Inês Piacesi
| Ines Piacesi | |
|---|---|
| Nome completo | Ines Piergentile Piacesi |
| Nascimento | 6 de março de 1895 |
| Morte | 1981 (86 anos) |
| Nacionalidade | Ítalo-brasileira |
| Cônjuge | Aroldo Piacesi (1881–1954) |
| Filho(a)(s) | 13 (11 sobreviventes) |
| Ocupação | Jornalista, professora, intelectual |
| Principais trabalhos | O Rubicon |
| Movimento literário | Integralismo/Fascismo |
Ines Piacesi (Fabro, 6 de março de 1895 – 1981) foi uma jornalista, intelectual e professora ítalo-brasileira que se destacou em Barbacena, Minas Gerais, por sua longa carreira jornalística e por sua militância política na Ação Integralista Brasileira (AIB), sendo reconhecida como defensora dos ideários fascista e integralista.[1][2] Foi proprietária e diretora do jornal O Rubicon, considerado um órgão de propaganda integralista na cidade.[3]
Origem familiar e formação
Ines Piergentile nasceu em Fabro, na região da Úmbria, Itália, filha de Orlando Piergentili e Marieta Zuchetti.[4] Em 1900, mudou-se ainda criança para Barbacena, acompanhada da mãe e de seus primos Nelo e Aroldo Piacesi, reunindo-se ao pai, que havia imigrado anteriormente.[1]
Órfã de mãe, estudou no Colégio Imaculada Conceição, onde recebeu forte influência da madre superiora Irmã Paula Boisseau. Em sua homenagem, adotou o pseudônimo jornalístico “D. Paula” (ou D. Paola). Formou-se no Curso Normal em 1912.[2]
Aos 17 anos, casou-se com seu primo Aroldo Piacesi (1881–1954), com quem teve treze filhos, dos quais onze sobreviveram.[4]
Carreira jornalística e intelectual
Apesar das responsabilidades familiares, Piacesi construiu uma carreira de mais de 50 anos na imprensa. Estreou em 1919 no jornal O Sericicultor, usando os pseudônimos “D. Paula” e “Seny”.
Empreendimentos próprios
Em 1923, participou da fundação do Apollo Jornal, ligado ao Cine Theatro Apollo da família.[5] Em 1935, fundou o jornal O Rubicon, que dirigiu até 1952.[3]
Colaborações
Escreveu para diversos jornais locais e regionais, como Cidade de Barbacena, Diário Mercantil (Juiz de Fora), Diário da Tarde e Estado de Minas (Belo Horizonte), além de periódicos cariocas como o Jornal do Brasil e Cinearte.[2]
Posições sobre a mulher
Piacesi defendia a educação feminina, mas se declarava “feminista não sufragista”. Em sua coluna Rumo ao Lar, promovia valores tradicionais como maternidade e devoção ao lar, embora tenha alcançado espaços de atuação intelectual pouco comuns para as mulheres de sua época.[4]
Magistério
Entre 1928 e 1951, atuou como professora no Grupo Escolar Bias Fortes, em Barbacena, aposentando-se por motivos de saúde.[1]
Atuação política
Fascismo e integralismo
Piacesi e seu marido difundiram ideias fascistas em Barbacena a partir da década de 1920, apoiando Benito Mussolini e promovendo campanhas de arrecadação de recursos para a Itália.[6]
Aderiu à Ação Integralista Brasileira, tornando-se militante ativa (blusa-verde). Via o integralismo como versão brasileira do fascismo e participou de eventos, ações filantrópicas e educacionais do movimento.[7]
Vigilância e declínio político
Por sua militância, foi monitorada pelo DOPS-MG. Em 1937, chegou a ser denunciada por propaganda integralista a alunos.[4]
Com o Estado Novo, a AIB foi proibida e O Rubicon passou a exaltar Getúlio Vargas, a quem chamava de “Duce Brasileiro”. Após a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, encerrou formalmente a defesa do fascismo.
O pedido de naturalização feito em 1939 foi negado devido a seu histórico político.[1] O fim da circulação de O Rubicon em 1942 marcou sua retirada da vida política.
Conexões políticas
Piacesi mantinha vínculos com a família Andrada em Barbacena. Sua filha mais nova foi batizada por José Bonifácio Lafayette de Andrada, reforçando sua ligação com a elite política local.[2]
Reconhecimento
Após a morte do marido, assumiu sua cadeira na Academia Barbacenense de Letras, sendo reconhecida como uma das principais intelectuais da cidade.[2]
Referências
- ↑ a b c d PIMENTA, Everton Fernando. Ines Piacesi, 1895-1981: um ensaio biográfico. Mariana, 2007.
- ↑ a b c d e LAGUARDIA, Angela. Ines Piacesi, uma intrépida jornalista. Academia Barbacenense de Letras, 2022. Disponível em: academiadeletrasbarbacena.org.br.
- ↑ a b PIMENTA, Everton Fernando. O Rubicon de Ines Piacesi: um jornal integralista em Barbacena-MG (1936-1937). In: Entre tipos e recortes: histórias da imprensa integralista. Rio de Janeiro: Autografia, 2019.
- ↑ a b c d PIMENTA, Everton Fernando. Duas faces de uma mesma moeda: recepção e circulação do ideário fascista e integralista em Barbacena - MG através do casal Ines e Aroldo Piacesi, 1924-1945. Universidade Federal de São João del-Rei, 2015.
- ↑ MACIEL DA SILVA, Igor. O maior cinema na história de Barbacena: panorama dos primeiros anos do Cine-Theatro Apollo (1923 a 1925). Caminhos da História, v. 26, n.1, 2021. DOI:10.38049/issn.2317-0875v26n1p.148-164
- ↑ PIMENTA, Everton Fernando. Nacionalismo e imperialismo fascista: a Segunda Guerra ítalo-etíope sob a ótica dos escritos dos imigrantes italianos Ines e Aroldo Piacesi. 2016.
- ↑ PIMENTA, Everton Fernando. Apontamentos sobre a presença da AIB em Barbacena-MG, 1934-1938. In: XXVIII Simpósio Nacional de História, 2015.
Ligações externas