Ipê (Rio Grande do Sul)

Ipê
Município do Brasil
Igreja Matriz São Luiz Rei
Igreja Matriz São Luiz Rei
Igreja Matriz São Luiz Rei
Hino
Lema Ipê, uma cidade para todos
Gentílico ipeense
Localização
Localização de Ipê no Rio Grande do Sul
Localização de Ipê no Rio Grande do Sul
Localização de Ipê no Rio Grande do Sul
Ipê está localizado em: Brasil
Ipê
Localização de Ipê no Brasil
Mapa de Ipê
Coordenadas 🌍
País Brasil
Unidade federativa Rio Grande do Sul
Região metropolitana Serra Gaúcha
Municípios limítrofes Antônio Prado, Campestre da Serra, Protásio Alves, André da Rocha e Muitos Capões
Distância até a capital 180 km
História
Emancipação 15 de dezembro de 1987 (38 anos)
Administração
Distritos
Lista
  • São Paulino, Vila Segredo [1]
Prefeito(a) José Mário Grazziotin[2] (MDB, 2025–2028)
Vereadores 9
Características geográficas
Área total [3] 599,361 km²
 • Área urbana (2023) [4] 3,78 km²
População total (IBGE/2022[5]) 5 399 hab.
 • Posição RS: 213º BR: 3796º
 • Estimativa (2025) 5 490 hab.
Densidade 9 hab./km²
Clima Oceânico (Cfb)
Altitude 750 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
CEP 95240-000
Indicadores
IDH (PNUD/2010[6]) 0,728 alto
 • Posição RS: 203º BR: 1081º
Gini (PNUD/2010) [7] 0.45
PIB (IBGE/2020) [8] R$ 192 562,84 mil
 • Posição RS: 257º BR: 2988º
PIB per capita (IBGE/2020) R$ 28 787,99
Sítio http://www.pmipe.rs.gov.br (Prefeitura)
https://www.camaraipe.rs.gov.br/ (Câmara)

Ipê é um município localizado na Serra Gaúcha. A cidade faz parte do estado do Rio Grande do Sul, no sul do Brasil. Sendo intitulada como Capital Nacional da Agricultura Ecológica pela Lei Nº 12.238 de 19 de maio de 2010.[9]

História

A ocupação do território do atual município de Ipê teve início no final do século XIX.[10] Por volta da década de 1880, a região era utilizada como área de passagem e pouso por tropeiros provenientes dos campos de Vacaria, que atravessavam a Serra do Rio das Antas em direção à região de São Leopoldo. À época, a área era coberta por extensas florestas, sendo percorrida anteriormente por povos indígenas que utilizavam os recursos naturais locais para subsistência.[11]

Com o avanço da ocupação não indígena, fazendeiros passaram a estabelecer lavouras, sobretudo de milho, e a construir casebres destinados a trabalhadores.[10] Parte significativa da população inicial era formada por luso-brasileiros, incluindo descendentes de pessoas escravizadas vinculadas à atividade pecuária regional. As habitações eram simples, construídas com chão batido, tábuas rústicas e coberturas de tabuinhas.[11]

A partir da década de 1880, intensificou-se a chegada de imigrantes italianos, oriundos principalmente de São Sebastião do Caí.[10] Para alcançar a região, deslocavam-se por via fluvial até o Campo dos Bugres (atual Caxias do Sul) e, posteriormente, seguiam a pé ou a cavalo pela serra, estabelecendo-se nas colônias de Antônio Prado e em áreas que viriam a integrar o município de Ipê.[11]

A presença dos imigrantes italianos contribuiu para o crescimento econômico e populacional da localidade. Em 31 de dezembro de 1890, a Câmara Municipal de Vacaria criou o 4.º Distrito, inicialmente denominado São Luiz de França.[11] Em razão da abundância da árvore ipê, a sede distrital passou a ser conhecida como Vila Ipê, denominação que se consolidou ao longo do tempo.[10]

