Jaime Luís Sobieski

Jaime Luís
Príncipe Sobieski e Príncipe de Oława
Retrato por Jan Frans van Douven, c. 1694
Dados pessoais
Nascimento2 de novembro de 1667
Paris, França
Morte19 de dezembro de 1737 (70 anos)
Zhovkva, Polônia
EsposaEdviges Isabel de Neuburgo
Descendência
Maria Carolina
Maria Clementina
CasaSobieski
PaiJoão III Sobieski da Polônia
MãeMaria Casimira d'Arquien
ReligiãoCatolicismo
Brasão

Jaime Luís Sobieski (em polonês/polaco: Jakub Ludwik Henryk Sobieski; Paris, 2 de novembro de 1667Zhovkva, 19 de dezembro de 1737) foi um príncipe, político, diplomata, intelectual e viajante polonês filho do rei João III Sobieski da Polônia e de Maria Casimira d'Arquien.

Biografia

Nascimento e educação

Jaime nasceu em Paris no dia 2 de novembro de 1667, filho mais velho de João Sobieski, na época hetmã de Campo da Coroa, e Maria Casimira d'Arquien. A informação sobre o dia do nascimento vem de uma carta de João Sobieski para Maria Casimira, na qual ele escreveu sobre Jaime: Se eu pensasse, minha senhora, que Deus nos deu ele no Dia de Finados...[1] Ele nasceu enquanto sua mãe estava na França, na corte dos Bourbons, onde ela foi para receber cuidados médicos durante sua gravidez, uma vez que, após a morte de sua protetora Maria Luísa Gonzaga, ela não contava com o apoio da corte polonesa. Durante sua estadia no Vale do Loire, Maria Casimira também tentou também tentou lançar as bases de uma facção pró-francesa na Comunidade Polaco-Lituana, colaborando com seu marido, que residia na Polônia.[2]

Retrato de João III Sobieski com seu filho Jaime Luís
Jerzy Siemiginowski-Eleuter, c. 1660, Palácio Wilanów

Sobieski insistiu, em cartas para sua esposa, para que dessem ao menino o nome de seu pai, Jaime, justificando isso pelo costume polonês. Provavelmente, essa sugestão não foi bem recebida pela mãe. Em homenagem aos padrinhos, o rei da França Luís XIV e a rainha inglesa exilada Henriqueta Maria, e ao avô materno, o marquês Henrique d'Arquien, o menino recebeu os nomes Luís Henrique. O batismo ocorreu em 18 de maio de 1668, em Paris. A questão controversa do nome do filho foi resolvida por seu pai em uma carta enviada a Maria Casimira, na qual ele escreveu: Saúde ao Luís, que será Luís Henrique na França, e Jaime aqui [Polônia].[1] O príncipe usou, na vida adulta, os nomes Jaime Luís. Em 20 de setembro de 1668, Jaime, junto com sua mãe, chegou a Gdansk, onde se encontrou pela primeira vez com seu pai. Os pais de Sobieski o chamavam carinhosamente de "Fanfaniki" (um apelido provavelmente derivado do francês fanfan, que significa "pequeno menino"), e às vezes o chamavam de "Kubeczek".[2]

O jovem Jaime teve alguns problemas de saúde menores. Grande parte da correspondência dos pais era dedicada à sua saúde. Quando tinha cinco anos, ele tinha dificuldade para colocar os pés de maneira reta, o que mais tarde foi corrigido. É provável que Jaime também tivesse um problema na coluna vertebral. No entanto, isso não poderia ser grave, já que, em sua fase adulta, ele era muito bom em dançar e montar a cavalo. Sabe-se que sua mãe encomendava coletes corretivos para ele. Maria Casimira muitas vezes lamentava a condição de Jaime em suas cartas, dizendo que ele estava sempre doente.[2]

