João Álvares Fagundes

 Nota: Para o político gaúcho, veja João Rodrigues Fagundes. Para o deputado federal por Roraima, veja João Fagundes.
João Álvares Fagundes
Nascimento1460
Viana do Castelo
Morte1522 (61–62 anos)
Reino de Portugal
SepultamentoSé Catedral de Viana do Castelo
CidadaniaReino de Portugal
Ocupaçãoexplorador, navegador

João Álvares Fagundes (c. 1460 – por volta do dia 5 de dezembro de 1522), foi um navegador português e armador de navios de Viana do Castelo no norte de Portugal a quem se deve o reconhecimento de parte das costas do nordeste americano, naquelas que são hoje as províncias marítimas canadianas da Nova Escócia e da Terra Nova e Labrador.

Organizou diversas expedições de exploração para as costas da América do Norte e para os Grandes Bancos da Terra Nova por volta de 1520-1521. Nessas viagens explorou as ilhas de St. Paul, próxima de Cape Breton, Ilha Sable, Burgeo e São Pedro e Miquelão, às quais ele deu o nome de ilhas das Onze Mil Virgens em honra de Santa Úrsula.

Não há dúvida de que Fagundes descobriu a costa sul da Terra Nova, entre o Cabo Race e o Cabo Ray, embora não se saiba com certeza se também explorou a Ilha do Cabo Bretão e se chegou a penetrar no Golfo de São Lourenço.[1]

Era Cavaleiro da Casa de D. Manuel I quando este rei, a 22 de Março de 1521, lhe fez mercê da capitania das ilhas e terras que já descobriu ou viesse a descobrir, além das terras que os Corte Real descobriram, mais a norte (Gronelândia).[2]

Mas não chegou a realizar a nova viagem que preparava. Era juiz ordinário e vereador da Câmara de Viana do Castelo quando em Dezembro de 1522 foi substituído por sua morte, sendo sepultado na sua capela de Santo Cristo, na matriz. Já antes tinha sido juiz ordinário e vereador em 1512 e de novo a 11 de Abril de 1515. E cevadeiro e escrivão da sisa da Alfândega de Viana do Castelo a 4 de Março de 1502.

Relações familiares

Filho de Álvaro Anes, administrador do Hospital Velho de Viana do Castelo, e de sua mulher Catarina Dias, que ainda vivia «muito velha» nessa cidade, na rua Grande, em 1517. Álvaro Anes era filho de João Paes Fagundes e neto de Paio Fagundes.

Dizem as genealogias tardias que João Álvares Fagundes casou duas vezes e teve vários filhos, mas a documentação veio revelar que casou apenas uma vez, com Leonor Dias (Boto), sepultada a 24 de Agosto de 1538 na Misericórdia de Viana do Castelo, e deixou duas filhas:

  • D. Catarina Fagundes ‘a Fagunda’ que casou com Gonçalo Afonso Cerqueira e tiveram dois filhos, Rodrigo Afonso Fagundes de quem descendem os Machado Fagundes e Afonso Gonçalves Fagundes que casou com Maria Casado e uma filha, Margarida Fagundes que casou com Francisco Pires Caminha.[6]

Bibliografia

  • -- 1516–1521. Descobertas de João Alvares Fagundes, in Archivo dos Açores, IV (1882), 466–67.
  • ARAÚJO, José Rosa de, Quem era João Álvares Fagundes, in Actas do Congresso Internacional Bartolomeu Dias e a sua Época, vol. II, Porto: Universidade do Porto - CNCDP, 1989, 363-368.
  • BETTENCOURTE, E. A., Descobrimentos, guerras e conquistas, (Lisboa, 1881) 132–35.
  • BIGGAR, H. P., Voyages of the Cabots and the Corte-Reals (1903).
  • BRAZÃO, Eduardo, Os Descobrimentos Portugueses nas Histórias do Canadá, Lisboa: AGU, 1969.
  • CANTO, Ernesto do, Quem deu o Nome ao Labrador?, in Arquivo dos Açores, vol. XII, 1892, 353-371.
  • CORTESÃO, Armando, Cartografia e cartógrafos portugueses dos séculos XV e XVI, (2v., Lisboa, 1935), I, 287–88.
  • GANONG, William F., João Álvares Fagundes, Vianense Ilustre, Donatário das Terras do Bacalhau, Lisboa, 1953.
  • GANONG, William F., Crucial Maps (II) in the Early Cartography and Place-Nomenclature of the Atlantic Coast of Canada, in Transactions of the Royal Society of Canada, Third Séries, Section III., 1956.
  • HARRISSE, Henry, The discovery of North America: a critical, documentary, and historic investigation, with an essay on the cartography of the new world. (London, 1892), 182–88.
  • SILVA, A. J. M. (2015), The fable of the cod and the promised sea. About portuguese traditions of bacalhau, in BARATA, F. T- and ROCHA, J. M. (eds.), Heritages and Memories from the Sea, Proceedings of the 1st International Conference of the UNESCO Chair in Intangible Heritage and Traditional Know-How: Linking Heritage, 14-16 January 2015. University of Evora, Évora, pp. 130-143. PDF version

