Jayme Thomás Florence

Meira
Nome completoJayme Thomás Florence
Nascimento1 de outubro de 1909
Paudalho, PE, Brasil
Morte8 de novembro de 1982 (73 anos)
Rio de Janeiro, RJ
Brasil
Nacionalidadebrasileiro
Ocupaçãoviolonista e compositor
Instrumento(s)violão

Jayme Thomás Florence, conhecido como Meira (Paudalho, 1 de outubro de 1909Rio de Janeiro, 8 de novembro de 1982), foi um violonista e compositor brasileiro.

Biografia

Nascido em Paudalho em 1909, aos dezoito anos já residia em Recife, onde fazia parte do conjunto Voz do Sertão, liderado por Luperce Miranda.[1] No ano seguinte mudou-se para o Rio de Janeiro e em 1937 passou a integrar o regional de Benedito Lacerda, junto com Canhoto e Dino.[2] Faleceu no Rio de Janeiro poucos dias após completar 73 anos.[1]

Gravações

Embora jamais tenha gravado um disco próprio, suas composições foram gravadas por diversos intérpretes como Elizeth Cardoso, Nana Caymmi, Orlando Silva, Luiz Gonzaga, Elza Soares, Nélson Gonçalves, Isaurinha Garcia, Zezé Gonzaga, Taiguara e Danilo Caymmi. Seu choro Primavera — mais tarde renomeado Arranca Toco — foi gravado por Benedito Lacerda em 1934. Com Dilermando Reis gravou diversos discos de 78 rpm entre 1941 e 1949.[2]

Ensino

O trabalho de Meira como professor de violão se tornou também bastante conhecido, principalmente por reunir entre seus alunos violonistas fundamentais para a história no violão no Brasil e no mundo como Baden Powell, Raphael Rabello e Maurício Carrilho[2].

Suas práticas de ensino de violão combinavam o repertório da literatura clássica do instrumento e a prática em conjunto típica das rodas de choro. Geralmente, as aulas eram divididas em dois momentos: um primeiro voltado à  correções das lições passadas, leitura de partituras e exercícios e um segundo momento onde “os livros eram fechados” [3] e se organizava uma espécie de “roda de choro concentrada”[1] na qual Meira passava a solar músicas de diferentes gêneros musicais para que os alunos acompanhassem (sem qualquer anotação).  

Esta segunda parte que se tornou uma marca da abordagem pedagógica de Meira. Os alunos eram incentivados não só a acompanhar de ouvido um repertório diverso, mas fazê-lo sem auxílio de Notação musical e sendo capaz de transpor para qualquer uma das 12 tonalidades possíveis [4][3]. Não raro, os alunos de Meira se reuniam em sua casa nos sábados para uma manhã de prática acompanhando ilustres convidados como Pixinguinha, Jacob do Bandolim e Dino 7 Cordas, entre outros

...os livros eram fechados, as estantes guardadas e começava o treinamento mais importante que um músico pode ter na vida: tocar. Ouvir e tocar [...] e um atrás do outro, os gêneros musicais das mais diversas regiões eram tocados: choro, polca, valsa, schottish, bolero, samba, tango argentino, fox-trot, ragtime, frevo, habanera, mazurca, [...]. A sensação era de estar descendo a estrada do Corcovado numa estrada sem freio. Sobreviver era se manter na música sem parar, vencendo cada compasso desconhecido, memorizando os caminhos que seriam percorridos mais uma vez na repetição das partes, para acertar o que não tinha saído correto na primeira passada. Gradativamente o acompanhamento ia sendo composto: primeiro os acordes iam sendo encontrados, as modulações entendidas, depois os baixos obrigatórios, a condução das vozes, as levadas rítmicas apropriadas, e por fim, as brincadeiras, as substituições de acordes, as rearmonizações de improviso [...] e assim, de ouvido, aprendi o acompanhamento de centenas de músicas que eu desejasse tocar [5]

Referências

  1. a b «Meira». Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Consultado em 9 de novembro de 2014 
  2. a b c MACEDO, Laura (1 de outubro de 2009). «O moderno Violão de Jayme Florence - o Meira». Jornal GGN. Consultado em 9 de novembro de 2014 
  3. a b ROSA, Luciana Fernandes (2020). Relações entre escrita e oralidade na transmissão e práxis do choro (PDF). São Paulo: USP 
  4. BITTAR, Iuri Lana (2011). Fixando uma gramática: Jayme Florence (Meira) e sua atividade nos grupos Voz do Sertão, Regional de Benedito Lacerda e Regional do Canhoto. Rio de Janeiro: UNIRIO 
  5. TAUBKIN, Myrian (2007). Violões do Brasil. São Paulo: Editora Senac. p. 121-122