Joachim Prinz
| Joachim Prinz | |
|---|---|
![]() Prinz na década de 1970 | |
| Conhecido(a) por | Ativismo contra o Partido Nazista Coorganizador da Marcha sobre Washington Sionismo |
| Nascimento | 10 de maio de 1902 |
| Morte | 30 de setembro de 1988 (86 anos) Livingston, Nova Jérsia, Estados Unidos |
| Cônjuge |
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| Filho(a)(s) | 4 |
| Alma mater | Universidade de Giessen (PhD) Seminário Teológico Judaico da Breslávia [en] |
| Ocupação | Rabino |
Joachim Prinz (Burkardsdor [en], 10 de maio de 1902 – Livingston, 30 de setembro de 1988) foi um rabino alemão-estaudnidense que destacou-se como ativista contra o nazismo na Alemanha dos anos 1930 e, mais tarde, tornou-se uma das principais lideranças do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos na década de 1960.[1]
Como jovem rabino em Berlim, alertou os judeus alemães para que deixassem o país diante da ascensão do Partido Nazista. Expulso pelo governo nazista em 1937, estabeleceu-se nos Estados Unidos. Em seu novo país, continuou a defender os judeus europeus como líder da Organização Sionista Mundial. Viu semelhanças entre a luta contra o nazismo e a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos e foi um dos principais organizadores da Marcha sobre Washington de 1963, falando imediatamente antes do famoso discurso "Eu Tenho um Sonho" de Martin Luther King Jr..[1]
Primeiros anos
Prinz nasceu em uma família judia em 1902, na aldeia de Burkardsdorf [en], próximo de Opole, no Império Alemão. Seu pai era um comerciante bem-sucedido em Opole.[1] Sua mãe, com quem Prinz era muito próximo e à qual associava sua identidade judaica, morreu quando ele tinha quase 13 anos.[2]
A família vivia na Alemanha há 300 anos e, como a maioria dos judeus alemães, estava totalmente integrada à cultura alemã. No entanto, Prinz percebia que os alemães não viam os judeus como verdadeiros alemães e, para desgosto do pai, tornou-se um sionista fervoroso, ingressando no movimento juvenil sionista [en] Blau-Weiss (Azul-Branco).[2]
Estudou na Universidade Humboldt de Berlim e obteve doutorado em Filosofia, com especialização secundária em História da Arte, pela Universidade de Giessen. Foi ordenado rabino no Seminário Teológico Judaico da Breslávia [en] em 1925.[1]
Assumiu um rabinato em Berlim em 1927 e, do púlpito, denunciava o crescente movimento nazista. Após a tomada do poder pelos nazistas em 1933 e a nomeação de Adolf Hitler como Chanceler da Alemanha, passou a incentivar os judeus alemães a emigrarem imediatamente para o Mandato Britânico da Palestina. Deixou sua sinagoga para percorrer a Alemanha pregando contra o regime de Hitler.[1]
Após várias prisões pela Gestapo, foi expulso do país em 1937. A convite do rabino Stephen Samuel Wise [en], conselheiro próximo do presidente Franklin D. Roosevelt, mudou-se para os Estados Unidos.[1]
Na última noite em Berlim, proferiu um sermão de despedida para milhares de pessoas — incluindo nazistas que frequentavam suas pregações para vigiá-lo. Entre o público estava Adolf Eichmann, um dos arquitetos do Holocausto.[2]
Imigração aos Estados Unidos
Logo ao chegar, passou a fazer palestras pelo país em favor do United Israel Appeal [en], braço arrecadador de fundos nos EUA para a Agência Judaica. Tratava-se, essencialmente, do precursor do apoio judaico-americano ao futuro Estado de Israel.[3][4]
Fixou-se em Nova Jérsia e tornou-se rabino do Templo B'nai Abraham [en] em Newark, cargo que ocupou de 1939 até 1977.[2][5]
Ativismo
Ativismo sionista e judaico
Prinz tornou-se líder em diversas organizações comunitárias e de defesa judaicas americanas. Em pouco tempo, o ativismo de Prinz ajudou-o a ascender e tornar-se um dos principais líderes de várias organizações judaicas. Ele ocupou cargos de liderança no Congresso Judaico Mundial [en], como presidente do Congresso Judaico Americano [en] de 1958 a 1966 e como presidente da Conferência Mundial de Organizações Judaicas.[6] Mais tarde, integrou a diretoria da Conferência sobre Reivindicações Materiais Judaicas contra a Alemanha.