Em 1671, o padre Kostrzycki tornou-se seu tutor e educador. Após a eleição de seu pai para o trono em 1674, apesar das objeções de alguns deputados que não queriam conceder direitos monárquicos à família Sobieski, a educação do príncipe tornou-se uma questão de interesse nacional e foi cuidadosamente planejada e supervisionada.[2]

Príncipe polonês

Retrato de Jaime Luís Sobieski com um leão
Atribuído a Jan Tricius, 1681, Castelo Olesko

Após a eleição de João Sobieski como Rei da Polônia em 1674, o jovem príncipe foi atraído pelos planos dinásticos de seus pais, o que apenas inflamou ainda mais a antipatia da aristocracia em relação à família Sobieski. Apesar dos esforços de seus pais na corte de Viena, eles não conseguiram garantir para Jaime o governo sobre os Ducados de Legnica, Brzeg, Wołów e Oława na Silésia depois que a dinastia Piast extingiu-se em 1675. Isso levou o pai de Jaime, João III Sobieski, a elaborar um plano para tomar o poder na Prússia Ducal em favor do seu filho. O Tratado secreto de Jaworów, assinado em 1675 entre o rei polonês e a França, comprometeu a Polônia a ajudar a França contra Brandemburgo-Prússia em troca de subsídios monetários franceses e apoio às reivindicações polonesas sobre a Prússia Ducal.[3][4] Os franceses prometeram mediar entre a Polônia e o Império Otomano para que as forças polonesas pudessem ser desviadas da fronteira sul.[5]

Entretanto, o tratado falhou, pois os diplomatas franceses não conseguiram melhorar as relações entre a Comunidade Polaco-Lituana e os Otomanos.[5][6] A Trégua de Żurawno assinada no ano seguinte foi desfavorável à Polônia-Lituânia[5][6] e a França finalmente concluiu o Tratados de Nimega com a Prússia em 1679. Isso esfriou as relações da França com a Polônia, pois Sobieski abandonou sua posição pró-França. A aliança polaco-francesa havia se desfeito completamente em 1683, quando alguns dos membros da facção pró-França dentro da Polônia foram acusados ​​de conspirar para derrubar Sobieski, e o embaixador francês Nicolas-Louis de l'Hospital, Bispo de Beauvais e Marquês de Vitry, foi forçado a deixar o país.[7]

O fracasso desse plano levou o rei a promover o príncipe Jaime por meio da participação na guerra contra o Império Otomano. Dessa forma, o rei João buscava obter aceitação social para um papel mais importante para o príncipe, que ele esperava que se tornasse a segunda pessoa mais importante na Comunidade, depois dele. Esses esforços culminaram com o príncipe de quinze anos lutando ao lado de seu pai contra os turcos na Batalha de Viena, em 1683. Em consonância com as ambições de seus pais, o príncipe foi feito membro da Ordem do Tosão de Ouro, uma ordem de cavalaria católica considerada a irmandade mais estimada da fé cristã.[5]

Gravura de 1684, representando Jaime na Batalha de Viena.

Entre agosto e novembro de 1684, ele participou da expedição moldava de seu pai (eles capturaram Jazłowiec, entre outros territórios). Em 1684, foi feita uma tentativa de colocar Jaime Sobieski no trono de um dos feudos turcos. O objetivo inicial era a Transilvânia, mas a partir de 1686, foram feitas tentativas de garantir seu governo na Moldávia. Em 1687, o príncipe liderou uma expedição militar em nome de seu pai para Kamianets-Podilskyi com esse propósito, que terminou em fracasso.[8]

A condessa palatina Edviges Isabel de Neuburgo, esposa de Jaime.

