Jacinto Ventura de Molina

Jacinto Ventura de Molina
Nascimento
1766
Morte
11 de agosto de 1841

Montevidéu
NacionalidadeUruguaia

Jacinto Ventura de Molina (Rio Grande de San Pedro, 1766 - Montevidéu, 11 de agosto de 1841) foi um sapateiro, escritor e advogado autodidata uruguaio.[1][2]

Nascido na fronteira entre os impérios português e espanhol, filho de libertos, passou a maior parte de sua vida em Montevidéu. Seus escritos tratam sobre temas históricos, religiosos, filosóficos, jurídicos e autobiográficos; inscrevem-se numa ideologia contrarrevolucionária.[1]

Muito após seu falecimento publicaram-se seus escritos:

  • Jacinto Ventura Molina e os caminhos da escritura negra no Rio da Prata. [S.l.]: Linardi e Risso. ISBN 9789974675131 

Ver também

  • Episódio Um Negro letrado na cidade de letras Brancas do podcast História Preta

Referências

  1. a b de Navascués, Javier (2011). «Las estrategias contrarrevolucionarias de Jacinto V. de Molina» (PDF) (em espanhol). Universidade de Sevilha. doi:10.12795/PH.2011.v25.i01.08. Consultado em 16 de março de 2013 
  2. Borba, Lilian do Rocio (julho de 2015). «Escrita e comportamento social: Dom Obá II nas páginas dos jornais cariocas do século XIX» (PDF). Filol. Linguíst. Port., São Paulo. 17 (2): 447-472. doi:10.11606/issn.2176-9419.v17i2p447-472. “el Licenciado Negro Jacinto Ventura de Molina” foi um advogado autodidata que preparou petições e outros documentos em nome das sociedades africanas, oferecendo, assim, informações sobre as nações africanas, seus membros e dirigentes e sua política interna. Conforme informa Andrews (2008), Molina escreveu também sobre a história da população negra na África e na América e sobre os conflitos e enfrentamentos entre Portugal e Espanha. Apesar de seu caráter letrado, Jacinto ganhava a vida como sapateiro. Para Acree Jr. (2008, p. 32), os escritos de Molina “nos aproximan a um afrodescendiente que nació libre y que vivió para escribir”. Mesmo sapateiro, sua verdadeira profissão foi a escrita. Segundo o autor (2008), seus textos contêm uma variedade de escritos em diferentes registros e são destinados a públicos diversos. Era considerado louco por alguns, mas o fato é que era capaz de comunicarse com a sociedade letrada. Sua escrita era qualificada como extravagante não por ele ser “um negro loco”, na opinião de seus críticos, mas porque buscava demonstrar que também tinha direito de ser conhecido como letrado, trafegando então por dois mundos: o da sociedade branca e letrada e o dos afrodescendentes destituídos dessa sociedade. Afirma Acree Jr. (2008, p. 41): “Cualquier zapatero que escribe al Papa, a los reyes de España, Portugal y Brasil, tiene que llamar la atención, sea blanco, indio o negro, hombre o mujer, joven o viejo, pues la combinación de la zapatería con la composisión de memoriales o expedientes judiciales no es la más común”.