Jazerina

A jazerina[1][2], também conhecida como jazerão[3][4], consistia num tipo de malha metálica, semelhante à cota de malha, embora mais fina e justa, uma vez que, apesar de também ser confeccionada em ferro ou aço, servia-se de elos metálicos de dimensões mais modestas. [5]

Exemplo de padrão de malha jazerina

A malha jazerina era empregue na confecção de peças de armadura medieval, com efeito, embora fosse amiúde usada nas peças que visavam a protecção do tronco, também há registo do seu uso em peças que cobriam as coxas, como fraldas e saiotes de malha[6][7] e ainda em peças que cobriam a cabeça, como almofres e coifas de malha.[8]

Etimologia

O substantivo «jazerão» entra no português pelo francês medieval jazerant.[4] Este étimo, por sua vez, remonta ao provençal jazeran[4], o qual, por seu turno, provém do étimo árabe jazairi que significa «originário de Argel».[2]

O substantivo «jazerina», entra no português por via do árabe-hispânico e provém directamente do sobredito étimo árabe jazairi.[2]

Abonações históricas

No testamento do bacharel João Calaça, pertencente à Ordem Dominicana, de 1503, consta a seguinte passagem alusiva à jazerina[6]:

No inventário do 5.º Duque de Bragança, D. Teodósio I, de 1564 a 1567, o item 3478 inclui uma fralda de malha jazerina:[7]

Referências

  1. «Dicionário Online - Dicionário Caldas Aulete - Significado de jazerina». aulete.com.br. Consultado em 6 de fevereiro de 2025 
  2. a b c S.A, Infopédia- Dicionário da Língua Portuguesa. «jazerina». Infopédia Dicionário da Língua Portuguesa. Consultado em 14 de agosto de 2023 
  3. «Dicionário Online - Dicionário Caldas Aulete - Significado de jazerão». aulete.com.br. Consultado em 6 de fevereiro de 2025 
  4. a b c S.A, Infopédia- Dicionário da Língua Portuguesa. «jazerão». Infopédia Dicionário da Língua Portuguesa. Consultado em 14 de agosto de 2023 
  5. Veiga Coimbra, Álvaro (1960). Questões pedagógicas. São Paulo: Departamento de História, Universidade de São Paulo. pp. 469; 492. doi:10.11606/issn.2316-9141.rh.1960.120156 
  6. a b Lopes, Ana Mafalda; Duarte, Fábio Miguel Albino; Oliveira, Maria Teresa; Rosa, Maria de Lurdes (2024). VINCULUM. A Memória dos Vínculos. Documentos do projeto Vinculum. Antologia de Fontes 1.ª Edição ed. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra. p. 140. 846 páginas 
  7. a b Buescu, Ana Isabel (17 de dezembro de 2013). «LIVROS EM CASTELHANO NA LIVRARIA DE D. TEODÓSIO I (1510?-1563)5º DUQUE DE BRAGANÇA .». Estudios Humanísticos. Historia (12). ISSN 2444-0248. doi:10.18002/ehh.v0i12.961. Consultado em 6 de fevereiro de 2025 
  8. Callender dos Reis, Josué (30 de junho de 1961). «QUESTÕES PEDAGÓGICAS - NOÇÕES DA ARTE DA ARMARIA». Revista de História: 193. 512 páginas. doi:10.11606/issn.2316-9141.rh.1961.121520