Júlio Maria Silvano

Júlio Maria Silvano
Nascimento30 de outubro de 1812
Angra do Heroísmo
Morte2 de maio de 1888 (75 anos)
Angra do Heroísmo
CidadaniaReino de Portugal
Ocupaçãopolítico, soldado

Júlio Maria Silvano (Angra, 30 de outubro de 1812Angra do Heroísmo, 2 de maio de 1888) foi um oficial general do Exército Português e político.[1][2][3]

Biografia

Nasceu em Angra, filho natural do coronel Caetano Paulo Xavier.[4] Destinado a seguir a vida militar, alistou-se inicialmente na companhia de voluntários criada na ilha Terceira em 1828. No ano seguinte, assentou praça como voluntário, a 9 de dezembro de 1829, no Batalhão de Caçadores n.º 5, ao tempo aquartelado no Castelo de São João Baptista do Monte Brasil, com o qual participou nas operações da Guerra Civil Portuguesa.

Foi promovido sucessivamente a alferes, em 1833; tenente, em 1838; capitão, em 1847; major, graduado, em 1851, e efetivo, em 1859; tenente-coronel, em 1863; passou à reserva como coronel, em 1869 mas protestou, foi reintegrado, promovido a general de brigada e passou à reforma em 1870.[1]

Com o Batalhão de Caçadores 5 participou na tomada das ilhas de São Jorge, Pico, Faial, e São Miguel sob o comando do conde de Vila Flor. Com o seu Batalhão, integrou desde início o Exército Libertador. A partir de 1833, foi colocado no Batalhão de Caçadores n.º 12. Foi ferido no recontro de Souto Redondo, em 1832, mas prosseguiu a campanha contra os absolutistas até 1834.[1] Fez toda a campanha sempre com brio e distinção.

Com a vitória dos liberais serviu na 3.ª secção do Exército e nos quartéis de Penafiel, Viseu e Abrantes. Aderindo aos acontecimentos políticos de 1846 passou para a terceira secção do Exército até 1851, isto é, foi compulsivamente colocado na reserva. Reintegrado no serviço ativo, em 1864 foi novamente para a ilha Terceira, como tenente-coronel, reorganizar na ilha o Batalhão de Caçadores n.° 10, quando aquela unidade passou a guarnecer a Fortaleza de São João Baptista do Monte Brasil, sendo o seu primeiro comandante.

Em 1869 reformou-se em general de brigada. Depois de reformado participou na vida política do Distrito de Angra do Heroísmo, tendo presidido à Câmara de Angra do Heroísmo (1872-1873). Na política, militou na esquerda liberal.[1]

Foi agraciado com a comenda da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e a comenda da Ordem Militar de São Bento de Avis (1864).[5]

Refrências

  1. a b c d «Silvano, Júlio Maria» na Enciclopédia Açoriana.
  2. Costa, A. J. C. (coord.) (2005), Os generais do Exército Português. Lisboa, Biblioteca do Exército, II, 2: 62.
  3. Forjaz, J. e Mendes, A. (2007), Genealogias da Ilha Terceira. Lisboa, Dislivro, VIII: 788.
  4. Caetano Paulo Xavier (Lisboa, 10 Janeiro 1770 — Lisboa, 4 de julho de 1830), oficial de engenharia militar do Exército, lente de Matemática e Fortificação do Regimento de Artilharia da Corte e autor de vários levantamentos cartográficos e projetos de fortificação. Em 13 de maio de 1810 foi promovido a tenente-coronel agregado no Batalhão de Artilharia da Terceira, assumindo o comando daquele batalhão a 6 de junho de 1813, sendo a 1 de outubro de 1814 nomeado governador do Castelo de São João Baptista. Promovido a coronel agregado a 6 de fevereiro de 1818 e efetivo a 22 de janeiro de 1820, foi graduado em brigadeiro a 14 de abril de 1821. Esteve preso às ordens das Cortes por ter acompanhado o general Stockler na repressão da revolução angrense de 2 de abril de 1821, mas foi reintegrado após a Vila-Francada e continuou no governo da Fortaleza. Foi preso pelos revoltosos de 22 de junho de 1828 e deportado para Londres. Voltou a Lisboa, onde integrou as forças miguelistas derrotadas na Praia da Vitoria a 11 de agosto de 1829. Faleceu pouco depois do seu regresso a Lisboa.
  5. Alfredo Luís Campos, Memória da Visita Régia à Ilha Terceira. Imprensa Municipal, Angra do Heroísmo, 1903.

Bibliografia

  • Alfredo Luís Campos, Memória da Visita Régia à Ilha Terceira. Imprensa Municipal, Angra do Heroísmo, 1903.

Ligações externas