Ao longo do século XX, a comunidade local apresentou progressivo desenvolvimento social e econômico. Na década de 1980, fortaleceram-se os movimentos em favor da emancipação político-administrativa. Em 1985, o então pároco da Paróquia São Luiz Rei, frei Augusto Denardi, iniciou a formação da Comissão Comunitária Pró-Emancipação. Em reunião realizada em 6 de setembro de 1985, no Clube Ideal, com a participação de lideranças e moradores de Vila Ipê, Vila Segredo e Vila São Paulo — então o 4.º, 9.º e 11.º distritos de Vacaria —, foi escolhida a comissão de emancipação, composta por Osmar Vargas dos Santos (presidente), frei Casimiro Zaffonato (vice-presidente), Cirilo Ciotta (1.º secretário), Carlos Antonio Zanotto (2.º secretário), Uldérico Marcon (1.º tesoureiro), Darci Luiz Lovatel (2.º tesoureiro), Delvino Magro (subcomissão de Vila Segredo) e Luiz Antônio Salvador (subcomissão de Vila São Paulo).

Em plebiscito realizado em 21 de setembro de 1987, a população aprovou a emancipação político-administrativa, com maioria favorável ao desmembramento. Em 15 de dezembro de 1987, o então governador Pedro Simon sancionou a Lei Estadual n.º 8.482, que criou o município de Ipê, constituído pelos distritos de Vila Ipê, Vila Segredo e Vila São Paulo, anteriormente pertencentes a Vacaria. A sede municipal foi estabelecida em Vila Ipê.

A instalação administrativa do município ocorreu em 1.º de janeiro de 1989, com a posse de Protázio Duarte Guazzelli como primeiro prefeito eleito. O gentílico dos habitantes do município é ipeense.

Evolução toponímica

Denominação[10] Anos
Formigueiro1[›] 1886
São Luiz 1890
Vila Ipê 1936
Ipê* 1987

^ 1: Denominação de caráter pejorativo, atribuída no período inicial da colonização, posteriormente abandonada.[12]

Geografia

Localiza-se a uma latitude 28º49'12" sul e a uma longitude 51º16'45" oeste, estando a uma altitude de 750 metros.

Possui uma área de 599,36 km² e sua população estimada em 2022 era de 5.325 habitantes.[13]

Ipê é um dos municípios que localizam-se na Região da Uva e Vinho, onde há uma grande presença de parreirais no sul do município.[14]

Hidrografia

A hidrografia do município de Ipê é composta por uma densa rede de rios, arroios e sangas, pertencente integralmente à Bacia do Rio Taquari-Antas. O relevo acidentado da região favorece o surgimento de inúmeras nascentes que compõem a drenagem local. Os limites territoriais são definidos por diversos cursos d'água, notadamente o Rio Humatã, o Rio da Telha e o Rio Ituim, que atuam como elementos limítrofes ao lado do Arroio Trabuco e do Arroio Pessegueiro.[15][16]

Internamente, o Rio Segredo, com nascente na região de Vila Segredo e que demarcava o limite com Ipê, quando ambos eram distritos de Vacaria. Seu curso passa pela localidade de Avante Moinho antes de desaguar no Rio Humatã. O Humatã também recebe águas como as do Arroio Segredinho, que define parte do limite entre Vila Segredo e Vila São Paulino, o Arroio Faxinal com nascente em Vila São Paulino e o Arroio Goiabeira, nascido em Vila Segredo. Este último, junto ao Humatã, é conhecido por provocar inundações na área do Camping D'Alsasso em períodos de cheias. O Rio Leão também integra o sistema hídrico do município.[17][18][19]

Além dos rios e arroios principais catalogados, a área rural de Ipê é cortada por uma vasta quantidade de arroios e sangas não catalogadas ou de pequeno porte. Estes pequenos cursos d'água são cruciais para a manutenção dos lençóis freáticos e para a alimentação dos rios maiores, atuando como a espinha dorsal do sistema de drenagem da Mata Atlântica presente no município.

