João Místico
| João Místico | |
|---|---|
| Nacionalidade | |
| Etnia | Grego |
| Ocupação | Oficial e cortesão |
| Religião | Ortodoxia oriental |
João Místico (em grego: Ἰωάννης ὁ Μυστικός; fl. ca. 926-946) fi um oficial bizantino, que serviu como ministro chefe (paradinástevo) do império no começo do reinado de Romano I Lecapeno (r. 920–944). Após surgirem suspeitas dele estar interessado no trono, foi deposto e enviado ao exílio num mosteiro. Posteriormente recuperou seu lugar na corte, liderando uma missão de três anos no exterior nos anos 930, e aparentemente readquirindo sua antiga posição elevada com a ascensão de Constantino VII Porfirogênito (r. 913–959) como governante única em 945. Ele é mencionado pela última vez liderando uma embaixada para Maomé ibne Tugueje (r. 935–946) em 946.
Vida

Nada se sabe sobre sua origem ou infância. Aparentemente foi nomeado paradinástevo pelo imperador Romano I Lecapeno (r. 920–944) em algum momento entre 922 e 924, após a queda de seu predecessor, João, o Reitor, contra quem acusações foram levadas diante do imperador, forçando-o a abandonar seu ofício e ser tonsurado um monge.[1] Ele aparece pela primeira vez nesta capacidade durante as negociações com o imperador búlgaro Simeão I (r. 893–927) em 924: fez parte de uma embaixada, junto com o patriarca Nicolau I de Constantinopla (r. 912–925) e o patrício Miguel Estipiota, que o governante búlgaro enviou de volta para Constantinopla, exigindo negociar com Romano em pessoa.[2][3]
João foi elevado à alta posição cortesã de patrício e antípato em 19 de abril de 924 ou 925, que relatadamente causou inveja em vários cortesãos. Segundo Steven Runciman, o evento esteve possivelmente relacionado com a ascensão de João a maior proeminência nos assuntos de Estado, que até então havia sido dominado pelo patriarca Nicolau, cuja saúde estava debilitada. Embora fosse confiado e valorizado pelo imperador Romano I, em outubro de 925, foi acusado de desejar o trono, com ajuda de seu sogro, o logóteta do dromo Cosme. Romano inicialmente recusou-se a acreditar nas acusações, mas seus rivais conseguiram coletar provas suficientes que João foi forçado a fugir para o Mosteiro de Monocastano e tornar-se um monge junto com seu amigo Constantino Boilas, enquanto seu sogro foi preso e açoitado. O camareiro Teófanes sucedeu-se o como paradinástevo.[2][4]


A carreira de João depois disso é parcialmente registrada em doze cartas trocadas entre 927/928 e 925 com Nicetas Magistro, um antigo alto oficial igualmente desgraçado. Nicetas consistentemente endereça João com o título de "patrício e místico". Sabe-se mediante estas cartas que João posteriormente reentrou no serviço imperial, abandonando o mosteiro e reingressando na corte imperial como ecônomo. Foi enviado por Romano I numa missão de três anos como emissário para "bárbaros" não especificados, da qual retornou em algum momento entre 938 e 940. João usou seu posto restaurado para patrocinar Nicetas com sucesso, assegurando-lhe um estipendio anual (roga). Após a queda de Romano I e a restauração de Constantino VII Porfirogênito (r. 913–959) como poder imperial única em janeiro de 945, João aparentemente readquiriu sua posição proeminente e influência na corte, como indicado por uma carta endereçada a ele pelo metropolita de Niceia Alexandre, pedindo por sua intervenção para assegurar sua reconvocação do exílio na Crimeia.[2]
Segundo Almaçudi em 946, quando o governante semi-independente do Egito e Síria, Maomé ibne Tugueje (r. 935–946), enviou uma embaixada sob Abu Umair Adi ibne Amade Aladani de moro a arranjar uma trégua e uma troca de prisioneiros, João liderou a embaixada bizantina para Maomé em resposta. Na ocasião, Almaçudi descreve João como antípato e patrício, místico e um monge. João encontrou Maomé em Damasco pouco antes da morte do último em julho de 946. As negociações foram continuadas por Abul Misque Cafur, que retornou para o Egito. João acompanhou-o para a Palestina com Aladani, onde deu-lhes 30 000 dinares de ouro como resgate dos prisioneiros. João e seu colega árabe então velejaram de Tarso para Constantinopla, onde uma embaixada enviada pelo novo governante do norte da Síria, Ceife Adaulá (r. 945–967) esperou continuar negociações. A troca ocorreu em setembro/outubro de 946 no rio Lamos, na Cilícia, na presença de João e o magistro Cosme. Na ocasião, Almaçudi elogiou a erudição e conhecimento de João dos antigos escritores e filósofos gregos e romanos. Nada mais se sabe sobre ele.[2]
Referências
- ↑ Lilie 2013, Ioannes (#22937); Ioannes (#22938).
- ↑ a b c d Lilie 2013, Ioannes (#22938).
- ↑ Runciman 1988, p. 68, 91.
- ↑ Runciman 1988, p. 68.
Bibliografia
- Lilie, Ralph-Johannes; Ludwig, Claudia; Zielke, Beate et al. (2013). Prosopographie der mittelbyzantinischen Zeit Online. Berlim-Brandenburgische Akademie der Wissenschaften: Nach Vorarbeiten F. Winkelmanns erstellt
- Runciman, Steven (1988). The Emperor Romanus Lecapenus and His Reign: A Study of Tenth-Century Byzantium (em inglês). Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 0-521-35722-5