Júlio Máximo de Oliveira Pimentel

Júlio Máximo de Oliveira Pimentel
Nascimento4 de outubro de 1809
Torre de Moncorvo
Morte20 de outubro de 1884
Coimbra
CidadaniaReino de Portugal
Ocupaçãoprofessor, político

Júlio Máximo de Oliveira Pimentel (Torre de Moncorvo, 4 de outubro de 1809Coimbra, 20 de outubro de 1884), filho de Luís Cláudio de Oliveira Pimentel e de D. Angélica Teresa de Sousa Cardoso Pimentel Machado, ambos descendentes de importantes proprietários de Trás-os-Montes, Oliveira Pimentel foi o quarto entre seis irmãos, 2.º visconde de Vila Maior, foi um professor universitário de química, político e escritor que, entre outras funções, foi presidente da Câmara Municipal de Lisboa, deputado e reitor da Universidade de Coimbra, tendo sido condecorado nacionalmente, mas também internacionalmente.[1]

Participou em vários acontecimentos militares, tendo mesmo completado a licenciatura em matemática, na universidade de Coimbra, como militar.

Mudou se para Lisboa em 1837, tendo se candidatado a regente da cadeira de química na escola politécnica, na qual ficou focado exclusivamente até 1844 .

Em setembro de 1844, mudou se para Paris para poder estudar, no entanto, a bolsa oferecida pelo estado português não foi monetariamente suficiente para os estudos pretendidos.

Após a sua primeira estadia em Paris, em 1844, onde trabalhou no laboratório de Eugène Péligot no Conservatoire des Arts et Métiers, Pimentel iniciou um período de viagens científicas pela Europa com o objetivo de conhecer de perto os avanços industriais e laboratoriais que então se desenvolviam nos países mais industrializados. Visitou França, Alemanha, Bélgica, Suíça e Inglaterra, observando fábricas, escolas técnicas e laboratórios universitários, contacto que influenciaria profundamente a modernização do ensino de química em Portugal. [2]


Após ter ingressado no mundo da indústria, teve oportunidade de fazer viagens pela Europa e aos 36 anos, em 1846, retomou o ensino de química na Politécnica.

Em 1849, já regressado a Portugal, escreveu um artigo científico acerca das águas minerais das Caldas da Rainha que lhe permitiu ser eleito sócio correspondente da Academia de Ciências.[3]

Em 1855, destaca-se a sua missão de Estado no âmbito da Exposição Universal de Paris, onde ficou encarregue de organizar a mostra dos produtos portugueses.[4] Ainda durante 1855, durante a missão oficial que desempenhou na Exposição Universal de Paris, Júlio Máximo de Oliveira Pimentel manteve um Diário de Viagem, no qual registou as suas observações sobre laboratórios, fábricas, máquinas industriais e instituições científicas visitadas ao longo do percurso. O documento constitui um importante testemunho sobre o estado da ciência e da técnica na Europa do século XIX e revela a preocupação de Pimentel em identificar práticas e tecnologias que pudessem ser aplicadas ao desenvolvimento científico e industrial de Portugal. O diário foi posteriormente estudado e publicado pela Universidade de Coimbra.[5] O impacto desta participação estendeu-se para além do evento, com o Comissário Régio António José d'Ávila, em carta de 1856, a assegurar o restabelecimento de prémios e a propor a condecoração com a Legião d’Honra para o Director da Imprensa Nacional, atestando o reconhecimento da qualidade e excelência dos expositores portugueses.[6]

Casou em 18 de Julho 1839 com Sofia do Roure Auffdiener de Oliveira Pimentel (19 de Março de 1822 - )[7].

Oliveira Pimentel realizava regularmente cruzeiros a vapor pelo Vale do Reno, tendo subido o rio em diversas ocasiões, incluindo em 1855, 1862 e 1878. Para ele, estas viagens serviam como fonte de inspiração, refletindo a ligação entre as suas observações de navegação e o interesse pelo desenvolvimento da viticultura e da indústria em Portugal.

Carreira académica

Júlio Máximo de Oliveira Pimentel iniciou a sua atividade académica na Escola Politécnica de Lisboa, onde foi nomeado substituto da cadeira de Química ainda na década de 1830.[8] Em 1844, foi autorizado a deslocar-se a Paris para aprofundar os seus conhecimentos em química experimental, integrando o laboratório de Eugène Péligot no Conservatoire des Arts et Métiers, o que teve impacto direto na modernização do ensino químico em Portugal.[9]

Após o regresso ao país, retomou o ensino na Escola Politécnica, onde contribuiu para a atualização dos conteúdos e das práticas laboratoriais, promovendo uma abordagem mais experimental ao ensino da química. Desenvolveu também atividade científica ligada ao estudo das águas minerais portuguesas e à aplicação da química à indústria.

Em 1869, foi nomeado reitor da Universidade de Coimbra, cargo que exerceu até à sua morte, em 1884.[10] O seu longo mandato ficou marcado por esforços de reforma e pela defesa da modernização dos laboratórios e cursos científicos, num período em que a universidade procurava acompanhar as transformações científicas e técnicas que ocorriam na Europa do século XIX.

