Inácio Gregório Pedro VI Xabadim

Inácio Gregório Pedro VI Xabadim
Patriarca da Igreja Católica
Info/Prelado da Igreja Católica
Atividade eclesiástica
Diocese Patriarcado de Antioquia dos Sírios
Serviço pastoral 1678 - 1702
Eleição 2 de abril de 1678
Predecessor Inácio André Akhidjan
Sucessor Inácio Miguel III Jarweh
Ordenação e nomeação
Ordenação presbiteral 1658
Ordenação episcopal 1662
Dados pessoais
Nascimento Edessa
1631
Morte Adana
4 de março de 1702 (71 anos)
Funções exercidas - Arquieparca Sírio de Jerusalém (1662-1678)
Categoria:Igreja Católica
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Mar Inácio Gregório Pedro VI Xabadim (ou Shahbaddin, ou Shahbadine; 1631, Edessa – 4 de março de 1702, Adana) foi o Patriarca da Igreja Católica Siríaca de 1678 a 1702. Sua morte marcou o fim da primeira tentativa de união entre a Igreja Ortodoxa Siríaca e a Igreja Católica.[1][2][3]

Vida

Gregório Pedro Xabadim era sobrinho de Inácio Abdul Masi I (mais tarde Patriarca), com quem estudou. Foi ordenado sacerdote em 1658, na Igreja de São Pedro em Edessa, e tornou-se Arcebispo Sírio de Jerusalém em 1662, sendo ordenado no Mosteiro de Açafrão na Sé de Jerusalém.[2][4]

Abdul Masi era o líder da facção ortodoxa e desde 1662 se opôs ao patriarca pró-católico Inácio André Akijan. Após a morte de André Akijan, em julho de 1677, Abdul Masi enganou a facção pró-católica, professando-se em comunhão com a Igreja Católica para ser eleito patriarca, mas assim que obteve o firmã de nomeação do sultão otomano, ele fez uma reviravolta completa. Assim, a facção pró-católica em Alepo elegeu em seu lugar seu sobrinho, Xabadim, que havia se tornado um apoiador de André Akijan.[5]

Patriarca

Após a eleição, Xabadim obteve, também graças ao cônsul francês, a confirmação como patriarca do sultão, e foi entronizado em 2 de abril de 1678.[6] Ele foi posteriormente confirmado também pelo Papa Inocêncio XI, que lhe concedeu o pálio em 12 de junho de 1679.[7]

Os anos seguintes foram profundamente marcados pelos confrontos entre as duas facções, os pró-católicos e os pró-ortodoxos, que tentaram conquistar para o seu lado as autoridades otomanas. Isso resultou em cinco deposições e reinstalações de Xabadim.[3][5] As autoridades otomanas tomaram posição a favor da facção pró-ortodoxa, e os confrontos logo se degradaram em uma verdadeira perseguição dos sírios ortodoxos ao partido pró-católico.[8]

Em 1696, Xabadim, com o Arcebispo Gregório Isho (Josué) de Jerusalém, viajou a Roma para arrecadar fundos. Encontraram-se com o Papa Inocêncio XII e lá permaneceram até 1700, quando, com o apoio de Leopoldo I, da Áustria, e de Luís XIV, da França, puderam chegar a Constantinopla. Xabadim foi então reinstalado em 1º de março de 1701 pela quinta vez como Patriarca Sírio em Alepo.[8]

Morte

Esta última reinstalação terminou depois de alguns meses devido às perseguições da facção pró-ortodoxa e das autoridades otomanas. Em 27 de agosto de 1701, Xabadim, o arcebispo Dionísio Amin Kahn Risqallah, de Alepo, e a maioria do clero foram presos, espancados e encarcerados. Em 10 de novembro, eles foram transferidos com uma marcha forçada de Alepo para o castelo de Adana. O bispo Amin Kahn Risqallah morreu no mesmo dia em que chegou ao castelo, em 18 de novembro, devido aos ferimentos sofridos durante a marcha, e os outros cativos foram mantidos presos por alguns meses.[2][8]

Apesar das ferozes reclamações das autoridades ocidentais, Xabadim não foi liberto, e em 4 de março de 1702[9] foi-lhe oferecido um café pelo comandante do castelo, e na mesma noite morreu.[7][8]

Eventos sucessivos

Após a morte de Xabadim, o clero permaneceu preso em Adana até o início de 1704. Durante seu cativeiro, em 23 de novembro de 1703, eles elegeram como novo Patriarca o mafriano e Arcebispo de Nínive Isaac Basilios Joubeir (ou Basílio Isaque ibne Jubair), que na época estava no consulado francês. Ele foi posteriormente confirmado como Patriarca em 17 de novembro de 1704 por Roma,[10] mas se recusou a aceitar o título patriarcal de qualquer maneira e continuou a se considerar apenas como um mafriano, esperando por um momento melhor.[5] Em 1706, ele se mudou para Roma, onde morreu em 18 de maio de 1721.[9] A Igreja Católica Síriaca teve um novo Patriarca apenas em 1783 com Inácio Miguel III Jarweh.[3]

Referências

  1. «Patriarch Ignace Grégoire Pierre VI Shahbaddin [Catholic-Hierarchy]». www.catholic-hierarchy.org. Consultado em 26 de maio de 2025 
  2. a b c «Syriac Catholic Patriarchate Official Website». www.syr-cath.org. Consultado em 26 de maio de 2025 
  3. a b c «Syrian Christianity | Encyclopedia.com». www.encyclopedia.com. Consultado em 26 de maio de 2025 
  4. Fiey, Jean-Maurice (1993). Pour un Oriens Christianus novus: répertoire des diocèses syriaques orientaux et occidentaux. Col: Beiruter Texte und Studien. Beirut: in Kommission bei F. Steiner, Stuttgart. ISBN 3-515-05718-8 
  5. a b c Joseph, John (1983). Muslim-Christian relations and inter-Christian rivalries in the Middle East: The case of the Jacobites in an age of transition. Albany: State Univ. of New York Pr. ISBN 978-0-87395-600-0. Consultado em 26 de maio de 2025 
  6. de Vries, Wilhelm (1969). "Dreihundert Jahre syrisch-katholische Hierarchie". Ostkirchliche Studien. 5: 137–157.
  7. a b de Vries, Wilhelm (1971). "Die Propaganda und die Christen im Nahen asiatischen und afrikanischen Osten". In Metzler J. (ed.). Sacrae Congregationis de Propaganda Fide Memoria Rerum. Vol. I/1. Herder. pp. 594–595.
  8. a b c d Rabbath, Antoine; Tournebize, Henri François (1905). Documents inédits pour servir à l'histoire du christianisme en orient [XVIe-XIXe siècle];. University of Michigan. [S.l.]: Paris [etc.] A. Picard [etc.] Consultado em 26 de maio de 2025 
  9. a b Metzler, Josef (1973). "Die Syrisch-Katholische Kirche von Antioch". In Metzler J. (ed.). Sacrae Congregationis de Propaganda Fide Memoria Rerum. Vol. II. Herder. pp. 368–379.
  10. Remigius Ritzler (1952). Hierarchia catholica Medii aevi sive summorum pontificum, S.R.E. cardinalium, ecclesiarum antistitum series. Vol. 5. Padua. p. 90.