Jaime Murteira
| Jaime Murteira | |
|---|---|
| Nascimento | |
| Morte | 1986 (76 anos) |
| Nacionalidade | |
| Prémios | Menção honrosa da SNBA 3.ª medalha em pintura a óleo no Salão de Primavera 3.ª Medalha em pintura no Salão Estoril |
| Área | Pintura |
| Formação | Sociedade Nacional de Belas Artes |
| Movimento(s) | Naturalismo Português |
Jaime Augusto Murteira, mais conhecido por Jaime Murteira (Lisboa, 10 de Dezembro de 1910 - 1986), foi um pintor português.
Biografia
Nasceu na cidade de Lisboa, em 10 de Dezembro de 1910.[1] Estudou no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, onde se licenciou em 1933.[1]
Os seus planos iniciais eram para se enveredar na carreira diplomática.[1] Porém, enquanto esperava por uma vaga no Ministério dos Negócios Estrangeiros, candidatou-se com sucesso no Quadro Técnico Aduaneiro.[1]
Destacou-se principalmente como pintor, tendo sido um dos últimos artistas no movimento naturalista português.[1] A sua obra é composta principalmente por paisagens, tanto do litoral como no interior do país.[1] Em 1956, foi considerado pelo jornal Notícias do Algarve como «um dos melhores valores da sua geração [...] disfrutando de lugar de relevo entre os nossos melhores paisagistas»[2] O jornal destacou as obras Ao escurecer no paul, Barcos na doca e Areia molhada, A Barroca, esta última inspirada numa rua em Lagos, Ribatejo, Sagres e Moinho de Marchil.[2] Em 1940, entrou na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, e começou a frequentar aulas particulares com os mestres pintores Frederico Aires e António Saúde.[1] Participou numa exposição pela primeira vez em 1942, no Salão da Primavera da Sociedade Nacional, tendo obtido o 3.º prémio na pintura a óleo.[1] Continuou a estudar e a laborar intensamente na pintura, tendo realizado diversas exposições a título individual, na Sociedade Nacional, no Salão Silva Porto, na cidade do Porto, e no Museu Regional de Lagos.[1] Recebeu uma menção honrosa da Sociedade Nacional, por desenho, e a 3.ª Medalha em pintura no Salão Estoril.[1] Algumas das suas primeiras exposições em meados da década de 1940, no Museu Regional de Lagos, promovidas pelo director, José Formosinho.[2] Pouco depois começou a expor na Sociedade Nacional de Belas Artes, e noutras instituições, onde foi bem recebido tanto pelo público como pela crítica.[2] Em 1946 participou com duas obras na XLIII Exposição de Pintura e Escultura da Sociedade Nacional de Belas Artes: Manhã Triste, inspirada em Monchique, e Luz do Algarve, baseada na cidade de Lagos.[3] Nesse ano também marcou presença na terceira exposição do grupo Artistas Portugueses, igualmente na Sociedade Nacional de Belas Artes, com a sua pintura Inverno, que foi descrita pela revista Afinidades como «uma tela de flagrante realidade a comprovar o justo sentido que o artista tem da Natureza.».[4]
Em 1956 expôs na Aliança Francesa de Faro, com grande sucesso.[2] Em 5 de Fevereiro de 1960, inaugurou uma exposição de pintura a óleo no salão da Sociedade Nacional de Belas Artes, cerimónia que contou com a presença do Ministro da Educação Nacional, Francisco de Paula Leite Pinto.[5] Em 1971 participou numa exposição colectiva em homenagem ao pintor Carlos Porfírio, em Faro,[6] e em 1977 expôs no edifício da Câmara Municipal de Lagos, com a obra Paisagens.[7] Em 1984 organizou uma exposição individual de pintura na galeria de arte do Casino Estoril.[8]
Também se dedicou à arqueologia, tendo colaborado com o museólogo José Formosinho em investigações no sítio arqueológico da Boca do Rio, levando à recolha de vários materiais que foram depois expostos no Museu Regional de Lagos.[9]
Faleceu em 1986.[10]

Homenagens
A Câmara Municipal de Lagos colocou o seu nome numa rua da cidade, em 18 de Fevereiro de 1987.[1][11]
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k FERRO, 2007:318
- ↑ a b c d e «Miradoiro» (PDF). Na Aliança Francesa de Faro Jaime Murteira obteve assinalável êxito com a exposição de pintura que hoje se encerra. Ano III (156). Vila Real de Santo António. 3 de Junho de 1956. p. 1-4. Consultado em 20 de Abril de 2025 – via Hemeroteca Digital do Algarve
- ↑ «Miradoiro» (PDF). Povo Algarvio. Ano XII (615). Tavira. 21 de Abril de 1946. p. 2. Consultado em 20 de Abril de 2025 – via Hemeroteca Digital do Algarve
- ↑ VIDAL, Vasco (Julho de 1946). «Artes plásticas: a 3.° exposição do grupo "Artistas Portugueses"» (PDF). Afinidades (18). Lisboa. p. 52. Consultado em 21 de Abril de 2025 – via Hemeroteca Digital do Algarve
- ↑ «Jaime Murteira expôe na Sociedade de Belas Artes» (PDF). Povo Algarvio. Ano XXXI (1335). Tavira. 7 de Fevereiro de 1960. p. 2. Consultado em 20 de Abril de 2025 – via Hemeroteca Digital do Algarve
- ↑ «O pintor algarvio Carlos Porfírio alvo de homenagem póstuma» (PDF). O Algarve. Ano 63 (3279). Faro. 31 de Janeiro de 1971. p. 7. Consultado em 20 de Abril de 2025 – via Hemeroteca Digital do Algarve
- ↑ «Correio de Lagos» (PDF). Jornal do Algarve. Ano 20 (1038). Vila Real de Santo António. 11 de Fevereiro de 1977. p. 2. Consultado em 20 de Abril de 2025 – via Hemeroteca Digital do Algarve
- ↑ «Roteiro» (PDF). O País. Ano IX (446). Lisboa. 19 de Julho de 1984. p. 8. Consultado em 21 de Abril de 2025 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa
- ↑ «Museu Regional de Lagos» (PDF). Ecos do Algarve. Ano 1 (4). Lagos. 30 de Outubro de 1960. p. 1. Consultado em 20 de Abril de 2025 – via Hemeroteca Digital do Algarve
- ↑ «artistas - Jaime Murteira». Movimento Arte Contemporânea. Consultado em 23 de Dezembro de 2012
- ↑ «Freguesia de Santa Maria» (PDF). Câmara Municipal de Lagos. Consultado em 22 de Dezembro de 2018. Arquivado do original (PDF) em 22 de Fevereiro de 2014
Bibliografia
- FERRO, Silvestre Marchão (2007). Vultos na Toponímia de Lagos 2.ª ed. Lagos: Câmara Municipal de Lagos. 358 páginas. ISBN 972-8773-00-5