Joachim Barrande

Joachim Barrande
Nascimento11 de agosto de 1799
Saugues, Haute-Loire
Morte5 de outubro de 1883 (84 anos)
Frohsdorf, Baixa Áustria
SepultamentoLanzenkirchen
Nacionalidadefrancês
CidadaniaFrança, Áustria-Hungria
Alma materÉcole Polytechnique
Ocupaçãopaleontólogo, geólogo, botânico, scientific collector
DistinçõesMedalha Wollaston (1857)[1]
Medalha Cothenius (1881)

Joachim Barrande (Saugues, Haute-Loire, 11 de agosto de 1799Frohsdorf, Baixa Áustria, 5 de outubro de 1883) foi um geólogo e paleontólogo francês. Era conhecido por seu trabalho sobre trilobitas, publicado no Système Silurien de la Bohème, que ele publicou em 22 partes. Formado na escola de Georges Cuvier, ele se opôs às visões evolucionistas de Charles Darwin.[2]

Biografia

Barrande nasceu em Saugues, departamento francês de Haute-Loire, e estudou na Escola Politécnica de Paris. Embora recebesse a formação de engenheiro, tornou-se tutor do duque de Henri d'Artois, neto de Carlos X de França, futuro conde de Chambord. Quando o rei abdicou, Barrande acompanhou-o no seu exílio na Inglaterra e na Escócia, e mais tarde em Praga. Estabeleceram-se em Praga em 1831, quando Barrande começou a trabalhar como engenheiro. Durante a construção de uma estrada de ferro, sua atenção foi atraída pelos fósseis do Paleozóico existentes nas rochas da Boêmia.[2][3]

A publicação em 1839 de "The Silurian System" por Roderick Murchison motivou-o a continuar as pesquisas sistemáticas sobre as camadas estratigráficas equivalentes aos da Boêmia. Durante dez anos (1840 - 1850) estudou detalhadamente estas rochas, contratando trabalhadores especialmente para recolher os fósseis e, desta maneira, obteve mais de 3.500 espécies de graptólitos, brachiopodas, moluscos, crustáceos (especialmente trilobitas) e peixes.[2]

O primeiro volume do seu trabalho, "Système silurien du centre de la Bohême", tratando das trilobitas de vários gêneros, incluindo o Deiphon que descreveu pessoalmente, foi publicado em 1852 e, desta data até 1881, 21 volumes de textos e gravuras foram adicionados. Outros volumes seus foram completados e publicados após sua morte (1887 a 1911) por Wilhelm Heinrich Waagen (1841-1900), Jaroslav Jiljí Jahn (1865-1934) (Equinodermos), Filip Počta (1859-1924) (briozoários, hidrozoários, antozoários, Octocorallia) e Jaroslav Perner (1869-1947) (Gastropodas). Estima-se que foram gastos quase £10,000 nestes trabalhos. Em reconhecimento da sua importante pesquisa a Sociedade Geológica de Londres, em 1857, concedeu-lhe a Medalha Wollaston.[2]

Seu trabalho "C'est ce que j'ai vu" confirmou o rigor científico das suas descrições. Doou as suas coleções de fósseis ao Museu Nacional de Praga, onde atualmente estão expostas. Barrande morreu em Frohsdorf (Lanzenkirchen) em 5 de outubro de 1883, aos 84 anos, devido a uma infecção pulmonar. Está sepultado no cemitério de Lanzenkirchen, perto de Viena.[2]

Foi reconhecido e admirado pela importância da sua obra pelos tchecos. O distrito de Praga, "Barrandov", foi nomeado em sua homenagem em fevereiro de 1928. A França, embora tardiamente, construiu uma estátua comemorativa e deu seu nome a um colégio na sua cidade natal.[2]

Oposição à evolução

Barrande foi um defensor da teoria das catástrofes (tal como ensinada por Georges Cuvier). Mais tarde, opôs-se à teoria da evolução de Charles Darwin. Rejeitou a transmutação das espécies. Também escreveu um livro de cinco volumes em defesa da sua teoria das chamadas "colónias", presumindo que a causa da presença de fósseis típicos de uma camada rodeados por fósseis típicos de outra é tectónica. Tendia a nomear essas colônias com os nomes dos seus adversários científicos. Entre os oponentes encontravam-se Jan Krejci, M. V. Lipold e J. E. Marr.[4][2][5]

Barrande também participou vitoriosamente na disputa relativa à independência do chamado Sistema Tacónico na América do Norte, pondo fim a uma discussão de muitos anos ao provar que a fauna descoberta por Emmons e Marcou representava a sua fauna cambriana primordial.[6]

Suas visões antievolucionistas foram criticadas pelo geólogo Henry Hicks, que comentou que "Barrande é notoriamente um opositor ferrenho da teoria da evolução e, sem dúvida, esse forte viés o impediu de ver e aceitar muitos fatos que, de outra forma, para um observador tão perspicaz e cuidadoso, pareceriam inconsistentes com visões tão fortes".[7]

Referências

  1. «Award Winners Since 1831 / Wollaston Medal» (em inglês). The Geological Society of London. Consultado em 10 de agosto de 2015. Cópia arquivada em 25 de julho de 2015 
  2. a b c d e f g Koliha, Jan (1934). «Joachim Barrande and his Palæontological Work». Nature (em inglês). 133 (3360): 437–438. Bibcode:1934Natur.133..437K. ISSN 0028-0836. doi:10.1038/133437a0 
  3. Garnier, Jean-Paul (1961). «Un Français à Prague : Joachim Barrande». Revue des Deux Mondes (1829-1971): 228–241. ISSN 0035-1962. JSTOR 44589871 
  4. «Joachim Barrande. II, His Scientific Work». Science. 2 (44): 727–729. 1883. Bibcode:1883Sci.....2..727.. ISSN 0036-8075. JSTOR 1758944. PMID 17782936. doi:10.1126/science.ns-2.44.727 
  5. Kříž, Jiří; Pojeta, John; Barrande (1974). «Barrande's Colonies Concept and a Comparison of His Stratigraphy with the Modern Stratigraphy of the Middle Bohemian Lower Paleozoic Rocks (Barrandian) of Czechoslovakia». Journal of Paleontology. 48 (3): 489–494. ISSN 0022-3360. JSTOR 1303136 
  6. Yochelson, Ellis L. (1993). «The Question of Primordial and Cambrian/Taconic: Barrande and Logan/Marcou». Earth Sciences History. 12 (2): 111–120. Bibcode:1993ESHis..12..111Y. ISSN 0736-623X. JSTOR 24138601. doi:10.17704/eshi.12.2.lm6ql05572n38221 
  7. Hicks, Henry. (1874). M. Barrande and Darwinism. Nature 9: 261–262.

Ligações externas

Precedido por
William Edmond Logan
Medalha Wollaston
1857
Sucedido por
Hermann von Meyer