Problemas Ambientais

O Rio Leão é o principal foco de preocupação ambiental local, pois recebe o lançamento de efluentes sanitários sem o devido tratamento, resultando no comprometimento de sua qualidade hídrica. Embora o problema de poluição seja frequentemente reportado na área do município vizinho de Antônio Prado, a contribuição de efluentes provenientes do território de Ipê é um fator na degradação do rio, o que indica a ausência ou insuficiência de infraestrutura de saneamento básico na área de abrangência.[20]

Idiomas

Clima

Gráfico climático para Ipê, Rio Grande do Sul
JFMAMJJASOND
 
 
176
 
26
17
 
 
158
 
26
17
 
 
143
 
25
16
 
 
130
 
22
13
 
 
152
 
19
10
 
 
137
 
17
9
 
 
155
 
17
8
 
 
120
 
19
9
 
 
161
 
21
11
 
 
215
 
22
13
 
 
153
 
24
14
 
 
168
 
26
16
Temperaturas em °CPrecipitações em mm

Fonte: Climatempo

O clima de Ipê é oceânico (Cfb), com verões relativamente quentes, invernos relativamente frios e geadas esporádicas. Pode nevar nos meses mais frios, mas esse é um fenômeno bem mais raro e que, quando ocorre, é geralmente com pouca intensidade. Porém, já foram registradas precipitações de neve relativamente abundantes, com acumulações consideráveis - as últimas em 30 de abril de 2012 e entre os dias 26 e 27 de agosto de 2013.[21][22]

O município apresenta histórico de vulnerabilidade a eventos climáticos extremos, alternando entre períodos de estiagem severa e episódios de precipitações volumosas.[23] Entre o final de 2019 e março de 2020, Ipê enfrentou uma forte estiagem que levou à decretação de estado de emergência.[24] A seca afetou toda a zona rural do município, resultando em perdas agrícolas estimadas em aproximadamente R$ 45 milhões, além da adoção de medidas de racionamento de água.[25][26]

Em sentido oposto, sistemas meteorológicos intensos têm provocado enxurradas, alagamentos e inundações. Em setembro de 2023, tempestades com chuva intensa, granizo e ventos fortes atingiram o município, que foi incluído em decretos de situação de emergência.[27] Em maio de 2024, Ipê voltou a ser listado entre os municípios afetados pelas chuvas intensas no Rio Grande do Sul, sendo incluído no decreto estadual de estado de calamidade pública.[28]

Demografia

Etnias e Religião


Religiões em Ipê (censo de 2010)[29]

  Catolicismo romano (93.26%)
  Protestantismo (6.08%)
  Umbanda e candomblé (0.10%)
  Espiritismo (0.12%)
  Tradições indígenas (0.00%)
  Sem religião (0.28%)
  Sem declaração (0.00%)
  Outro (0.16%)

Ipê é um município com uma população formada predominantemente por brasileiros de ascendência europeia, com alta predominância de ítalo-brasileiros. As outras etnias europeias compõem uma pequena minoria, enquanto que pessoas de origem africana, mestiça e indígena compõem o restante.[30]

Cor ou raça Porcentagem

(IBGE 2022)[30]

Branca 84,29%
Preta 13,28%
Amarela 2,39%
Parda 0,02%
Indígena 0,02%

Em religião, o município tem uma população formada predominantemente por Catolicismo Romano. O Protestantismo compõem uma pequena minoria, enquanto que praticantes do Espiritismo, de religiões de Matriz Africana e pessoas sem religião compõem o restante.

Educação

Vista aérea da Escola Estadual de Ensino Médio Frei Casimiro Zaffonato

A educação básica, a estrutura de Ipê é dividida entre as redes municipal e estadual. A rede municipal é responsável pela maior parte da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I , enquanto a rede estadual complementa o Ensino Fundamental e oferece majoritariamente o Ensino Médio.