Atividade política

Para além da sua carreira académica e científica, Júlio Máximo de Oliveira Pimentel teve uma participação significativa na vida política portuguesa do século XIX. Exerceu funções de deputado nas Cortes e foi posteriormente nomeado Par do Reino, integrando a câmara alta do parlamento português.[11]

Ocupou também o cargo de presidente da Câmara Municipal de Lisboa, embora por um período relativamente curto, tendo desempenhado diversas funções na administração pública ao longo da sua carreira. Entre os cargos técnicos mais relevantes encontra-se a direção da Casa da Moeda, instituição onde supervisionou questões financeiras e técnicas relacionadas com a produção de moeda.[12]

Em 1855, representou oficialmente o Estado português na Exposição Universal de Paris, integrando a Comissão Central Portuguesa e sendo responsável pela organização da participação nacional no certame.[13]

Obras

  1. "'Análise das águas minerais das Caldas da Rainha feita em Julho de 1849." Memórias da Academia Real das Ciências de Lisboa 2ª serie, tomo 2, parte 2 (1850): 177-204
  2. Lições de Química geral e suas principais aplicações. 3 vols. Lisboa: Casa de J. P. Lavado, 1850-1852
  3. Relatório sobre a Exposição Universal de Paris: artes químicas. 2 vols. Lisboa: Imprensa Nacional, 1857.
  4. Memórias: Visconde de Vila Maior, Transcrição de Adília Fernandes. Coimbra: Palimage, 2014.
  5. Vila Maior, Visconde de. Preliminares da ampelografia e enologia do país vinhateiro do Douro. Lisboa: Imprensa Nacional, 1865.
  6. Vila Maior, Visconde de. Tratado de vinificação para vinhos genuínos. Lisboa: Tipografia da Academia Real das Ciências, 1868. 2ª edição, 1883.
  7. Vila Maior, Visconde de. Manual de viticultura pratica. Coimbra : Imprensa da Universidade, 1875. 2ª edição, 1881.
  8. Vila Maior, Visconde de. O Douro ilustrado: álbum do rio Douro e país vinhateiro. Porto: Magalhães & Moniz, 1876.
  9. Vila Maior, Visconde de. Exposição sucinta da organização actual da Universidade de Coimbra. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1877.
  10. Vila Maior, Viscount of. The viniculture of claret: a treatise on the making, maturing, and keeping of claret wines. San Francisco: Payot, Upham and Co. Publishers, 1884.[14]

Referências

  1. «PIMENTEL, Júlio Máximo de Oliveira». Do Douro Press. Consultado em 21 de agosto de 2018 
  2. Sociedade Portuguesa de Química. Júlio Máximo de Oliveira Pimentel. Disponível em: https://www.spq.pt/files/files/docs/Biografias/J_Pimentel.pdf (consultado em 14 de novembro de 2025).
  3. «Pimentel, Júlio Máximo de Oliveira». Biografias, CIUHCT. Consultado em 14 de novembro de 2025 
  4. «Júlio Máximo de Oliveira Pimentel (2º Visconde de Vila Maior, 1809-1884).» (PDF). Figueiredo, José Luís. (s.d.). Sociedade Portuguesa de Química. Consultado em 14 de novembro de 2025 
  5. Universidade de Coimbra. Apresentação do livro “Diário de Viagem em 1855 – Júlio Máximo de Oliveira Pimentel”. Disponível em: https://www.uc.pt/bguc/agenda-bguc/apresentacao-do-livro-diario-de-viagem-em-1855-julio-maximo-de-oliveira-pimentel/ (consultado em 14 de novembro de 2025)
  6. Predefinição:Citar documento
  7. Sofia do Roure Auffdiener de Oliveira Pimentel, Escritoras
  8. Sociedade Portuguesa de Química. Júlio Máximo de Oliveira Pimentel (biografia). Disponível em: https://www.spq.pt/files/files/docs/Biografias/J_Pimentel.pdf
  9. Dicionário do CIUHCT. Júlio Máximo de Oliveira Pimentel. Disponível em: https://dicionario.ciuhct.org/julio-maximo-de-oliveira-pimentel/
  10. Universidade de Coimbra. Reitores da Universidade. Disponível em: https://www.uc.pt/institucional/reitores/
  11. Sociedade Portuguesa de Química. Júlio Máximo de Oliveira Pimentel (biografia). Disponível em: https://www.spq.pt/files/files/docs/Biografias/J_Pimentel.pdf
  12. Dicionário do CIUHCT. Júlio Máximo de Oliveira Pimentel. Disponível em: https://dicionario.ciuhct.org/julio-maximo-de-oliveira-pimentel/
  13. Universidade de Coimbra. Viagem ao século XIX: Universidade de Coimbra revela o olhar científico de Júlio Máximo de Oliveira Pimentel. Disponível em: https://noticias.uc.pt/artigos/viagem-ao-seculo-xix-universidade-de-coimbra-revela-o-olhar-cientifico-de-julio-maximo-de-oliveira-pimentel/
  14. «Pimentel, Júlio Máximo de Oliveira – Page 2 – Dicionário» (em inglês). Consultado em 15 de novembro de 2025 

Ligações externas