João da Silva Feijó
João da Silva Feijó (Guaratiba, 1760 – Rio de Janeiro, 1824) foi um naturalista, militar e administrador luso-brasileiro, conhecido por suas pesquisas em história natural durante as viagens filosóficas patrocinadas pela Coroa Portuguesa no século XVIII. Destacou-se por seus estudos sobre a fauna e flora do Ceará e de Cabo Verde, integrando o projeto de modernização científica do Império Português sob a égide do Marquês de Pombal.[1]
Biografia
Nascido em Guaratiba, um povoado da capitania do Rio de Janeiro, Silva Feijó ingressou numa Escola superior na capitania e depois foi para Portugal, almejando a carreira militar como engenheiro, mas seu interesse pelas ciências naturais levou-o a participar das Viagens Filosóficas,[2] expedições científicas financiadas pela rainha D. Maria I para catalogar os recursos naturais das colônias.[3] Em 1783, foi enviado ao Ceará (Brasil), onde permaneceu por uma década, estudando a geografia, a botânica e a zoologia da região.[4]
Entre 1799 e 1808, transferiu-se para Cabo Verde, então colônia portuguesa, onde assumiu o cargo de governador-geral interino. Mesmo em funções administrativas, continuou suas pesquisas, coletando espécimes de aves, peixes e plantas, muitos dos quais foram enviados para o Real Museu da Ajuda, em Lisboa.[5]
Contribuições Científicas
- Zoologia: Descreveu espécies como o Periquito-da-caatinga (Eupsittula cactorum), ave endêmica do Nordeste brasileiro, e documentou hábitos de animais do semiárido.[6]
- Botânica: Coletou amostras de plantas medicinais utilizadas por indígenas e sertanejos, registrando seus usos em manuscritos enviados à metrópole.
- Climatologia: Em Cabo Verde, estudou os efeitos das secas e propôs medidas para o aproveitamento de recursos hídricos, antecipando debates sobre sustentabilidade.
Obras e Manuscritos
Feijó não publicou livros em vida, mas seus relatórios e cartas são fontes valiosas para a história da ciência colonial. Destacam-se:
- Memória sobre a Capitania do Ceará (1799): Descreve a geografia, população e recursos naturais da região.[7]
- Diário de Viagem Filosófica ao Cabo Verde (1808): Registra observações sobre a fauna insular e práticas agrícolas locais.[8]
Seus manuscritos originais estão preservados no Arquivo Histórico Ultramarino (Lisboa) e no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (Rio de Janeiro).
Legado
- O gênero Feijoa, conhecida popularmente por goiaba-serrana, foi batizada em sua homenagem pelo botânico alemão o Otto Karl Berg.
Referências
- ↑ Silva, Clarete Paranhos da; Lopes, Maria Margaret (dezembro de 2004). «O ouro sob as Luzes: a 'arte' de minerar no discurso do naturalista João da Silva Feijó (1760-1824)». História, Ciências, Saúde-Manguinhos: 731–750. ISSN 0104-5970. doi:10.1590/S0104-59702004000300010. Consultado em 28 de janeiro de 2025
- ↑ Cardia, Mirian Lopes. «Viagens e Expedições». historialuso.an.gov.br. Consultado em 28 de janeiro de 2025
- ↑ Nodari, Eunice S. «PERCEPÇÕES DO MUNDO NATURAL NAS "DILLIGÊNCIAS FILOSÓFICAS" DE JOÃO DA SILVA FEIJÓ NA CAPITANIA DO CEARÁ (1799 - 1816)». Consultado em 28 de janeiro de 2025
- ↑ João da Silva Feijó: um homem de ciência no antigo regime português. Col: Ciência & império. [S.l.]: Ufpr. 26 de abril de 2012
- ↑ Lopes, Maria Margaret. «INVESTIGAÇÕES EM HISTÓRIA NATURAL NO CEARÁ: OS ESTUDOS DO NATURALISTA JOÃO DA SILVA FEIJÓ (1760-1824)». Consultado em 28 de janeiro de 2025
- ↑ Marco, Rosa, (11 de agosto de 2015). «Arquivo Histórico Ultramarino». Arquivo Histórico Ultramarino | Mais um site Sites DGLAB. Consultado em 28 de janeiro de 2025
- ↑ «Memória Sobre a Capitania do Ceará e Outros Trabalhos – Fundação Waldemar Alcântara». Consultado em 28 de janeiro de 2025
- ↑ Guedes, María Estela (30 de junho de 1997). «João da Silva Feijó: viagem filosófica a Cabo Verde». Asclepio (1): 131–138. ISSN 1988-3102. doi:10.3989/asclepio.1997.v49.i1.381. Consultado em 28 de janeiro de 2025