O príncipe também enfrentou malogro em sua vida amorosa. Ainda em 1687, Jaime Luís pediu a mão da mulher mais rica da Comunidade Polaco-Lituana, Luísa Carolina Radziwiłł, em casamento. O casal ficou oficialmente noivo, mas devido a intrigas e manobras políticas na corte imperial, o compromisso foi rompido em agosto de 1688.[9] Indignado com a situação, o rei polonês levou o assunto ao Sejm. No entanto, o Parlamento decidiu que o casamento de Jaime Sobieski não era uma questão de Estado; ao nascer, ele não era filho de um monarca, mas de um hetmã de Campo da Coroa, tornando o casamento um assunto privado dele.[5]

Finalmente, em 1691, graças à ajuda da corte vienense, Jaime casou-se com a condessa palatina Edviges Isabel de Neuburgo, filha de Filipe Guilherme, Eleitor Palatino, irmã de Francisco Luís, Bispo de Wrocław, e cunhada do Sacro Imperador Romano. Em comemoração ao casamento, a ópera Per goder in amor ci vuol costanza foi criada pelo libretista Giovanni Battista Lampugnani e pelo compositor Viviano Augustini.[10] Como dote, sua esposa trouxe ao marido o título de Príncipe de Oława.[11]

Candidatura ao trono

Pintura encomendada por Jaime Sobieski em 1697. Ela retrata seu falecido pai apontando para um livro intitulado Hac Lege Lego (Por esta lei, eu elejo), acompanhado por Jaime e sua esposa, sugerindo que Jaime deveria ser o próximo Rei da Polônia e Grão-Duque da Lituânia.

Na época da Comunidade Polaco-Lituana, a monarquia era eletiva, ou seja, os reis não passavam o trono automaticamente a seus filhos. O novo monarca era escolhido pela szlachta (nobreza) em uma eleição organizada pelo parlamento (Sejm)[5]

Com a morte do pai de Jaime em 1696, nada menos que dezoito candidatos concorreram ao trono vago da Polônia-Lituânia. Rivalidades familiares impediram a eleição de Jaime, embora a Áustria apoiasse sua candidatura. A própria mãe de Jaime, Maria Casimira, favoreceu seu genro, Maximiliano II Emanuel, Eleitor da Baviera. O poderoso rei Luís XIV de França apoiou Francisco Luís, Príncipe de Conti.[5]

No final, Frederico Augusto, Eleitor da Saxônia, que renunciou ao luteranismo e se converteu ao catolicismo para se qualificar, foi coroado como Augusto II, Rei da Polônia e Grão-Duque da Lituânia em 1 de setembro de 1697. Foi a primeira vez que o filho de um monarca falecido não foi eleito para sucedê-lo, o herdeiro do rei anterior foi impedido de ascender ao trono pela força militar, e um alemão tornou-se rei (o que ia contra a tradição de evitar a hegemonia alemã). O primeiro ato de Augusto II como rei foi expulsar o Príncipe de Conti do país.[5]

Exílio em Oława e prisão

Após a coroação do rei Augusto II, Sobieski iniciou negociações para se reconciliar com o novo monarca. Durante as negociações, Jaime foi acusado de tentar organizar uma rebelião contra Augusto e, como resultado, perdeu consideráveis ​​propriedades de terra. Ofendido, Sobieski recusou-se a prestar homenagem a Augusto e deixou a Comunidade Polaco-Lituana para viver em Oława, na Silésia.[5]

Em 1704, Jaime Sobieski e seu irmão Alexandre foram capturados pelas tropas de Augusto nas proximidades da Breslávia e presos por medo de que tentassem conquistar o trono polaco-lituano. Os irmãos permaneceram presos em Pleissenburg e Königstein por dois anos antes de serem finalmente libertados após o Tratado de Altranstädt , onde ele assinou um acordo formal para nunca mais tentar se tornar Rei da Polônia e Grão-Duque da Lituânia.[5]