Sua longa militância sionista o aproximou dos fundadores do Estado de Israel. Teve papel fundamental na criação da Conferência dos Presidentes das Principais Organizações Judaicas Americanas [en], da qual foi presidente entre 1965 e 1967.[6]
Participação no movimento dos direitos civis

Pelo que viveu na Alemanha nazista, Prinz identificava-se profundamente com a luta dos afro-americanos nos Estados Unidos, vendo paralelos entre a opressão deles e a dos judeus sob Hitler. Ainda em 1937, durante uma visita exploratória aos Estados Unidos, escreveu para a revista judaica-alemã Der Morgen [en]:[7]
Os negros em Harlem ainda nos lembram os tempos de A Cabana do Pai Tomás. Não entendemos que também aqui os judeus olhem para o negro com grande indiferença. Nós não podemos fazer isso. Nós os entendemos muito bem, os negros do gueto de Harlem.[7]

Desde os primeiros anos em Newark — cidade com grande populações menorizadas —, usava o púlpito para denunciar a discriminação racial.[6] Participava de piquetes contra o preconceito nos empregos, nas escolas, nas habitações e em todas as áreas da vida social.
Como rabino, Prinz usou seu púlpito para envolver seus fiéis no movimento pelos direitos civis. Conheceu Martin Luther King Jr. na convenção do Congresso Judaico Americano de 1958. Naquele mês de outubro, Prinz solicitou o apoio de King para persuadir o presidente Dwight D. Eisenhower a convocar uma conferência sobre integração na Casa Branca. Semanas antes, um templo judaico havia sido incendiado em Atlanta, Geórgia.[8] Em 1963, convidou King para falar em sua sinagoga, meses antes da Marcha sobre Washington.[2]
Durante sua presidência no Congresso Judaico Americano, posicionou a organização como uma das principais entidades de direitos civis do país. Na convenção de 1960, declarou:[2]
Como judeus, trabalhamos pela liberdade e pela igualdade. Esse é o coração do que chamamos programa de direitos civis (...). Não são apenas palavras. São ideias que (...) ganharam tanto significado desde que o autor do terceiro livro de Moisés cunhou aquela grande frase sobre liberdade que está gravada no Sino da Liberdade em Filadélfia.[2]
Liderança na Marcha sobre Washington
Como presidente do Congresso Judaico Americano, representou a comunidade judaica na Marcha sobre Washington de 28 de agosto de 1963. Foi um dos quatro homens brancos — ao lado de Mathew Ahmann [en], Walter Reuther e do pastor presbiteriano Eugene Carson Blake [en] — que se juntaram ao “The Big Six” na organização do evento. Ele foi um dos dez palestrantes do programa. Imediatamente antes de Prinz subir ao palco, a cantora gospel Mahalia Jackson interpretou uma emocionante canção espiritual.[9]
Em seu discurso, Prinz afirmou que, com base em sua experiência como rabino na Alemanha nazista após a ascensão de Hitler, diante da discriminação, “o problema mais urgente, mais vergonhoso, mais lamentável e mais trágico é o silêncio”. Após a fala de Prinz, Martin Luther King Jr. proferiu seu famoso discurso “Eu Tenho um Sonho”.[9]
Prinz esteve presente no funeral de Martin Luther King Jr. após seu assassinato em 1968.[2]
Vida pessoal
Sua primeira esposa, Lucie Horovitz, morreu no parto em 1931.[1] Casou-se com Hilde Goldschmidt em 1932.[10] Tiveram quatro filhos: Lucie e Michael (nascidos em Berlim), Jonathan e Deborah (nascidos nos EUA), além de adotarem Jo Seelmann, prima de Hilde e sobrevivente do holocausto [en].