Em 2024, o município contava com 6 estabelecimentos de Ensino Fundamental e 1 de Ensino Médio. O corpo docente era composto por 74 professores que atendiam a um público total de 728 alunos nestas etapas. Em 2022, a taxa de escolarização para a faixa etária de 6 a 14 anos de idade era de 96,84%.[31]

Em relação ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) na rede pública, os resultados de 2023 para Ipê foram de 6,1 para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental e 5,4 para os Anos Finais, situando o município nas 267ª e 120ª posições estaduais, respectivamente.[31]

As Taxas de Rendimento escolar, relativas ao Censo de 2022, demonstram um alto índice de aprovação no Ensino Fundamental. Nos anos iniciais dessa etapa, a taxa de aprovação foi de 99,7\%. Nos anos finais, a aprovação foi de 98,4%. No Ensino Médio, a taxa de aprovação foi de 88,2%, com reprovação de 10,5% e abandono de 1,3%.[31]

Economia

Erva Mate Gerações

O PIB municipal está estimado em R$ 298,6 milhões (2021) e o PIB per capita foi de R$ 44,3 mil no mesmo ano. Em 2023, o PIB atingiu R$ 392,9 milhões, elevando o PIB per capita para R$ 72.776,89.[32] Em 2024, nas finanças públicas, as receitas orçamentárias realizadas atingiram R$ 57.093.546,58, as despesas realizadas chegaram a R$ 51.820.131,46, com um superávit de R$ 5.273.415,12.[8][33]

A composição da economia é fortemente marcada pelo setor primário. Em 2021, o Valor Adicionado Bruto (VAB) totalizou R$ 282,4 milhões, dos quais a agropecuária respondeu por 55,88%, a indústria por 8,45% e o setor de serviços, incluindo a administração pública, por 35,67%.[33]Em 2010, o município possuía uma População Economicamente Ativa (PEA) de 4.094 trabalhadores, das quais 4.010 encontravam-se ocupadas na semana de referência. Desse total, cerca de 400 trabalhavam em outro município.[34] A agropecuária concentrava o maior contingente, com 47,0%, dois terços no setor agrícola-frutífera.[35][36]

Agropecuária

O Censo Agropecuário de 2017 identificou 850 estabelecimentos agropecuários no município, que ocupavam uma área total de 47.964 hectares. A condição predominante dos produtores em relação à posse da terra era a de proprietários, correspondendo a 766 estabelecimentos. Também foram registrados 31 arrendatários, 35 parceiros, 16 comodatários, um concessionário ou assentado aguardando titulação definitiva e um produtor sem área própria. A organização produtiva caracterizava-se majoritariamente pela agricultura familiar, com ampla utilização de mão de obra com vínculo de parentesco com o produtor.[35]

Do total da área utilizada, destacavam-se as lavouras permanentes, sobretudo a fruticultura, e as lavouras temporárias, direcionadas principalmente à produção de grãos. As áreas de pastagens naturais e plantadas eram destinadas à criação de bovinos, ovinos e suínos, em sistemas predominantemente familiares, de pequena e média escala.[35]

Em 2017, o rebanho bovino totalizava 23.081 cabeças, incluindo 1.917 vacas ordenhadas, distribuídas em 584 estabelecimentos, dos quais 190 registraram produção de leite. A produção anual de leite alcançou 7,577 milhões de litros. O rebanho suíno somava 11.597 cabeças, enquanto a avicultura contabilizava cerca de 123 mil galináceos, responsáveis pela produção de aproximadamente 1,045 milhão de dúzias de ovos. Também estavam presentes rebanhos de ovinos (1.618 cabeças), equinos (465), caprinos (39), além de criações de patos, gansos, marrecos, faisões, perdizes, perus, bubalinos e muares, estas últimas com menor representatividade econômica.[35]

Na agricultura, destacaram-se em 2017 as produções de maçã, com 13.761 toneladas, correspondendo a um valor aproximado de R$ 15,6 milhões, e de uva, que totalizou 5.262 toneladas, considerando-se as uvas destinadas à elaboração de vinho ou suco (5.075 t) e as uvas de mesa (187 t), com valor superior a R$ 6 milhões. Também registraram produção relevante o pêssego (2.444 t), a ameixa (1.326 t), o caqui (767 t) e o kiwi (61 t), compondo o perfil frutícola do município.[35]

