James Theodore Holly
James Theodore Augustus Holly
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| Bispo do Haiti e da República Dominicana | |
| Nascimento | 3 de outubro de 1829 Washington, D.C. |
| Morte | 13 de março de 1911 (81 anos) Porto Príncipe |
| Veneração por | Igreja Episcopal dos Estados Unidos Igreja Episcopal Anglicana do Brasil |
| Festa litúrgica | 13 de março |
James Theodore Augustus Holly (3 de outubro de 1829, em Washington, DC - 13 de março de 1911, em Porto Príncipe) foi o primeiro bispo afro-americano na Igreja Episcopal Protestante e passou a maior parte de sua carreira episcopal como bispo missionário do Haiti.
Biografia
Os pais de Holly eram escravos libertos de ascendência africana, e ele nasceu e foi criado em Washington, DC. James frequentou escolas públicas e privadas e foi criado como católico, mas aos poucos se afastou da Igreja Católica. Aos 14 anos, mudou-se com os pais para oBrooklyn, Nova York, e seu pai o ensinou a ser sapateiro. Passou seus primeiros anos em Washington, D.C. e Brooklyn, Nova York, onde se conectou com Frederick Douglass e outros abolicionistas negros. Participou ativamente de convenções antiescravistas nos estados livres e de atividades abolicionistas. Em 1850, ele e seu irmão Joseph abriram sua própria oficina de fabricação de botas.[1][2]
Em 1851, Holly casou-se com sua esposa Charlotte e também se afastou da Igreja Católica devido a uma disputa sobre a ordenação do clero negro local e ingressou na Igreja Episcopal em 1852. Logo depois, o casal se mudou para Windsor, Canadá, onde os Hollys permaneceram até 1854.[2]
Holly foi ordenado diácono na Igreja de São Mateus, em Detroit, em 17 de junho de 1855, e ordenado sacerdote pelo bispo de Connecticut em 2 de janeiro de 1856.[3]
Mesmo continuando suas atividades religiosas, Holly sentiu-se atraído pela emigração, acreditando que os afro-americanos não tinham futuro nos Estados Unidos. Em 1854, foi delegado à primeira Convenção de Emigração em Cleveland. No ano seguinte, representou o Conselho Nacional de Emigração como comissário.[2]
Em 1856, Holly retornou aos Estados Unidos, estabelecendo-se em New Haven, Connecticut, onde serviu como reitor na Igreja de St. Luke e professor em escolas públicas e privadas até 1861.[2] Ele foi um dos fundadores da Sociedade Episcopal Protestante para Promover a Extensão da Igreja entre Pessoas de Cor em 1856, uma antecessora da União dos Episcopais Negros. Esse grupo desafiou a Igreja a se posicionar contra a escravidão na Convenção Geral.[1][3]
Holly promovia a emigração negra para o Haiti e apresentou esse argumento em uma série de palestras publicadas em 1857. Em 1859, ele se correspondeu com o congressista Francis P. Blair sobre a obtenção de auxílio governamental para a emigração. Ele também pressionou o Conselho de Missões da Igreja Episcopal para financiar sua viagem ao Haiti. Holly não informou ao Conselho que planejava levar emigrantes ao Haiti em sua viagem.[2]
Em 1861, ele deixou os Estados Unidos com sua família e um grupo de 110 homens, mulheres e crianças afro-americanos para se estabelecer no Haiti. Ainda no primeiro ano, perdeu sua esposa, sua mãe, dois de seus filhos e vários colonos devido a doenças e más condições de vida. Em 1862, Holly tornou-se cidadão haitiano, mas retornou aos Estados Unidos na esperança de obter apoio financeiro para estabelecer uma estação missionária. Seu pedido foi negado, mas em 1865 o Conselho de Missões da Igreja Episcopal Protestante aceitou o patrocínio da missão de Holly no Haiti. Em julho de 1863, Holly organizou a Igreja da Santíssima Trindade.[1][2][3]
Ele obteve sucesso na fundação de escolas e na construção da Igreja. Treinou jovens padres e iniciou congregações e programas médicos no interior. Durante esse período, a maioria dos haitianos apoiava seus sentimentos religiosos por meio do simbolismo e da observância da Loja Maçônica. Como experiente líder e estudioso maçônico, Holly visitou os templos maçônicos e fez amigos entre seus membros. Ele também se dispôs a realizar serviços funerários maçônicos.[1]

