Júlia Hunyady de Kéthely
| Júlia | |
|---|---|
| Duquesa de Aremberga Condessa Hunyady de Kéthely | |
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| Princesa Consorte da Sérvia | |
| Reinado | 26 de setembro de 1860 a 10 de junho de 1868 |
| Predecessora | Persida Nenadović |
| Sucessora | Natália Ketchko |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 26 de agosto de 1831 Viena, Império Austríaco |
| Morte | 19 de fevereiro de 1919 (87 anos) Viena, Áustria Alemã |
| Sepultado em | Cemitério Central de Viena[1] |
| Maridos | Miguel III da Sérvia Carlos de Aremberga |
| Casa | Hunyady de Kéthely (nascimento) Obrenović (casamento) Aremberga (casamento) |
| Pai | Ferenc Hunyady de Kéthely |
| Mãe | Júlia Zichy de Zich et Vásonkeő |
| Religião | Catolicismo |
Júlia Hunyady de Kéthely (Viena, 26 de agosto de 1831 – Viena, 19 de fevereiro de 1919) foi a esposa de Miguel III e Princesa Consorte da Sérvia de 1860 até ao assassinato do marido em 1868.[2] Viúva, casou-se em segundas núpcias com o Duque Carlos de Aremberga.[3]
Início de vida
Nascida em 26 de agosto de 1831 em Viena, Império Austríaco, a condessa Júlia Hunyady de Kéthely era filha do conde Ferenc Hunyady de Kéthely e da condessa Júlia Zichy de Zich et Vásonkeő.[4]
Casamento

Na juventude, Júlia Hunyady era considerada uma mulher de extraordinária beleza, por quem o príncipe Mihailo se apaixonou profundamente. Casou-se a 1 de agosto de 1853 (20 de julho no calendário juliano), na Capela Russa em Viena, com o príncipe Miguel Obrenović, que então vivia naquela cidade como antigo príncipe sérvio exilado. O jornal vienense Die Presse relatou o casamento num artigo, mencionando que a cerimónia teve lugar às 11 horas. Indicava-se que o príncipe Miguel envergava um traje tradicional sérvio e uma espada adornada com diamantes, avaliada em 80.000 florins, enquanto a princesa usava uma tiara de diamantes.[5]
Até à Assembleia de São André e ao regresso da dinastia Obrenović ao trono da Sérvia, em 1858, o príncipe Miguel e Júlia residiram no Império Austro-Húngaro. Possuíam uma propriedade chamada "Ivanka", situada junto ao Danúbio, que o príncipe Miguel adquiriu da princesa Leopoldina Grassalkovich de Gyarak, nascida condessa Esterházy-Edelstetten-Forchtenstein (1776–1864). Na realidade, o comprador foi o príncipe Miloš Obrenović, que despendeu 230.000 florins em prata, acrescidos de 5.000 florins pelos custos de transferência e mais 10.000 florins para a mobília e o equipamento da propriedade. Ali viveram até ao seu regresso à Sérvia. Júlia mandou construir, nas imediações da residência, uma escola destinada a meninas órfãs.[6]
Princesa da Sérvia

Após a morte do príncipe Miloš, em 1860, o príncipe Miguel tornou-se, pela segunda vez, príncipe reinante da Sérvia, e Júlia passou a ser princesa consorte da Sérvia. Participou ativamente na vida pública ao lado do príncipe, organizando bailes, serões de beneficência e rifas no palácio. Para além dessas atividades, cuidava também de Velimir, filho ilegítimo de Miguel.[7]
Júlia aprendeu a língua sérvia com o auxílio de Đura Daničić e através do convívio com o seu sogro, o príncipe Miloš, que não conhecia línguas estrangeiras e que, numa carta, a aconselhou a iniciar o estudo do sérvio. Đura Daničić foi convidado pelo príncipe Miguel, em julho de 1853, a deslocar-se a Viena, onde permaneceu durante três anos, dedicando-se ao ensino da princesa. Mais tarde, já na Sérvia, Júlia comunicava-se fluentemente em sérvio e chegou mesmo a dançar o tradicional kolo sérvio. Sobre a forma como Miguel via a sua esposa, Ilija Garašanin afirmou: "Ele, por sua parte, está muito satisfeito. Dizem que a donzela nem é assim tão bela, mas é uma jovem educada e instruída."[5] Por outro lado, ela não era popular entre os sérvios, pois eles desconfiavam de sua fé católica e de sua origem húngara.[8]