Referências

  1. Vigneras, L.- A. «FAGUNDES, JOÃO ALVARES». Dictionary of Canadian Biography (em inglês). Consultado em 9 de janeiro de 2026 
  2. Reis, Miguel Ângelo Farias (23 de março de 2023). «Portugueses no mar de Labrador: expansão e ocupação portuguesa em altas latitudes (1452–1524)»: 48-53. Consultado em 9 de janeiro de 2026. ... uma carta de doação assinada por D. Manuel em 1521 é desde logo o documento mais completo, contendo informação não só das terras doadas a Fagundes, como o possível roteiro das viagens que este terá feito no noroeste atlântico. Na prática, esta carta diz-nos o seguinte: 'Estas terras descobriu Joao Alvares por um piloto seu que ele disse ter ido sair e ser com os Corte Reais ... A terra que se diz firme é desde demarcação de Castela que parte da banda do Sul com a nossa demarcação até vir a terra que os Corte-Reais descobriram que é da Banda do Norte... As três ilhas na baia da Aguada na costa de Nordeste e Sudoeste e as três ilhas a que ele pos o nom Fagundes são estas a saber: São Joao, São Pedro, Santa Ana, Santo António (…) arquipelago de São Pantaliao com a Ilha Petiguom (…) arquipelago das Onze mil Virgens, ilha de Sta Cruz e outra ilha que também se chama Santa Ana (…)'. Neste excerto [da carta de D. Manuel I] temos então indicado de forma clara os territórios descobertos e batizados por Fagundes 
  3. «Monumentos. Igreja Paroquial de Viana do Castelo / Catedral de Viana do Castelo / Sé de Viana do Castelo». www.monumentos.gov.pt (em inglês). Consultado em 10 de janeiro de 2026. No ABSIDÍOLO DO EVANGELHO, a capela de Santo Cristo, tem no vão do lado da Epístola, que dá para a capela-mor, pedra de armas dos Sousa, esquartelado, tendo no I e IV quartel, de prata, com cinco escudetes carregados de cinco besantes do primeiro esmalte, postos em sautor; o II e o III de prata, com um leão de púrpura; é encimada por elmo, paquife e o timbre com o leão do escudo. No frontal do túmulo, surge a inscrição "AQV JAZ JOHAO DE / SOVSA DE MAGALHÃES / E SEV FILHO COSME / DE SOVSA". 
  4. Leandro Ramos Campos (setembro de 2018). «Estudo Monográfico de Monumentos do Centro Histórico de Viana do Castelo (Dissertação de Mestrado em História da Arte Portuguesa)» (PDF). Faculdade de Letras, Universidade do Porto: 70. Consultado em 9 de janeiro de 2026. 4. Brasão dos Fagundes, a coroar o arco apontado do absidíolo do lado do Evangelho, dedicado ao Santo Cristo (fig. 30). O escudo é encimado por elmo e timbre com duas chaves cruzadas, e envolto por paquife de folhagens, ostentando cinco chaves, postas em sautor, com palhetões ao alto. 5. Brasão dos Sousa, na Capela de Santo Cristo, no absidíolo do lado do Evangelho, no arco que recebe o túmulo de João de Sousa e seu filho, Cosme de Sousa (fig. 26). O escudo, encimado por elmo e timbre com castelo, ladeado por paquife com folhagens e enrolamentos, é esquartelado: o primeiro e o quarto quartel apresentam cinco escudetes com cinco besantes postos em sautor; o segundo e o terceiro quartel são constituídos por caderna de crescentes. 
  5. Manuel Abranches de Soveral. «João Álvares Fagundes, senhor da Terra Nova (Newfoundland)». roglo.eu. Consultado em 10 de janeiro de 2026 
  6. «Manuel Abranches de Soveral - Ensaio sobre a origem medieval dos Boto». www.soveral.info. Consultado em 9 de janeiro de 2026 

Ligações externas