Entre as lavouras temporárias, destacaram-se a soja, com produção de 28.284 toneladas, o milho (15.392 t), o milho forrageiro (23.929 t) e o trigo (1.912 t), além da cebola (1.853 t) e do alho (993 t). Outras culturas, de menor expressão produtiva, incluíam abóbora, batata-inglesa, feijão (nas variedades preto, carioca e fradinho), ervilha, fumo, mandioca, melancia, melão, amendoim, arroz, aveia branca, cana-de-açúcar e sorgo forrageiro, cultivadas principalmente para consumo próprio ou comercialização em escala local.[35]

Política e Administração

Fachada do prédio da Câmara de Vereadores de Ipê

O Poder Executivo local é representado pelo prefeito municipal, auxiliado por seus secretários, coordenadores e diretores.[37][38] A estrutura administrativa do município organiza-se em torno de sua sede e de seus distritos rurais. A divisão territorial de Ipê compreende três distritos principais: Ipê (Sede), Vila Segredo e Vila São Paulino.[1] Na área urbana, a cidade é subdividida nos bairros Centro, Cruzeiro e Daer.[39][40]

A zona rural de Ipê é extensa e composta por diversas comunidades e capelas. Fazem parte da região da sede localidades como Linha Mazine, Linha Paim e Linha Garibaldi.[15] O interior do município abrange ainda as comunidades de Vendinha do Mel, Linha Frei Eduardo, Linha Rodrigues, Linha Pereira Lima, Linha Etelvina, Linha Virginia, Linha Tafona, Linha São João, Linha Nossa Senhora das Dores, Linha Virgolina, Porteirinha e Capão do Bugre, além de outras como Linha Vieira e Linha Santa Bárbara.[15][41][42]O governo municipal busca integrar a população das diversas linhas e distritos nas discussões sobre a distribuição das verbas públicas e prioridades de infraestrutura. Essas demandas geralmente focam no calçamento de estradas vicinais, reforma de escolas rurais, soluções de esgotamento e apoio direto à produção agrícola.[43][44]

O Poder Legislativo é exercido pela Câmara Municipal de Vereadores. Para a Legislatura de 2025-2028, a Câmara é composta por 9 vereadores, com a seguinte composição partidária: 4 representantes do PP, 3 do MDB, 1 do PSDB e 1 do PT.[45][46][47]Em 2025, a Mesa Diretora foi presidida pela vereadora Luciana Paim (MDB); para o exercício de 2026, a presidência cabe ao vereador Valdir Pereira Bueno (PP).[48][49]Em termos eleitorais, o município contava em 2024 com 5.557 eleitores aptos, dos quais 4.812 compareceram às urnas, divididos em 20 seções eleitorais distribuídas por 12 locais de votação.[50]

Controvérsias e conflitos

A política municipal de Ipê registrou, em diferentes períodos, episódios de investigação por órgãos de controle e conflitos envolvendo agentes públicos. Em 2018, a Câmara Municipal instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar possíveis irregularidades em contratos, convênios e na utilização de máquinas e serviços da administração pública.[51] O relatório final da CPI apontou falhas administrativas e solicitou o indiciamento do então prefeito e de servidores; à época, a gestão municipal divulgou nota oficial contestando as conclusões do relatório.[52][53][54]

No mesmo ano, o Ministério Público do Rio Grande do Sul deflagrou uma operação, que cumpriu mandados de busca e apreensão na Prefeitura e em secretarias municipais.[55] A investigação apurou suspeitas de irregularidades em processos licitatórios relacionados ao transporte escolar e à reciclagem de resíduos sólidos.[56] No âmbito da operação, foi determinado o afastamento cautelar do então secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Célio Lisboa Duarte.[57]