Em 8 de novembro de 1874, foi ordenado bispo na Grace Church, em Nova York, não pela Igreja Episcopal tradicional, que se recusou a ordenar um bispo missionário negro, mas pela Sociedade Missionária da Igreja Americana, um ramo episcopal evangélico da Igreja. Em 1878, foi reconhecido como bispo da Igreja Episcopal Ortodoxa Anglicana do Haiti. Naquele ano, participou da Conferência de Lambeth como bispo da Igreja, tornando-se o primeiro afro-americano a fazê-lo, e pregou na Abadia de Westminster no Dia de São Tiago daquele ano. O Bispo Holly também foi encarregado da Igreja Episcopal na República Dominicana de 1897 a 1911.[1][2][3]
Bispo Holly acabou se casando novamente. Ele e sua nova esposa, Sarah Henley, tiveram nove filhos.[2] Ele recebeu um doutorado pela Universidade Howard e um diploma honorário em Direito pelo Liberia College, em Monróvia.[4]
Faleceu em Porto Príncipe, Haiti em 13 de março de 1911.[1][2] Seu túmulo se encontra na Escola St. Vincent para Crianças Deficientes.[3]
Após a morte de Holly, a Igreja Haitiana, que na época ainda era conhecida como l'Eglise Orthodoxe Apostolique Haïtienne, estabeleceu formalmente um relacionamento com a Igreja Episcopal, optando por se tornar um distrito missionário da igreja americana em vez de eleger um bispo dentre seu clero ou se tornar uma igreja autônoma da Comunhão Anglicana. Essa decisão foi tomada em 1915, mesmo ano em que os fuzileiros navais americanos ocuparam o Haiti. Atualmente, a igreja haitiana, como Diocese Episcopal do Haiti, é a diocese que tem mais membros batizados dentre todas da denominação.[5]
Legado
Uma autorização preliminar votada na Convenção Geral de 2006 adicionou Holly ao calendário litúrgico da Igreja Episcopal dos Estados Unidos, sendo posteriormente aprovado seu dia de festa anual.[6] Assim, em 2018, o calendário da igreja lembrava Holly com uma comemoração suplementar/local em 13 de março, o aniversário de sua morte.[7] Atualmente, sua memória é inserida dentro das Festas e Jejuns Menores, em 12 de março.[8]
Em algumas igrejas, sua celebração assume particular importância, como na St. Luke's (New Haven), que liderou,[4][9] e em outras em várias dioceses da Igreja Episcopal.[10][11]
A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil também o lembra em 13 de março, como uma das Festas Menores, identificando-o como "Bispo, Missionário e Testemunha Profética".[12]
Referências
- ↑ a b c d e f «James Theodore Holly». Lectionary. 11 de janeiro de 2025. Consultado em 24 de setembro de 2025
- ↑ a b c d e f g h i Larsen, Julia (30 de maio de 2008). «Holly, James Theodore (1829-1911)». The Black Past: Remembered and Reclaimed. Consultado em 24 de setembro de 2025
- ↑ a b c d e «JAMES THEODORE HOLLY, Bishop, 1911». Daily Prayer: A Resource of Forward Movement (em inglês). Consultado em 24 de setembro de 2025
- ↑ a b «James Theodore Holly». St. Luke's Episcopal Church (em inglês). Consultado em 24 de setembro de 2025
- ↑ Bauerschmidt, J. Fritz (13 de março de 2021). «Honoring Haiti's First Bishop, and Seeking the Next». The Living Church (em inglês). Consultado em 24 de setembro de 2025
- ↑ «James Theodore Holly celebration in Haiti». www.anglicannews.org. 8 de fevereiro de 2007. Consultado em 24 de setembro de 2025
- ↑ «Lesser Feasts and Fasts 2018». The Episcopal Church. Consultado em 24 de setembro de 2025
- ↑ «Lectionary Calendar». The Episcopal Church (em inglês). Consultado em 24 de setembro de 2025
- ↑ Woodford, Sarah (25 de fevereiro de 2025). «The Legacy of Bishop Theodore Holly». Episcopal Church in Connecticut (em inglês). Consultado em 24 de setembro de 2025
- ↑ «Remembering Haiti – All Saints Episcopal Church» (em inglês). 12 de março de 2025. Consultado em 24 de setembro de 2025
- ↑ «Readings for Thursday, March 13, 2025» (PDF). St. Andrew’s Episcopal Church. Consultado em 24 de setembro de 2025
- ↑ «Calendário Eclesiástico 2025» (PDF). IEAB. Consultado em 24 de setembro de 2025
Ligações externas
- Bishop Holly. «Facts about the Church's Mission in Haiti: A Concise Statement.». New York: Thomas Whittaker, 1897.
- Wipfler, William Louis. «James Theodore Holly in Haiti». New York : National Council, 1956.
- «James Theodore Holly: Black Nationalist and Religious Writings». Edited by Greg Robinson, 2020
