Jayme Ovalle
| Jayme Ovalle | |
|---|---|
| Nascimento | 5 de agosto de 1894 Belém |
| Morte | 9 de setembro de 1955 (61 anos) Rio de Janeiro |
| Cidadania | Brasil |
| Ocupação | compositor, escritor, poeta |
Jayme Rojas de Aragón y Ovalle ou Jayme Ovalle (Belém do Pará, 6 de agosto de 1894 - Rio de Janeiro, 9 de setembro de 1955) foi um compositor e poeta brasileiro. Grande conhecedor da música popular, tocava violão em choros e serestas.[1]
Biografia
Jayme Rojas de Aragón y Ovalle nasceu em Belém do Pará, em 6 de agosto de 1894, filho do chileno Mariano Ernesto Ovalle, empresário e aventureiro que se estabelecera na região amazônica por volta de 1880, atraído pelo ciclo da borracha, e de Elisa Coelho, cearense de origem indígena que já havia sido casada anteriormente com um oficial português, com quem tivera outros filhos.[2] [3]
A educação formal de Ovalle foi praticamente inexistente; aos nove anos, em 1903, foi matriculado no Colégio dos Irmãos Maristas franceses no Convento de Nossa Senhora do Carmo, em Belém, mas foi logo dispensado por dificuldades em aprender a ler e escrever. Autodidata, aprendeu a alfabetização por conta própria, desenvolvendo uma caligrafia "áspera e crispada" que ele mesmo mal decifrava, e que o levou a se arrepender ao longo da vida de sua formação deficiente. Sua saúde era frágil, com ataques epilépticos não severos, o que o isolava em um "reino quase místico" imaginado por ele mesmo, conforme descrito por sua filha Mariana Ovalle em trabalho escolar.[4]
A iniciação musical veio pela influência da irmã Cherubina (Bina), que o incentivou a abandonar um violino rudimentar de uma corda só e a experimentar instrumentos; Ovalle praticou piano, bandolim e violino de forma autodidata, mas encontrou seu "clima estético e emocional" no violão, instrumento que dominou completamente e usou para reproduzir melodias tradicionais amazônicas. As primeiras lições formais ocorreram ao lado da irmã com o maestro italiano Edoardo Pierantoni, no Conservatório Carlos Gomes, atraído pela prosperidade da borracha e respeitado como regente de orquestras em cinemas e bailes belenenses. Viúva em 1904, Elisa Coelho enfrentou agravamento da crise financeira familiar; em 1911, motivada pela decadência inicial do ciclo da borracha, e possivelmente pela instabilidade política local envolvendo o intendente Antônio Lemos (cuja família tinha laços com as irmãs de Ovalle), mudou-se para o Rio de Janeiro em busca de melhores perspectivas.[4]
No Rio, aos 17 anos, Ovalle iniciou carreira no serviço público na Imprensa Nacional, por indicação do senador Artur de Souza Lemos. Com apenas três anos na cidade, já era reconhecido nos meios boêmios e musicais cariocas, recebendo o apelido de "Canhoto" pela técnica peculiar de tocar violão com a mão esquerda, mesmo utilizando instrumento não afinado para canhotos, extraindo "indivisível sortilégio das cordas" de maneira que tinha "todos os encantos dos seresteiros e mais alguma coisa de muito requintado, mas sem a mínima pretensão nem duvidoso gosto", conforme Manuel Bandeira[5]. Sua técnica era elogiada por Sinhô e Pixinguinha, parceiros de boêmia, segundo o musicólogo Ricardo Cravo Albin.[6]
Principais composições
- Pedro Álvares Cabral (poema sinfônico)
- I. Legenda op. 19 (para piano)
- II. Legenda op. 22 (para piano)
- III. Legenda op. 23 (para piano)
- Modinha (canção, com texto de Manuel Bandeira)
- Azulão (canção, com texto de Manuel Bandeira)
Referências
- ↑ José R. Tinhorão A música popular no romance brasileiro: Século XX 2: Vol 3 - P 45 2002 "Muito em coerência com o gosto sofisticado das pessoas presentes, a cantora interpreta depois a modinha do paraense Jaime Ovalle "Azulão (Opus …"
- ↑ Novaes Cantão, Felipe (2012). «JAYME OVALLE: UM COMPOSITOR NACIONALISTA?». seer.unirio.br. Consultado em 8 de dezembro de 2022
- ↑ Heringer, Victor Doblas (18 de dezembro de 2012). «O JAYME OVALLE DE MANUEL BANDEIRA». Revista Memento (2): 38–49. ISSN 1807-9717. Consultado em 22 de outubro de 2025
- ↑ a b Cantão, Felipe Novaes (14 de junho de 2013). «Três legendas de Jayme Ovalle: contribuições para o estudo e técnica do piano». Consultado em 22 de outubro de 2025
- ↑ Cantão, Felipe Novaes (14 de junho de 2013). «Três legendas de Jayme Ovalle: contribuições para o estudo e técnica do piano». Consultado em 22 de outubro de 2025
- ↑ «Jaime Ovalle». Dicionário Cravo Albin. Consultado em 22 de outubro de 2025
- WERNECK, Humberto, O santo sujo, Cosac & Nayf, São Paulo, 2008.