Retorno à Polônia-Lituânia

Jaime Sobieski recebeu uma sentença favorável durante o Sejm Silencioso em 1717, o que lhe permitiu retornar à Comunidade Polaco-Lituana e recuperar seus bens familiares que haviam sido confiscados por Augusto. Ele retornou à Polônia e se reconciliou com o rei, estabelecendo-se posteriormente no castelo ancestral dos Sobieski em Żółkiew. Após cair em desgraça com o Sacro Imperador Romano por permitir que sua filha Maria Clementina se casasse com Jaime Francisco Eduardo Stuart, pretendente jacobita aos tronos da Inglaterra, Escócia e Irlanda, ele perdeu o principado de Oława em 1719, mas conseguiu recuperar suas propriedades na Silésia em 1722. Sobieski retornaria a Oława periodicamente entre 1722 e 1734. Ele passou os últimos anos de sua vida administrando suas propriedades, viajando entre suas residências na Ucrânia e na Silésia, enquanto se dedicava à filantropia.[5]

Morte

Jaime Luís Sobieski morreu vítima de derrame em 19 de dezembro de 1737 em Zhovkva, Polônia (atual Ucrânia), e está sepultado lá. Sua filha mais velha, Maria Carolina, herdou suas vastas propriedades, que incluíam 11 cidades e 140 aldeias.[5]

Descendência

Do seu casamento com Edviges Isabel de Neuburgo nasceram 6 filhos:

  1. Maria Leopoldina (30 de abril de 1693 – 12 de julho de 1695), morreu aos dois anos de idade;
  2. Maria Casimira (20 de janeiro de 1695 – 18 de maio de 1723), se tornou freira, o pai tentou casá-la, sem sucesso, com Carlos XII da Suécia e morreu sem descendência;
  3. Maria Carolina (25 de novembro de 1697 – 8 de maio de 1740) casou-se duas vezes: primeiro com Frederico Maurício Casimiro de La Tour d'Auvergne, sem descendência; e depois com o seu cunhado, Carlos Godofredo de La Tour d'Auvergne, com descendência;
  4. João (21 de outubro de 1698 – julho de 1699), morreu aos nove meses de idade;
  5. Maria Clementina (18 de julho de 1702 – 24 de janeiro de 1735), casou-se com Jaime Francisco Eduardo Stuart, com descendência;
  6. Maria Madalena (nascida e morta em 3 de agosto de 1704), morreu logo após o nascimento.

Ancestrais

Ver também

Referências

  1. a b L. Kukulski (1970). Listy do Marysieński. [S.l.: s.n.] 
  2. a b c d Aleksandra Skrzypietz (2015). Jakub Sobieski. [S.l.: s.n.] ISBN 978-83-7976-311-5 
  3. Oskar Halecki; W: F. Reddaway; J. H. Penson. The Cambridge History of Poland. [S.l.]: CUP Archive. p. 542. ISBN 978-1-00-128802-4 
  4. Adam Zamoyski (2009). Poland: A History. [S.l.]: Harper Press. p. 167. ISBN 978-0-00-728275-3 
  5. a b c d e f g h i j k l Frank N. Magill (13 de setembro de 2013). The 17th and 18th Centuries: Dictionary of World Biography. [S.l.]: Routledge. p. 726. ISBN 978-1-135-92414-0 
  6. a b William Young (1 de setembro de 2004). International Politics and Warfare in the Age of Louis XIV and Peter the Great: A Guide to the Historical Literature. [S.l.]: iUniverse. p. 429. ISBN 978-0-595-32992-2 
  7. Red. (Eds.), Jan III Sobieski, p.417
  8. Karolina Targosz (1991). Jan III Sobieski mecenasem nauk i uczonych. [S.l.]: Zakład Narodowy im. Ossolińskich. p. 107. ISBN 978-83-04-03837-0 
  9. Barbora Radvilaitė. Kas ji?, Voruta (em lituano)
  10. Anna Szweykowska (2002). «Lampugnani, Giovanni Battista (i)». Grove Music Online. Oxford Music Online. Oxford University Press. ISBN 9781561592630. doi:10.1093/gmo/9781561592630.article.15925 
  11. Madonna i książę – Sobiescy na Śląsku.
  • Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em inglês cujo título é «James Louis Sobieski».

Bibliografia

Ligações externas