de resultados, observando que “o evangelho não é demonstrado por poder, mas proclamado pela Palavra” (BOICE, 1995).

Essas avaliações convergem para um mesmo ponto: a tentativa de “trazer as realidades do Reino” acaba por deslocar o foco da fé bíblica. A igreja não é chamada a realizar o Reino por meio de manifestações, mas a testemunhar fielmente a vitória consumada de Cristo, aguardando com esperança a sua plena revelação. Nesse sentido, a tradição reformada reafirma que o Reino de Deus é presente em promessa e poder espiritual, mas sua plenitude é exclusivamente escatológica, não humana.[6]

  1. «Wimber, John». Brill's Encyclopedia of Global Pentecostalism Online. Consultado em 31 de outubro de 2025 
  2. De Vos, J.C. (janeiro de 1954). «Evaluation of the quality of a blackbody». Physica (7-12): 669–689. ISSN 0031-8914. doi:10.1016/s0031-8914(54)80181-9. Consultado em 31 de outubro de 2025 
  3. De redacció, Equip (1 de julho de 1990). «Editorial». Papers. Revista de Sociologia. 7 páginas. ISSN 2013-9004. doi:10.5565/rev/papers/v34n0.1556. Consultado em 31 de outubro de 2025 
  4. Kammer, Linda (abril de 1993). «Stigmatization of the Psychiatric Patient: Future Perspectives for Healthcare Professionals». Hospital Topics (2): 20–24. ISSN 0018-5868. doi:10.1080/00185868.1993.10543719. Consultado em 31 de outubro de 2025 
  5. Packer, L. (1 de janeiro de 1991). «The bioenergetics of salt tolerance». Consultado em 31 de outubro de 2025 
  6. Harinck, George (5 de dezembro de 2024). «Bavinck and Pedagogy». BRILL: 181–202. ISBN 978-90-04-71125-9. Consultado em 31 de outubro de 2025