João Paulo Guerra

João Paulo Guerra
Nascimento16 de abril de 1942
Lisboa
Morte4 de agosto de 2024 (82 anos)
CidadaniaPortugal
Progenitores
Irmão(ã)(s)Maria do Céu Guerra
Ocupaçãojornalista, escritor, roteirista

João Paulo da Guerra Baptista Coelho Vieira (Lisboa, 16 de abril de 1942 – Lisboa, 4 de agosto de 2024) foi um jornalista português, com a carteira profissional n.º 660 a partir de 1962. Foi Provedor do Ouvinte do serviço público da RTP - Rádio e Televisão de Portugal.

Biografia

Nasce em Lisboa em abril de 1942, filho de Maria Carlota Álvares da Guerra, jornalista e fundadora da Crónica Feminina, e de Rogério Oliveira e Silva. É irmão da atriz Maria do Céu Guerra.[1][2] Vive a infância com os avós maternos, numa quinta em Cascais, e mais tarde perto da Cidadela de Cascais. Cresce rodeado de música e literatura nacional e estrangeira, conhecimento fomentado pela sua mãe. Enquanto adolescentra faz fotografia para a revista Crónica Feminina, da qual a mãe é chefe de redacção.[3]

Carreira profissional

Na rádio

Ainda estudante, faz estágio na Rádio Renascença (1962), onde trabalha no programa "Nova Vaga" com Lauro António, João Mota, Daniel Ricardo, Dinis de Abreu, Fernando Lopes Adão Correia e Maria do Céu Guerra. No ano seguinte, a convite de Luís Filipe Costa, tornou-se redactor-locutor do Serviço de Noticiários do Rádio Clube Português, onde permaneceu por dez anos.[1][4][5]

Durante este período, cumpre durante dois anos e meio o serviço militar em Mafra e depois em Moçambique, como Alferes miliciano. Está em Moçambique quando nasce o seu primeiro filho, Paulo.[3][6] De regresso a Portugal em 1967, integra novamente o Rádio Clube Português como repórter e locutor do programa PBX, no qual permanece até 1969. Em Outubro de 1968 associa-se à Sociedade Portuguesa de Autores.[7] A partir de 1970 é repórter e locutor do programa Tempo ZIP, inicialmente no FM do Rádio Clube Português e posteriormente na Rádio Renascença.[1] É também realizador do programa Tempo ZIP (1971-72) na Rádio Renascença, que divulga autores e intérpretes da canção política em Portugal.[7]

Regressa à Emissora Nacional em 1974 como editor e repórter e torna-se no mesmo ano Chefe do Gabinete de Estudos e Planeamento da Direcção de Programas da Emissora Nacional, cargo que exerce até 1975. Entre 1976 e 1977 é o correspondente em Lisboa da Rádio Nacional de Angola.[1][6][8]

Em 1985 é um dos fundadores da Telefonia de Lisboa. Entre 1990 e 1996 trabalha para a TSF Rádio Notícias como editor e repórter no programas Rádio Jornal e a em 1996 na Central FM.[1][5]

É ainda colaborador da Antena 1 – Os Reis da Rádio (2005-06); Revista de Imprensa da Antena 1[8] (2006 - 2015); O Fio da Meada (2015 - 2017, às sextas-feiras).

Desempenha o cargo de Provedor do Ouvinte da Rádio e Televisão de Portugal entre 2017 e 2021.[1][8][9][4]

Na imprensa

  • Colaborador do Diário de Lisboa, fazendo parte da equipa do suplemento A Mosca (1968-69) dirigido por José Cardoso Pires; de A Capital, suplemento Cena 7 (1970), da República, da Memória do Elefante e do Musicalíssimo (1971).
  • Chefe de redacção do Notícias da Amadora (1972-74).
  • Nos primeiros meses de 1974 fez parte da redacção do semanário AE – Actividades Económicas, impedido de sair pela Censura.
  • Redactor (1978-89) e chefe de redacção (1989-90) de O Diário.
  • Correspondente da newsletter SouthScan (1985-89).
  • Colaborador permanente do Público (1990), de O Jornal (1991-92) e de O Inimigo (1994).
  • Como free-lancer, para a agência CNTV (1992), publicou reportagens designadamente no Público e no Expresso.
  • Editor do jornal O Jogo (Abril a setembro de 1997).
  • Editor do Diário Económico (1997-98). Colaborador do Diário Económico (2006 a 2012)

Na televisão

  • Guionista na SIC (1993-94).
  • Repórter da série O Século XX Português (SIC - 1997/99).
  • Guionista para a Endemol / SIC (2000).
  • Autor do guião de Angola – 40 anos de Guerra, classificado em primeiro lugar pelo ICAM na modalidade de documentário (2002).

Outras actividades

Monitor de cursos de formação profissional de rádio na Cooperativa de Rádio e Animação Cultural – CRAC, na Cooperativa TSF e no Centro de Formação da RDP.

