Júnior Brunelli
Rubens César Brunelli Júnior (São Paulo, 20 de fevereiro de 1970), conhecido na política como Brunelli[1] e referido pela imprensa como Júnior Brunelli, é um pastor da Catedral da Bênção (em Taguatinga), advogado e ex-político brasileiro.[2]
Foi deputado distrital por duas vezes na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Ganhou notoriedade nacional em 2009 devido ao seu envolvimento no escândalo de corrupção conhecido como Operação Caixa de Pandora e pelo episódio da "Oração da Propina".
Informações biográficas
Junior Brunelli reside em Brasília há 50 anos. Nasceu em São Paulo no dia 20 de fevereiro de 1970. É pastor, administrador e advogado, com Doutorado em Ciências Sociais e Jurídicas. É filho dos missionários Doriel de Oliveira e Ruth Brunelli de Oliveira, fundadores da Casa da Bênção.
Foi suplente de deputado distrital entre 1999 e 2001. Exerceu o mandato de deputado distrital nas legislaturas 2003-2006 e 2007-2010. Nesta última, foi eleito corregedor da Câmara Legislativa do Distrito Federal para o biênio 2009-2010.
Foi reeleito em outubro de 2006 com 23.734 votos, sendo o mais votado da coligação. Sua primeira eleição foi em 2002, quando obteve 7.691 votos, pelo Partido Progressista (PP). Em 1994 e 1998, também pelo PP, ficou como suplente.
Atuação Parlamentar
Projetos e Leis
Por duas vezes, em 2005 e 2006, Brunelli foi apontado como o distrital com maior número de proposições em levantamento da 3ª Secretaria da Câmara Legislativa. Dentre seus projetos transformados em lei, destacam-se incentivos à adoção do gás natural como combustível.
Outro destaque de sua autoria é a lei que regulamenta a assistência religiosa nos presídios e hospitais da capital federal, visando a ressocialização dos detentos, e a lei que institui o Serviço de Verificação de Óbitos (SVO).
Obras e Indicações
Durante seus mandatos, realizou indicações para obras de pavimentação e iluminação, com foco em áreas próximas a templos religiosos e comunidades em Taguatinga e Ceilândia:
- Pavimentação Asfáltica: EQNM 17/19, EQNN 04/06, EQNM 19/21, EQNM 20/22 e praças adjacentes.
- Iluminação Pública: Comunidade Cristã Gileade (CSG), Shopping Liberty Mall, e estacionamentos de diversas igrejas (Batista Monte Horebe, Missão da Fé, Paróquia São Francisco de Assis, entre outras).
- Isenção Fiscal: Sugeriu prazos e não emissão de carnês de IPTU e TLP para templos de qualquer culto.
Controvérsias e Processos Judiciais
Operação Caixa de Pandora
Em 2009, Júnior Brunelli foi um dos principais alvos da Operação Caixa de Pandora (também conhecida como "Mensalão do DEM"), deflagrada pela Polícia Federal, que investigou um esquema de distribuição de propina no governo do Distrito Federal sob a gestão de José Roberto Arruda.
A "Oração da Propina"
O ex-deputado ficou nacionalmente conhecido após a divulgação de vídeos gravados pelo delator do esquema, Durval Barbosa. Nas imagens, Brunelli aparece ao lado do então presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente, e de Durval Barbosa, realizando uma oração de agradecimento. O episódio, que ficou conhecido na imprensa como a "Oração da Propina", mostra o grupo orando após supostamente terem recebido dinheiro desviado de contratos públicos.[3]
Renúncia
Em 2 de março de 2010, Brunelli renunciou ao mandato de deputado distrital e ao cargo de Corregedor da Câmara Legislativa. A renúncia ocorreu minutos antes do início da sessão que votaria a abertura de seu processo de cassação por quebra de decoro parlamentar. Ao renunciar, Brunelli evitou a inelegibilidade imediata (Lei da Ficha Limpa) naquele momento, embora tenha perdido os direitos políticos posteriormente devido às condenações judiciais.[4]
Condenações
Júnior Brunelli acumula condenações na esfera cível e administrativa decorrentes da Operação Caixa de Pandora:
- Improbidade Administrativa: Foi condenado por improbidade administrativa, com sentença determinando o ressarcimento aos cofres públicos e a suspensão de seus direitos políticos.
- Devolução de Verbas: Em 2017, a Justiça do DF condenou Brunelli e outros envolvidos a devolverem cerca de R$ 1,7 milhão aos cofres públicos por desvios em contratos de informática e publicidade.[5]
- Danos Morais Coletivos: Também foi condenado ao pagamento de indenização por danos morais coletivos devido aos prejuízos causados à imagem das instituições públicas do Distrito Federal.
Ligações externas
Referências
- ↑ «Eleições 2006 - Divulgação de Dados de Candidatos». TSE. 2006. Consultado em 28 de maio de 2012[ligação inativa]
- ↑ «Catedral da Bênção - Site Oficial». Consultado em 2 de março de 2020
- ↑ «Vídeo mostra deputados em oração; veja a transcrição». G1. 29 de novembro de 2009
- ↑ «Deputado da 'oração da propina' renuncia no DF». Folha de S.Paulo. 2 de março de 2010
- ↑ «Justiça condena ex-distritais Brunelli e Prudente a devolver R$ 1,7 milhão». G1 DF. 1 de junho de 2017