Em abril de 2024, Ipê foi citada em denúncia do Ministério Público relacionada a um suposto esquema de propinas e fraudes na aquisição de máquinas agrícolas entre 2010 e 2015. A investigação envolve agentes de 51 municípios gaúchos e o processo segue em tramitação judicial.[58]

No período pré-eleitoral de 2024, foi registrado um incidente envolvendo agentes políticos locais. O ex-prefeito e então pré-candidato Valério Ernesto Marcon registrou boletim de ocorrência alegando ter sido agredido e ameaçado por um ex-vereador e ex-secretário municipal. O outro envolvido apresentou versão distinta dos fatos e também registrou ocorrência policial.[59]                                                              

Prefeitos municipais[60]
Nome Início do mandato Fim do mandato Observações
1 Protázio Duarte Guazzeli 1989 1992
2 Enaudy Sartor 1993 1996
3 Darci Zanotto 1997 2000
4 Darci Zanotto 2001 2004
5 Carlos Antônio Zanotto 2005 2008
6 Carlos Antônio Zanotto 2009 2012
7 Valerio Ernesto Marcon 2013 2016
8 Valerio Ernesto Marcon 2017 2020
9 Cassiano de Zorzi Caon 2021 *2023 a[›] Mandato Incompleto
9.1 José Mário Grazziotin[61][62] 2023 2024 Posse da Prefeitura ao Vice de Caon
10 José Mário Grazziotin 2025 2028

^ a: Falecimento do Prefeito em meio ao mandato[63][64][65]

Subdivisões

Distrito[11] População (IBGE 2000)[66]
Ipê 3610
Vila São Paulo 703
Vila Segredo 1143
Foto aérea do centro da Vila São Paulino no ano de 2021, em Ipê
Foto aérea Vila Segredo

Vila São Paulo

Fundada como distrito em 5 de agosto de 1953, abrangendo uma área de 180 km². A paisagem deste distrito é caracterizada por terrenos montanhosos, com pequenos e minifúndios rurais predominantes. Propriedades maiores são raras, principalmente na área plana, conhecida Cerca de 95% da população de Vila São Paulo está envolvida em atividades agropecuárias, enquanto 2% está ligada ao comércio, 2% à indústria e 1% à prestação de serviços. Na sede do 3º Distrito, que é Vila São Paulo, existe uma variedade de estabelecimentos comerciais, de serviços e industriais para atender à população.[67][1]

Vila Segredo

Constituída como distrito em 7 de fevereiro de 1924, cobrindo uma área de 295 km². A região é caracterizada por seu terreno montanhoso, composto principalmente por pequenos e minifúndios rurais. Cerca de 90% da população de Vila Segredo está envolvida em atividades agropecuárias, 2% no comércio, 3% na indústria e 5% na prestação de serviços. A principal fonte de renda para o distrito é o cultivo de maçãs e uvas, que são culturas permanentes e bem adaptadas à topografia acidentada da região. Assim como em Vila São Paulo, a sede do 2º Distrito, que é Vila Segredo, possui uma variedade de estabelecimentos comerciais, de serviços e industriais.[1][67]


Aerial photo from the 2000s of Ipê
Foto aérea de Ipê nos anos 2000.

