João 6

 Nota: Para as pessoas com este nome, veja João VI.
Jesus multiplica os pães e peixes, um dos episódios narrados em João 6.
Azulejos na Igreja de Santo Ildefonso em Porto, Portugal.

João 6 é o sexto capítulo do Evangelho segundo João, no Novo Testamento da Bíblia, e constitui uma das passagens mais centrais da teologia cristã, especialmente no que diz respeito ao mistério da Eucaristia. O capítulo apresenta milagres de Jesus e, sobretudo, o chamado "Discurso do Pão da Vida", no qual Cristo revela, de modo direto e solene, a necessidade de comer a sua carne e beber o seu sangue para alcançar a vida eterna.

Milagres

Jesus alimentando os cinco mil. Mosaico na Basilica di Sant'Apollinare Nuovo em Ravena, datado do século VI d.C.

O capítulo inicia com o relato da multiplicação dos pães e dos peixes (João 6:1–15), em que Jesus, a partir de "cinco pães e dois peixes", alimenta mais de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças. Segundo a fé cristã, este milagre não apenas demonstra a compaixão do Senhor diante da fome material da multidão, mas também antecipa o dom espiritual da Eucaristia, onde o pão será multiplicado sacramentalmente para saciar o mundo inteiro.

Logo depois, ocorre o episódio em que Jesus anda sobre as águas (João 6:16–21), indo ao encontro dos discípulos que seguiam para Cafarnaum no mar agitado. O gesto manifesta seu domínio sobre a natureza e se torna sinal da sua presença salvadora que vence o medo e a insegurança, sendo acolhido pelos discípulos como o verdadeiro Senhor.

O Pão da Vida

A partir do versículo 22, o evangelista apresenta o longo e profundo discurso de Jesus[1] em Cafarnaum (João 6:22–59). Nele, Jesus explica que o maná do deserto, dado aos hebreus no tempo de Moisés, era apenas figura de um alimento superior que o Pai desejava oferecer. Ele se apresenta como o verdadeiro Pão descido do Céu, não apenas para sustentar a vida terrena, mas para conceder a vida eterna:

«Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo.» (João 6:51)

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Nos versículos 53–56, Cristo aprofunda ainda mais esta revelação, falando explicitamente sobre a necessidade de comer a sua carne e beber o seu sangue. Suas palavras, de grande impacto, são interpretadas pela tradição católica como a instituição antecipada do Sacramento da Eucaristia, que será plenamente realizado na Última Ceia:

«"Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele."» (João 6:53–56)

Ver também


Precedido por:
João 5
Capítulos da Bíblia
Evangelho de João
Sucedido por:
João 7

Referências

  1. The Gospel According to John: A Literary and Theological Commentary by Thomas L. Brodie 1997 ISBN 0195118111 page 266

Bibliografia

  • Brown, Raymond E. An Introduction to the New Testament Doubleday 1997 ISBN 0-385-24767-2

Ligações externas