O príncipe Miguel não foi um marido fiel e tinha amantes, incluindo Maria Berghaus e Katarina Konstantinović. Esta última, jovem vivaz e atraente, filha de uma prima direita de Miguel, a princesa Anka Obrenović, chegou mesmo a alimentar esperanças de vir a tornar-se esposa do príncipe, devido à incapacidade de Júlia em lhe dar descendência. O próprio Miguel considerava a possibilidade de divórcio, apesar da indignação pública que tal decisão inevitavelmente provocaria. Em 1867, o estimado primeiro-ministro Ilija Garašanin foi demitido do cargo por ter manifestado oposição ao divórcio de Miguel e ao seu eventual casamento com Katarina. Katarina nutria um declarado desprezo pela princesa Júlia e tornava-lhe a vida insuportável, exibindo abertamente o seu relacionamento com o príncipe. Júlia respondeu iniciando uma relação amorosa com o duque Carlos de Aremberga, seu primeiro amor, com quem manteve contacto secreto durante todo o casamento com Miguel. O duque Carlos era filho mais novo de Próspero Luís, 7.º duque de Aremberga, primo em segundo grau da imperatriz Sissi da Áustria, e de Stéphanie Tascher de La Pagerie, sobrinha de Josefina de Beauharnais, imperatriz dos Franceses.[9]
No jornal de Belgrado Vidov-dan, de 1862, foi publicado em folhetim o romance do escritor holandês Hendrik Conscience. A princesa Júlia traduziu a sua obra do alemão para o sérvio, sob o título A Rosa Cega.[10]
Durante o ano de 1863, Júlia, em conjunto com Filip Hristić, exerceu atividades de representação em Londres em defesa dos interesses da Sérvia.[11]
Últimos anos
Após o assassinato do príncipe Miguel em 1868, a princesa Júlia contraiu novo matrimónio a 16 de janeiro de 1876, casando-se com o duque Carlos de Aremberga.[5] Com este casamento, Júlia tornou-se duquesa de Aremberga e princesa de Recklinghausen. Tal como no seu primeiro casamento, também desta união não resultaram filhos.
Júlia morreu em Viena no ano de 1919. Foi sepultada no Cemitério Central a 22 de fevereiro do mesmo ano. As suas cinzas repousam na secção destinada a urnas, situada na segunda entrada, com a assinatura KNLH 13.[5]
Galeria
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Litografia de da Princesa Júlia, por Anastas Jovanović (1854). No Museu Histórico da Sérvia -
Fotografia da Princesa Júlia na década de 1860 -
Fotografia da Princesa Júlia, (c. 1866-1870)
Referências
- ↑ Royal Tombs
- ↑ Cox, John K. (2002). The History of Serbia (illustrated ed.). Greenwood Publishing Group. p. 47. ISBN 9780313312908.
- ↑ "Charles, Prince et Duc d'Arenberg : Genealogics".
- ↑ "Hunyady de Kéthely"
- ↑ a b c d Marušić, Aleksandar; Bolović, Ana; Borozan, Igor; Timotijevic, Milos (2017). Obrenovici u muzejskim i drugim zbirkama Srbije i Evrope VI (PDF) (em sérvio). Gornji Milanovac: Opština Gornji Milanovac. p. 315. ISBN 978-86-82877-68-4
- ↑ "Strazilovo", Novi Sad, 16 de janeiro de 1886
- ↑ Bolović, Ana; Marusic, Aleksandar; Petrovic, Petar (2015). Vreme Obrenovića i njihovo pravo: dinastija, rudničko-takovski kraj i stvaranje novovekovne srpske države (PDF). Gornji Milanovac: Opština Gornji Milanovac. p. 55. ISBN 978-86-82877-59-2
- ↑ Cox, John K. (2002). The History of Serbia Greenwood Publishing Group ed. [S.l.: s.n.] p. 47. ISBN 9780313312908
- ↑ «Elisabeth Herzogin in Bayern Relationship Calculator». genealogics.org
- ↑ "Vidov-dan", Belgrado, 1 de julho de 1944
- ↑ "Večernje novosti", 8 de junho de 2017)