Ver também

Referências

  1. a b c d «Distritos». Cópia arquivada em 5 de Dezembro de 2025 
  2. «Divulgação de resultados TSE». Resultados - TSE. Site TSE. Consultado em 11 de fevereiro de 2020 
  3. «Cidades e Estados». IBGE. 2021. Consultado em 12 de maio de 2023 
  4. «O perímetro urbano da sede do Município de Ipê, RS, com a área de 3.818.394,00 m² (três milhões, oitocentos e dezoito mil, trezentos e noventa e quatro metros quadrados), fica estabelecido da seguinte forma:». leismunicipais. 31 de julho de 2023. Consultado em 12 de dezembro de 2025 
  5. «ESTIMATIVAS DA POPULAÇÃO RESIDENTE NO BRASIL E UNIDADES DA FEDERAÇÃO COM DATA DE REFERÊNCIA EM 1º DE JULHO DE 2021» (PDF). IBGE. 2022. Consultado em 23 de outubro de 2023 
  6. «Ranking». IBGE. 2010. Consultado em 12 de maio de 2023 
  7. «Ranking». IBGE. 2010. Consultado em 12 de dezembro de 2025 
  8. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios - 2010 a 2020». IBGE. 2020. Consultado em 12 de maio de 2023 
  9. «L12238». www.planalto.gov.br. Consultado em 10 de dezembro de 2025 
  10. a b c d e Webde. «Histórico». Prefeitura Municipal de Ipê. Consultado em 26 de outubro de 2023. Cópia arquivada em 4 de dezembro de 2025 
  11. a b c d e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. «O histórico de Ipê» (PDF). Consultado em 8 de fevereiro de 2012. Arquivado do original (PDF) em 25 de março de 2018 
  12. «Formigueiro, o primeiro nome». cidades.ibge.gov.br. Consultado em 26 de outubro de 2023 
  13. «População de Ipê (RS) é de 5.325 pessoas, aponta o Censo do IBGE». G1. 28 de junho de 2023. Consultado em 8 de dezembro de 2023 
  14. «Rota Uva e Vinho». Turismo Rio Grande do Sul. Cópia arquivada em 13 de Dezembro de 2025 
  15. a b c «Censo Agropecuário 2007» (PDF). Cópia arquivada (PDF) em 2 de Dezembro de 2025 
  16. «LEI Nº 9037, DE 8 DE FEVEREIRO DE 1990.». Leis Estaduais. 23 de outubro de 2003. Consultado em 5 de dezembro de 2025 
  17. Vargas, Taís (5 de setembro de 2023). «Camping Dalsasso em Ipê é devastado por enchente | Rádio Solaris». Consultado em 2 de dezembro de 2025 
  18. Webde. «Prefeitura de Ipê acompanha inauguração - Notícias». Prefeitura Municipal de Ipê. Consultado em 2 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 5 de Dezembro de 2025 
  19. Webde. «Sítio Moinho do Rio Segredo - Hospedagem». Prefeitura Municipal de Ipê. Consultado em 3 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 5 de Dezembro de 2025 
  20. «Danos no Rio Leão, em Antônio Prado, foram menos graves do que a prefeitura estimava | Pioneiro». GZH. 14 de março de 2016. Consultado em 2 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 13 de Dezembro de 2025 
  21. RS, Do G1 (27 de agosto de 2013). «Em dia gelado, RS tem neve em pelo menos 25 cidades nesta terça-feira». Rio Grande do Sul. Consultado em 7 de dezembro de 2025 
  22. terra. «Neve é registrada em pelo menos 30 municípios do RS e cinco de SC». Terra. Consultado em 7 de dezembro de 2025 
  23. Solaris (15 de fevereiro de 2023). «Conselho debate situação de estiagem no município de Ipê | Rádio Solaris». Consultado em 30 de dezembro de 2025 
  24. Webde. «Ipê decreta situação de emergência devido a estiagem - Notícias - Prefeitura Municipal de Ipê». Prefeitura Municipal de Ipê. Consultado em 30 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 8 de julho de 2022 
  25. «DIÁRIO OFICIAL». Governo do Rio Grande do Sul. Consultado em 29 de Dezembro de 2025 
  26. Webde. «Administração de Ipê pede a população que racione a água - Notícias». Prefeitura Municipal de Ipê. Consultado em 30 de dezembro de 2025 
  27. Webde. «IPÊ ESTÁ ENTRE OS MUNICÍPIOS EM CALAMIDADE PÚBLICA - Notícias». Prefeitura Municipal de Ipê. Consultado em 30 de dezembro de 2025 
  28. «Decreto especifica municípios atingidos por cheias de rios». Portal do Estado do Rio Grande do Sul. 5 de maio de 2024. Consultado em 30 de dezembro de 2025 
  29. IBGE (2010). «Amostra - Religião». Consultado em 22 de dezembro de 2025 
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