Jeune École
A Jeune École ("Escola Jovem") foi um conceito de estratégia naval desenvolvido durante o século XIX. Ele defendia o uso de embarcações pequenas e fortemente armadas para combater navios de guerra de grande porte e o uso de navios mercantes para prejudicar o comércio da nação rival. A ideia foi desenvolvida entre teóricos navais franceses. À época, o governo francês tinha a segunda maior marinha, motivando seus teóricos a buscar meios de neutralizar a força da Marinha Real Britânica, que ocupava o primeiro lugar.
Pequenas unidades contra navios de guerra
Um dos primeiros proponentes da Jeune École foi o general de artilharia Henri-Joseph Paixhans, que inventou os canhões de projéteis explosivos para navios de guerra durante a década de 1820. Ele defendeu o uso desses canhões poderosos em vários navios de guerra pequenos a vapor que poderiam destruir oponentes muito maiores.[1]

Mais tarde, a Marinha Francesa desenvolveu o conceito de forma mais elaborada ao fazer experiências com torpedos e barcos torpedeiros. A Marinha Francesa tornou-se uma das mais fortes defensoras deste sistema de combate no final do século XIX,[2] particularmente durante a gestão do Almirante Théophile Aube.[3] Os sucessos navais da Marinha Francesa contra a China durante a Guerra Sino-Francesa de 1883-85 também tenderam a validar o potencial dos torpedeiros contra as marinhas convencionais.[4]
A França também foi muito ativa no desenvolvimento de uma frota de submarinos, novamente tentando contar com o desenvolvimento técnico para compensar a superioridade numérica britânica. No início do século XX, a França era “sem dúvida a primeira marinha a ter uma força submarina eficaz”.[5]
As contramedidas contra o sistema Jeune École consistiam principalmente no uso de contratorpedeiros, projetados para dissuadir e destruir pequenas unidades, o primeiro dos quais foi o Destructor.[6][7]
Ataques ao comércio

A outra parte constitutiva do conceito da Jeune École consistia em planejar ataques aos navios comerciais do inimigo para restringir seu comércio e economia, novamente uma tática projetada especialmente contra a Grã-Bretanha.[8]
Navios de ataque, como o Dupuy de Lôme, foram projetados para essa função. Ele foi um cruzador blindado construído em 1888, e era capaz de atingir 23 nós, tendo sido projetado para atacar navios comerciais inimigos durante incursões prolongadas.[9][10]
Influências
O sistema Jeune École foi particularmente influente no desenvolvimento de outras marinhas além da francesa, como a Marinha Imperial Alemã, que adaptou os pressupostos dessa doutrina, para a o âmbito de contundentes ofensivas submarinas. A Jeune École também foi adaptada para os moldes chineses, agora já em plena década 1950, ressaltando o a popularidade que esta alcançou, especialmente em cenários de potências navais incipientes ou em desenvolvimento.[8]
O almirante britânico John Fisher, que mais tarde se tornaria o Primeiro Lorde do Mar em 1904, ficou especialmente impressionado com as ideias da Jeune École e sentiu que as ameaças de invasores rápidos e enxames de barcos torpedeiros tornavam os navios de guerra tradicionais muito difíceis de manejar. Ele argumentou que o futuro estaria em navios rápidos com blindagem leve e grandes armas, que ficariam conhecidos como cruzadores de batalha.[8]
Referências
- ↑ Millis, Walter (1981). Arms and Men: A Study in American Military History (em inglês). [S.l.]: Rutgers University Press. Consultado em 17 de maio de 2025
- ↑ Howe, p. 281.
- ↑ Ropp, pp. 158–159.
- ↑ Bueb, p. 16.
- ↑ Gardiner & Lambert, p. 154.
- ↑ Banbury, Philip (1971). Shipbuilders of the Thames and Medway. Newton Abbot: David & Charles
- ↑ The Mariner's Mirror (em inglês). [S.l.]: Society for Nautical Research. 1984. Consultado em 17 de maio de 2025
- ↑ a b c «The Jeune Ecole Offers Lessons for a New Contested Maritime Environment». U.S. Naval Institute (em inglês). 23 de julho de 2024. Consultado em 17 de maio de 2025
- ↑ Roksund, p. 116.
- ↑ Chesneau & Kolesnik, pp. 74–76, 348–49.
Bibliografia
- Bueb, Volkmar (1971). Die "Junge Schule" der französischen Marine. Strategie und Politik 1875–1900. Col: Wehrwissenschaftliche Forschungen, Abteilung Militärgeschichtliche Studien. 12. Boppard am Rhein: Harald Boldt Verlag. ISBN 3-7646-1552-4
- Chesneau, Roger; Kolesnik, Eugene M., eds. (1979). Conway's All the World's Fighting Ships 1860–1905
. Greenwich: Conway Maritime Press. ISBN 0-8317-0302-4 - Gardiner; Lambert, Andrew, eds. (1992). Steam, Steel and Shellfire: The Steam Warship 1815–1905. [S.l.]: Conway's History of the Ship. ISBN 0-7858-1413-2
- Howe, Christopher (1996). The Origins of Japanese Trade Supremacy: Development and Technology in Asia from 1540 to the Pacific War. Chicago: The University of Chicago Press. ISBN 0-226-35485-7
- Ropp, Theodore (1987). Roberts, Stephen S., ed. The Development of a Modern Navy: French Naval Policy, 1871–1904. Annapolis: Naval Institute Press. ISBN 978-0-87021-141-6
- Roksund, Arne (2007). The Jeune École: The Strategy of the Weak. Leiden: Brill. ISBN 978-90-04-15723-1