Intoxicação por etilenoglicol
| Intoxicação por etilenoglicol | |
|---|---|
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| Etilenoglicol | |
| Especialidade | Medicina de emergência |
| Sintomas | Precoces: intoxicação, vômitos, dor abdominal[1] Later: rebaixamento do nível de consciência, dor de cabeça, convulsões[1] |
| Causas | Ingestão etilenoglicol[1] |
| Método de diagnóstico | Cristais de oxalato de cálcio na urina, acidose ou aumento da diferença osmolar no sangue[1] |
| Tratamento | Antídoto, hemodiálise[2] |
| Medicação | Fomepizol, etanol[2] |
| Frequência | > 5,000 casos por ano (EUA)[3] |
| Classificação e recursos externos | |
| CID-10 | T52.8 |
| CID-9 | 982.8 |
| MedlinePlus | 000774 |
| eMedicine | 814701 |
A intoxicação por etilenoglicol é uma intoxicação causado pela ingestão de etilenoglicol. Os sintomas iniciais incluem intoxicação, vômito e dor abdominal. Os sintomas secundários podem incluir um nível de consciência diminuído, dor de cabeça e convulsões[1]. Os resultados a longo prazo podem incluir insuficência renal e dano cerebral.[1] A toxicidade e a morte podem ocorrer após a ingestão, mesmo que em pequena quantidade.[1]
O etilenoglicol é um líquido incolor, inodoro, adocicado, comumente encontrado em anticongelante.[1] Pode ser bebido acidentalmente ou intencionalmente em uma tentativa de causar a morte.[2] Quando quebrado pelo corpo, resulta em ácido glicólico e ácido oxálico, que causam a maior toxicidade.[1][4] O diagnóstico pode suspeitado quando cristais de oxalato de cálcio são vistos na urina ou quando a acidose ou uma diferença osmolar está presente no sangue.[1] O diagnóstico pode ser confirmado pela medição dos níveis de etilenoglicol no sangue; contudo, muitos hospitais não têm habilidade para executar esse teste.[1]
O tratamento precoce aumenta a chance de um bom resultado.[2] O tratamento consiste em estabilizar a pessoa, seguido pelo uso de um antídoto.[2] O antídoto preferido é fomepizol com etanol usado se este não estiver disponível.[2] A hemodiálise pode ser usada em aqueles onde há dano no órgão ou um alto grau de acidose.[2] Outros tratamentos podem incluir bicarbonato de sódio, tiamina e magnésio.[2]
Mais de 5 mil casos de intoxicação ocorrem nos Estados Unidos por ano.[3] Aqueles afetados são frequentemente adultos e homens.[4] Mortes por etilenoglicol têm sido notificadas no início de 1930.[5] Um surto de mortes em 1937 devido à medicação misturada num composto similar, dietilenoglicol, que resultou no Ato de Alimento, Droga e Cosmético de 1938 nos Estados Unidos, que exige uma prova obrigatória de segurança antes dos novos medicamentos poderem ser vendidos.[5] Os produtos anticongelantes algumas vezes tem uma substância que faz ser amargo adicionado para desencorajar a ingestão por crianças e outros animais, mas isto não tem se encontrado efetivo.[2]
Casos notórios
Caso Backer (Brasil, 2020)
Em janeiro de 2020, ocorreu um surto de intoxicação em Belo Horizonte, Brasil, causado pela contaminação de cervejas da Cervejaria Backer com monoetilenoglicol e dietilenoglicol. As substâncias, utilizadas como anticongelantes em sistemas de refrigeração industrial, vazaram para os tanques de fermentação, contaminando diversos lotes da cerveja Belorizontina. O episódio resultou em 10 mortes e dezenas de pessoas com sequelas graves, como insuficiência renal, cegueira e paralisia. O caso gerou ampla repercussão nacional e levou a investigações criminais e ações judiciais contra os responsáveis pela empresa.[6]
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k Kruse, JA (outubro 2012). «Methanol and ethylene glycol intoxication.». Critical Care Clinics. 28 (4): 661–711. PMID 22998995. doi:10.1016/j.ccc.2012.07.002
- ↑ a b c d e f g h i Beauchamp, GA; Valento, M (setembro 2016). «Toxic Alcohol Ingestion: Prompt Recognition And Management In The Emergency Department.». Emergency Medicine Practice. 18 (9): 1–20. PMID 27538060
- ↑ a b Naidich, Thomas P.; Castillo, Mauricio; Cha, Soonmee; Smirniotopoulos, James G. (2012). Imaging of the Brain: Expert Radiology Series (em inglês). [S.l.]: Elsevier Health Sciences. p. 960. ISBN 978-0323186476. Cópia arquivada em 8 de setembro de 2017
- ↑ a b Ferri, Fred F. (2016). Ferri's Clinical Advisor 2017: 5 Books in 1 (em inglês). [S.l.]: Elsevier Health Sciences. p. 794. ISBN 9780323448383. Cópia arquivada em 8 de setembro de 2017
- ↑ a b Shaw, Leslie M. (2001). The Clinical Toxicology Laboratory: Contemporary Practice of Poisoning Evaluation (em inglês). [S.l.]: Amer. Assoc. for Clinical Chemistry. p. 197. ISBN 9781890883539. Cópia arquivada em 8 de setembro de 2017
- ↑ «Intoxicação por cerveja em BH: 5 anos após caso da Backer, vítimas não foram indenizadas e responsáveis seguem impunes». G1. 30 de setembro de 2025. Consultado em 3 de outubro de 2025