Joachim Prinz morreu de ataque cardíaco em 30 de setembro de 1988, no Hospital St. Barnabas, em Livingston, Nova Jérsia.[11] Foi sepultado no B'nai Abraham Memorial Park.[1]
Obras
- Zum Begriff der religiösen Erfahrung ("Sobre o conceito de experiência religiosa") – Breslau, 1927
- Helden und Abenteuer der Bibel ("Heróis e aventuras da Bíblia") – Berlim-Charlottenburg: P. Baumann, 1930
- Jüdische Geschichte ("História judaica") – Berlim: Verlag für Kulturpolitik, 1931
- Wir Juden [en] ("Nós, judeus") – Berlim: Reiss, 1934
- Die Geschichten der Bibel ("Histórias da Bíblia") – Berlim: Reiss, 1934
- Der Freitagabend ("A noite de sexta-feira") – Berlim: Brandus, [1935]
- Die Reiche Israel und Juda ("Os reinos de Israel e Judá") – Berlim: Reiss, 1936
- Das Leben im Ghetto ("Vida no gueto") – Berlim: Löwe, 1937
- Prayers for the High Holidays, 1951
- The Dilemma of the Modern Jew, Boston: Little, Brown, 1962
- Popes from the ghetto: a view of medieval Christendom, Nova York: Horizon Press, 1966
- The secret Jews, Nova York: Random House, 1973
- Joachim Prinz, Rebellious Rabbi: An Autobiography – the German and early American years (org. Michael A. Meyer), Indiana University Press, 2008
Referências
- ↑ a b c d e f g h Fowler, Glenn (1 de outubro de 1988). «Joachim Prinz, Leader in Protests For Civil-Rights Causes, Dies at 86». The New York Times (em inglês). p. 33. ISSN 0362-4331. Consultado em 12 de novembro de 2020
- ↑ a b c d e f g h Pasternak, Rachel Nierenberg; Fisher, Rachel Eskin; Price, Clement (6 de novembro de 2014). «Rabbi Joachim Prinz: The Jewish Civil Rights Leader». Moment Magazine (em inglês). Consultado em 12 de novembro de 2020
- ↑ Halpern, Ben (24 de setembro de 1987). A Clash of Heroes: Brandeis, Weizmann, and American Zionism (em inglês). [S.l.]: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-536489-7
- ↑ «Greeting to the United Palestine Appeal. | The American Presidency Project». www.presidency.ucsb.edu. Consultado em 23 de maio de 2024
- ↑ Staff (2 de outubro de 1988). «Joachim Prinz, N.J. rabi, activist, dies». Washington Post. Consultado em 19 de março de 2023
- ↑ a b c «Joachim Prinz Biography». www.joachimprinz.com. Consultado em 23 de maio de 2024
- ↑ a b «Compact Memory / 13 (1937-1938) [118]». 1937
- ↑ Prinz, Joachim (4 de fevereiro de 2015). «Letter from Joachim Prinz to Martin Luther King, Jr.». The Martin Luther King, Jr. Research and Education Institute. Stanford University. Consultado em 20 de março de 2023
- ↑ a b Reston, James via The New York Times, "The March's First Test: In The Churches", St. Petersburg Times, 31 de agosto de 1963. Consultado em 11 de janeiro de 2011.
- ↑ «Joachim Prinz, N.J. Rabbi, Activist, Dies». Washington Post. 2 de outubro de 1988. Consultado em 28 de agosto de 2020
- ↑ Fowler, Glenn (1 de outubro de 1988). «Joachim Prinz, Leader in Protests For Civil-Rights Causes, Dies at 86 (Published 1988)». The New York Times (em inglês). p. 33. ISSN 0362-4331. Consultado em 12 de novembro de 2020
Leitura adicional
- David Suissa "Before King, it was Prinz", Jewish Journal, 4 de setembro de 2008
Ligações externas
- Site memorial de Joachim Prinz Arquivado em 21 de março de 2024, no Wayback Machine.
- Discurso na Marcha sobre Washington (em inglês)
