Joaquim Carneiro da Silva
| Joaquim Carneiro da Silva | |
|---|---|
![]() Retrato do Marquês de Pombal, desenho de Joaquim Carneiro da Silva, Museu Nacional de Arte Antiga. | |
| Nascimento | 1727 Porto, Portugal |
| Nacionalidade | Portuguesa |
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Joaquim Carneiro da Silva (Porto, 25 de Julho de 1727 – 1818) foi um desenhador, gravador e pedagogo português cuja actividade marcou profundamente o ensino do desenho e da gravura em Portugal na transição do século XVIII para o XIX. É considerado uma das figuras mais importantes da gravura portuguesa setecentista e um precursor do ensino artístico público.
Vida e obra
Joaquim Carneiro da Silva nasceu no Porto, havendo divergências quanto ao ano exacto do seu nascimento: algumas fontes referem 1727, enquanto outras indicam 1732.[1][2]
Formou-se inicialmente no Brasil, trabalhando na Casa da Moeda do Brasil sob a orientação do gravador João Gomes. Posteriormente viajou para Roma e Florença, onde estudou com Ludovico Stern. Em 1762 fixou-se em Lisboa a convite do Marquês de Pombal, integrando a Casa da Moeda de Lisboa.
Fundou e dirigiu a *Aula de Gravura* da Impressão Régia (1769–1788) e leccionou desenho no Real Colégio dos Nobres e na Casa Literária do Arco do Cego. Entre as suas obras teóricas destacam-se o *Breve Tratado Teórico das Letras Tipográficas* (1803), dedicado à Impressão Régia, e a *Apologia da Preeminência da Arte da Escultura, sobre a de Fundir Estátuas de Metal* (1789).[1]
Contributo para o ensino artístico
Um dos papéis mais significativos de Carneiro da Silva foi o de reformador do ensino do desenho em Portugal. O estudo de Ana Margarida Ferreira — Joaquim Carneiro da Silva e o Plano da Aula Pública de Desenho de Lisboa: contributo para a história do ensino das Belas-Artes em Portugal, publicado nos *Anais – série História* (n.os 11–12, pp. 165–184) — demonstra que o artista esteve na origem de um projeto sistemático de ensino artístico público em Lisboa.[3]
O seu *Plano da Aula Pública de Desenho*, datável da década de 1770, procurava institucionalizar o ensino do desenho como base comum a todas as artes — pintura, escultura e arquitetura — antecipando os modelos académicos que viriam a consolidar-se com a criação da Academia de Belas-Artes de Lisboa em 1836. O plano defendia uma pedagogia centrada no estudo da figura humana e na cópia de modelos clássicos, bem como a ligação entre arte e utilidade pública. Carneiro da Silva foi o precursor das reformas pedagógicas que estruturaram o ensino artístico português na época moderna.
Importância e legado
Joaquim Carneiro da Silva é considerado o mais relevante gravador português da segunda metade do século XVIII.[4] A sua acção combinou excelência técnica e visão teórica, tendo contribuído para definir o estatuto do artista na sociedade ilustrada portuguesa. Os seus desenhos e gravuras de grande virtuosismo gráfico estão representados em várias colecções públicas, incluindo o Museu Nacional de Arte Antiga e o Museu Nacional de Machado de Castro.
Referências
- ↑ a b «SILVA, Joaquim Carneiro da». Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Consultado em 25 de outubro de 2025
- ↑ «As poucas notas que os biógrafos de Carneiro da Silva...» (PDF). LER – Letras da Universidade do Porto. Consultado em 25 de outubro de 2025
- ↑ Ana Margarida Ferreira. «Joaquim Carneiro da Silva e o Plano da Aula Pública de Desenho de Lisboa: contributo para a história do ensino das Belas-Artes em Portugal». Anais – série História, 11–12, pp. 165–184. Consultado em 25 de outubro de 2025
- ↑ «Joaquim Carneiro da Silva (1727–1818). Desenhador e gravador». Agenda LX. Consultado em 25 de outubro de 2025
Ligações externas
- Biografia na Imprensa Nacional-Casa da Moeda
- Exposição “Joaquim Carneiro da Silva (1727–1818). Desenhador e gravador”, MNAA
- Artigo sobre o estatuto do artista no século XVIII (LER – Letras da Universidade do Porto)
- Obras de Joaquim Carneiro da Silva no The Metropolitan Museum of Art
- Estampa “Anunciação” de Joaquim Carneiro da Silva, blog Velharias do Luís
Ver também
- Gravura em Portugal
- História do ensino artístico em Portugal
- Real Colégio dos Nobres
- Impressão Régia
- Academia de Belas-Artes de Lisboa
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