Doença e morte

Morreu a 4 de agosto de 2024, no Hospital Curry Cabral, em Lisboa, onde se encontrava internado após doença prolongada.[8][10] Teve velório na capela da Igreja de Santo Condestável em Campo de Ourique, Lisboa. O seu funeral realizou-se a 6 de Agosto, tendo sido cremado no Cemitério do Alto de São João.[9]

O então Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, exprimiu pesar pela sua morte, descrevendo-o como um "jornalista experiente e imaginativo" e "um militante contra a ditadura e depois do 25 de abril pelos ideais doutrinários e partidários que abraçava". [3] O Conselho de Opinião da RTP lamentou também o seu desaparecimento.[9] A Sociedade Portuguesa de Autores publicou também uma nota de pesar pela sua morte.[7]

Obras publicadas

  • Polícias e Ladrões (Editorial Caminho, 1983),
  • Operação África (Caminho, 1984), de co-autoria com o jornalista Fernando Semedo.
  • Os Flechas Atacam de Novo (Caminho, 1988),
  • Memória das Guerras Coloniais (Afrontamento, 1994 - 1ª edição, 1995 - 2ª edição),
  • Autor da série de reportagens Viagens com Livros, transmitidas pela TSF em 1995, editadas em CD pela Strauss (1996).
  • Savimbi Vida e Morte (Bertrand, 3 edições em 2002).
  • Diz que é uma espécie de democracia (Oficina do Livro, 1ª e 2ª edição em 2009).
  • Descolonização Portuguesa – O Regresso das Caravelas (Dom Quixote, 1996 - 1ª edição, e Círculo de Leitores, 2000). Edição revista e aumentada, com prefácio de Ernesto Melo Antunes, setembro 2009, Oficina do Livro.
  • Romance de uma Conspiração (Oficina do Livro, setembro 2010): primeiro livro de ficção
  • Corações Irritáveis - romance, Clube do Autor, lançamento 2 de março de 2016

Reconhecimento

  • Prémio de Rádio da Casa de Imprensa (colectivo) na equipa do programa PBX (1968).
  • Prémio de Rádio da Casa da Imprensa como realizador do programa Tempo ZIP (1972).
  • Prémio de Reportagem do Secretariado para a Modernização Administrativa (Público, Outubro de 1990).
  • Prémio Nacional de Reportagem, do Clube de Jornalistas do Porto,
  • Prémio Gazeta, do Clube de Jornalistas, em 2009,
  • Prémio de Reportagem de Rádio, do Clube Português de Imprensa, em 1994, pela série de reportagens O Regresso das Caravelas, transmitida pela TSF.
  • Prémio de Reportagem de Rádio, do Clube Português de Imprensa,
  • Prémio Procópio» de Jornalismo, 1996, pela série de reportagens Viagens com Livros, transmitida pela TSF.
  • Prémio Gazeta de Mérito, 2010, "pelo seu longo, diversificado e prestigioso percurso profissional de quase meio século de actividade na rádio, na imprensa e na televisão".
  • Prémio Igrejas Caeiro da Sociedade Portuguesa de Autores (Março de 2014)

Referências

  1. a b c d e f Observador, Agência Lusa. «Morreu jornalista João Paulo Guerra». Observador. Consultado em 20 de dezembro de 2025 
  2. PÚBLICO, Lusa (4 de agosto de 2024). «Morreu o jornalista João Paulo Guerra». PÚBLICO. Consultado em 20 de dezembro de 2025 
  3. a b c Guerra, João Paulo (5 de agosto de 2024). «Memórias da mãe jornalista, homenagem a João Paulo Guerra». Mensagem de Lisboa. Consultado em 20 de dezembro de 2025 
  4. a b TSF (4 de agosto de 2024). «Morreu João Paulo Guerra, antigo radialista e jornalista da TSF». TSF. Consultado em 20 de dezembro de 2025 
  5. a b «João Paulo Guerra (1942–2024)». Antena 1 - RTP. 4 de agosto de 2024. Consultado em 20 de dezembro de 2025 
  6. a b «Fernando Correia e João Paulo Guerra». Museu do Aljube. Consultado em 20 de dezembro de 2025 
  7. a b c «Pesar da SPA pela morte de João Paulo Guerra». https://www.spautores.pt/. Consultado em 20 de dezembro de 2025 
  8. a b c d Comercial, Rádio. «Morreu o radialista e jornalista João Paulo Guerra». Rádio Comercial. Consultado em 20 de dezembro de 2025 
  9. a b c JN/Agências (5 de agosto de 2024). «Conselho de Opinião da RTP lamenta profundamente morte de João Paulo Guerra». Jornal de Notícias. Consultado em 20 de dezembro de 2025 
  10. «Morreu jornalista João Paulo Guerra». Observador. 4 de agosto de 2024. Consultado em 4 de agosto de 2024 

Ligações externas