João de Siqueira Afonso

João de Siqueira Afonso
Nascimentoséculo XVII
Taubaté, Capitania de Itanhaém
Morteséculo XVIII
NacionalidadePortuguesa (Brasil colonial)
Cidadaniasúdito do rei português
OcupaçãoBandeirante

João de Siqueira Afonso foi um bandeirante itanhaense, natural de Taubaté, ativo no início do século XVIII, associado às primeiras entradas paulistas que alcançaram a região mineradora do Rio das Mortes e contribuíram para o povoamento inicial da atual área de Minas Gerais.[1]

Biografia

Pouco se conhece sobre sua vida pessoal e datas exatas, mas as fontes oitocentistas e a historiografia mineira o registram como chefe de uma das bandeiras paulistas que, por volta de 1702 a 1704, percorreram o vale do Rio das Mortes em busca de ouro.[2]

Diversos cronistas mineiros atribuem a João de Siqueira Afonso a descoberta de ouro em área próxima ao Rio das Mortes, área que se tornaria o Arraial de Santo Antônio, um dos núcleos originais da mineração no centro-sul da capitania.[3]

O bandeirante teria também explorado outras vertentes da Serra de São José e orientado a abertura de picadas que conectavam São Paulo aos novos achados mineiros.[4]

As tradições documentais da capitania de Minas Gerais, analisadas por Vasconcelos e Rocha, indicam que João de Siqueira Afonso participou da formação do arraial que se tornaria São José del-Rei (atual Tiradentes), associado ao descobrimento de ouro no sopé da Serra de São José.[5] A ele é tradicionalmente atribuída a fundação de uma das primeiras edificações religiosas da região, a Capela de Santo Antônio do Canjica, citada pelos cronistas como ponto inicial de devoção dos primeiros moradores do arraial.[6]

Teria partido na direção a Calambau, para prear indígenas.[7] Além de ter descoberto, também teria manifestado ouro pelos caminhos que transitou, tendo manifestado ouro que já vinha sendo explorado em Guarapiranga, em 1704[8], e em Aiuruoca, em 1706[9], onde é considerado fundador, durante a expansão mineradora rumo ao sul da capitania.[10]

Legado

A figura de João de Siqueira Afonso permanece vinculada ao ciclo inicial da mineração no centro-sul da atual Minas Gerais, representando o papel das bandeiras na abertura dos caminhos, na descoberta das primeiras lavras e na formação de arraiais que posteriormente se tornariam cidades coloniais de grande relevância histórica.[11]

Referências

  1. VASCONCELOS, Diogo de. História Antiga de Minas Gerais. Belo Horizonte: Itatiaia, 1974, p. 112–115.
  2. ROCHA, José Joaquim da. Memórias Históricas da Capitania de Minas Gerais. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1994 [1780], p. 67–69.
  3. ABREU, Capistrano de. Capítulos de História Colonial. 7. ed. Belo Horizonte: Itatiaia / São Paulo: Edusp, 1988, p. 212.
  4. LIMA JÚNIOR, Augusto de. A Capitania de Minas Gerais. Belo Horizonte: Itatiaia, 1973, p. 89–92.
  5. VASCONCELOS, Diogo de. História Antiga de Minas Gerais. Belo Horizonte: Itatiaia, 1974, p. 118.
  6. ROCHA, José Joaquim da. Memórias Históricas da Capitania de Minas Gerais. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1994 [1780], p. 72.
  7. Vidigal, Pedro Maciel (1979). Os antepassados: A sua terra. [S.l.: s.n.] 
  8. Paranhos, P. (2005). «Primeiros núcleos populacionais no Sul das Minas Gerais». Revista Histórica: 1 - 7 
  9. Oliveira, Enio Sebastião Cardoso de (8 de agosto de 2016). «Caminhos e descaminhos: o processo de ocupação da região ao sul do Vale do Paraíba Fluminense e os índios Puris na ordem colonial» (PDF). ANPUH-Rio. Anais do XVII Encontro de História da ANPUH-Rio: 1–38. Consultado em 31 de julho de 2023 
  10. SAINT-HILAIRE, Auguste de. Viagem pelas Províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Belo Horizonte: Itatiaia / Edusp, 2000 [1830], p. 245.
  11. LIMA JÚNIOR, Augusto de. A Capitania de Minas Gerais. Belo Horizonte: Itatiaia, 1973, p. 101.